Atividade física e endometriose: se movimentar ameniza sintomas

Bem-estar Movimento Saúde
30 de Janeiro, 2024
Atividade física e endometriose: se movimentar ameniza sintomas

A prática de atividade física é uma aliada para reduzir os desconfortos provocados pela endometriose. É o que aponta um estudo realizado por médicos da Universidade do Cairo, no Egito, e da Universidade Beirut Arab, no Líbano. A condição é caracterizada pelo crescimento do endométrio (tecido que reveste o útero) fora do órgão e em partes da área pélvica, como ovários, trompas, intestino e bexiga.

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Atividade física e endometriose: detalhes sobre o estudo

O estudo contou com 20 participantes de 26 e 32 anos. Elas tinham endometriose e realizaram exercícios de força, mobilidade do quadril, alongamento e respiração. Então, as voluntárias fizeram 20 minutos de esteira no final das sessões que duraram de 30 a 60 minutos por dia, três vezes por semana. Logo após quatro semanas, os pesquisadores analisaram os quadros e, novamente, após oitos semanas. Eles observaram uma grande diminuição na dor das mulheres, bem como alterações posturais da pelve e do quadril causadas pela doença.

Normalmente, o tratamento da endometriose envolve a prescrição de medicamentos e, em casos mais graves, há indicação cirúrgica. O estudo, no entanto, comprova que existem outras formas de combater os sintomas e de melhorar a qualidade de vida. “A atividade física estimula a liberação de endorfinas, um hormônio que tem ação analgésica, ajudando a amenizar as dores provocadas pela enfermidade”, explica o ginecologista Sérgio Podgaec, vice-presidente da área de ensino do Hospital Israelita Albert Einstein.

Como os exercícios amenizam os sintomas da endometriose?

O médico diz que geralmente quem tem endometriose sente dores na região pélvica durante a menstruação e que as pacientes têm outros sintomas, como dores crônicas, cólicas intestinais intensas, incômodo durante a relação sexual, dor ao urinar e evacuar e dificuldade para engravidar. Se não tratada, a doença pode levar à infertilidade.

“Os exercícios ajudam a manter o peso saudável, o que pode reduzir os níveis de estrogênio e aliviar os sintomas potencialmente”, acrescenta o ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana Fernando Prado, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pelo Imperial College London, no Reino Unido, membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana.

Segundo os especialistas ouvidos pela Agência Einstein, os sintomas podem interferir na vida pessoal e profissional por causa da dor incapacitante, além de comprometer a saúde emocional, fazendo com que as pacientes fiquem mais ansiosas e tristes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu, em maio de 2021, a doença como um problema de saúde pública e aponta que 176 milhões de mulheres sofrem da condição em todo o mundo — no Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é de que sete milhões tenham endometriose.

Outros benefícios dos exercícios no combate à endometriose

Os benefícios dos exercícios físicos vão além da diminuição do desconforto, de acordo com os especialistas. Isso porque eles ajudam também a fortalecer a musculatura do core, região que engloba a pelve, o quadril, o abdômen e as costas. Assim, oferecem mais suporte estrutural e aliviam a tensão nas áreas afetadas pela doença. Manter-se ativa também combate a constipação, aumenta a energia, reduz a ansiedade e melhora o sono e o humor.

As modalidades aeróbicas de baixo e médio impacto são as mais indicadas para oferecer os ganhos sem o risco de causar mais desconfortos. Os médicos, no entanto, orientam que cada pessoa procure aquela modalidade que mais gosta para que possa ter frequência na atividade.

A prática de atividade física não precisa necessariamente ser adaptada ao ciclo menstrual, mas ela pode precisar de ajustes dependendo dos sintomas da endometriose. “É essencial que a mulher respeite sua dor”, afirma Podgaec.

“É importante ouvir o próprio corpo e ajustar a intensidade e o tipo de exercício conforme necessário. Logo antes da menstruação, há retenção de líquidos, o intestino pode mudar seu hábito, as mamas ficam mais inchadas e o abdômen dolorido, o mesmo vale para os primeiros dias do ciclo”, diz Prado. “Dessa forma, nesses dias é melhor pegar mais leve para que não haja piora dos sintomas ou o surgimento de incômodos maiores.”

Exagerar também não é uma boa ideia, pois pode provocar lesões, risco que todos correm quando abusam na malhação. “Exercícios muito intensos podem aumentar a inflamação e piorar os sintomas”, alerta o especialista em reprodução humana. Por essas razões, o ideal é avaliar a capacidade de cada organismo e contar com orientação de um profissional de educação física ou um fisioterapeuta.

Fonte: Agência Einstein.

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