Andador infantil: por que ele não é recomendado para bebês?

Acompanhar os primeiros passos do bebê é um dos momentos mais aguardados no desenvolvimento infantil. Os pais, inclusive, podem tentar auxiliar a jornada do pequeno com o uso do andador infantil. No entanto, desde 2013, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em conjunto com outras organizações voltadas à saúde infantil, como a ONG Criança Segura, não recomenda a utilização do equipamento pelos menores.

Embora o andador pareça o verdadeiro melhor amigo das crianças que estão aprendendo a andar, os riscos trazidos ao desenvolvimento infantil são maiores do que os seus benefícios. O primeiro e mais importante é o perigo do bebê cair usando o equipamento e, por isso, acabar sofrendo traumatismo craniano.

Em suma, essa preocupação existe porque os ossos do crânio do pequeno ainda não estão completamente formados quando ele é colocado no andador. Assim, caso caia ao usar o equipamento, as consequências tendem a ser mais perigosas.

De acordo com o documento produzido pela SBP sobre o assunto, os periódicos científicos mostram que o dispositivo ocasiona por volta de dez atendimentos na emergência infantil a cada 1.000 crianças. “Isso corresponde a pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o andador”, revela a instituição.

Além da parte física, o risco de acidente com o uso de dispositivo é maior porque o bebê consegue alcançar até 1 m/s. Portanto, o impacto tende a ser mais intenso caso aconteça bem como os pais costumam não conseguir socorrer os filhos a tempo.

Leia mais: Técnica dos “5S”: aprenda a acalmar o choro do bebê em cinco passos

O andador infantil também pode atrasar os primeiros passos

Já em relação ao desenvolvimento do andar infantil, o equipamento tende a fazer com que o pequeno comece a dar os primeiros passos mais tarde do que o previsto. Isso acontece porque ele deixa de fortalecer a musculatura necessária para se aventurar de pé. Além disso, o bebê fica com a postura incorreta bem como corre fora do compasso.

Esses fatores se somam ao fato de que o andador oferece uma liberdade para o bebê que ele ainda não consegue administrar. Em outras palavras, ele não tem capacidade cognitiva para se proteger de situações perigosas, como cair dentro da piscina, colocar a mão em uma tomada ou ainda ingerir algo que não deveria. Estudos científicos mostram, inclusive, que esse senso de autoproteção só surge por volta dos cinco anos de idade.

Por fim, a criança também tende a gastar menos energia ao usar o equipamento, já que ele alcança mais rápido o que deseja com o andador.

Referências:

Sociedade Brasileira de Pediatria

Sociedade Goiana de Pediatria

ONG Criança Segura Brasil