Amamentar reduz risco de câncer de mama? Por que?

Gravidez e maternidade Saúde
31 de Janeiro, 2022
Amamentar reduz risco de câncer de mama? Por que?

Quando o assunto é amamentação, as mamães ficam com diversas dúvidas. Mas amamentar realmente reduz o risco de câncer de mama? A resposta é simples: sim, diminui. Isso porque amamentar matura as células mamárias, diminuindo a tendência que elas têm de se proliferar. A explicação é de Paula Saab, mastologista e responsável pelo Departamento de Marketing e Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Ou seja: amamentar não é apenas um momento mágico entre mãe e filho, muito importante para estreitar o laço entre ambos, além de ser decisivo no desenvolvimento de anticorpos pelo pequeno e na prevenção da obesidade inclusive na vida adulta, mas também é benéfico para a saúde da mulher. 

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O que a ciência diz

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, os tumores de mama são doenças causadas pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, formando um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Isto é, se a amamentação diminui a tendência de proliferação dessas células, ela exerce um fator protetivo. Além disso, o aleitamento materno promove a eliminação e a renovação de células que poderiam ter lesões no material genético, diminuindo as chances de neoplasias. 

“A amamentação também diminui a exposição da mulher ao estrogênio pois inibe os ciclos ovulatórios enquanto não há menstruação. Estima-se que, a cada processo de amamentação, até 20% da glândula mamária seja substituída por gordura”, explica a mastologista Paula Saab. Como o estrogênio aumenta o risco de a mulher desenvolver câncer de mama, menos exposição a ele é uma forma de prevenção. 

Não existe um período mínimo de amamentação para que a proteção pela amamentação aconteça. “Quanto maior o tempo de amamentação, menos exposição ao estrogênio, mas não há tempo definido”, afirma a especialista.

Para o Instituto Americano de Pesquisa do Câncer e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tempo mínimo de aleitamento deve ser de seis meses – justamente o tempo mínimo indicado de amamentação exclusiva também para que a criança se desenvolva bem. 

Um estudo do Collaborative Group on Hormonal Factors in Breast Cancer constatou que a cada ano que uma mulher amamentava o risco de ter câncer de mama caía em 4,3% – esses 12 meses podem ser o tempo total dedicado a um filho ou a soma da amamentação de mais de uma criança. 

Risco de câncer de mama: e as mulheres que não amamentaram?

Algumas condições impedem as mães de amamentarem, como HIV, hepatite e tuberculose; em outros casos, a mulher simplesmente optou por não ter filhos. Contudo, isso não quer dizer, necessariamente, que a mulher terá tumores.

Segundo Paula Saab, a densidade das mamas de mulheres que não amamentaram tende a ser maior, diminuindo a sensibilidade da mamografia, portanto o rastreamento de rotina deve ser complementado com a ultrassonografia mamária, que tem maior sensibilidade. 

Fatores de risco

Se a diminuição à exposição a hormônios naturais do organismo da mulher é fator protetor, o mesmo vale para os hormônios sintéticos. Assim, são fatores de risco fazer uso de contraceptivos hormonais e reposição hormonal para retardar o aparecimento da menopausa.

Conforme o Inca, não ter filhos ou engravidar após os 30 anos também é fator de risco, bem como obesidade, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo e ter menstruado antes dos 12 anos.

Risco de câncer de mama: como prevenir

Se existem os fatores de risco, também existem formas de prevenir o câncer de mama. “Hábitos saudáveis de vida, cuidado com alimentação, controle de peso e práticas de atividades esportivas já são um ótimo começo”, enumera a mastologista Paula Saab. Essas medidas incluem ainda não fumar, evitar o tabagismo passivo e amamentar o máximo de tempo possível. 

O câncer de mama é o mais comum quando falamos na população feminina. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que todas as mulheres façam mamografia a partir de 40 anos, pois esse é um exame capaz de rastrear alterações preocupantes. Se há histórico da doença na família, o rastreamento deve começar ainda antes. Outra prevenção essencial é conhecer o próprio corpo: sempre observe seus seios e a área ao redor deles. Se notar qualquer alteração – como um nódulo, enrugamento ou secreções – procure imediatamente um médico. 

Fontes: Paula Saab, mastologista e responsável pelo Departamento de Marketing e Comunicação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM); Instituto Nacional do Câncer (Inca), Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e MD Anderson Cancer Center.  

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