Água não tratada: confira os riscos do consumo para a saúde

Saúde
04 de Novembro, 2022
Água não tratada: confira os riscos do consumo para a saúde

A água é o recurso mais precioso para nos manter vivos e saudáveis. No entanto, para entregar tais benefícios, ela precisa ser potável. Caso contrário, a água não tratada pode causar diversos problemas — muitos deles graves, inclusive.

“Sem tratamento e dependendo da procedência, a água pode carregar diversos micro-organismos que se proliferam com rapidez. Como resultado, o consumidor pode contrair intoxicações e infecções, hepatite A e até doenças autoimunes e degenerativas, caso contenha agentes químicos — metais pesados, por exemplo”, alerta Letícia Zocaratto, engenheira química e sommelier de água.

Veja também: Afinal, qual é a idade limite para parar de fumar sem ter riscos à saúde?

Principais problemas de saúde causados pela água não tratada

De acordo com relatório da OMS em parceria com a UNICEF, 1 a cada 3 pessoas no mundo não têm acesso a um sistema de água potável. Ou seja, mais de 2 bilhões de indivíduos estão em risco por diversos motivos — principalmente pela falta de saneamento básico.

“Se os países não investirem em saneamento, água potável e higiene, continuaremos a viver com doenças que deveriam ter ficado há muito tempo nos livros de história. Diarreia, cólera, febre tifoide, hepatite A e doenças tropicais, incluindo tracoma, vermes intestinais e esquistossomose. Investir em água […] é uma base essencial para a boa saúde”, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS no comunicado.

A seguir, veja as enfermidades que o consumo de água não tratada pode causar:

Intoxicação ou infecção por Salmonella

Além do consumo de água sem tratamento, a Salmonella é uma classe de bactérias também adquirida por meio de alimentos contaminados. Em pessoas com a saúde mais frágil, como crianças e idosos, a intoxicação por Salmonella pode ser fatal se não houver intervenção médica.

Portanto, se houver quadro persistente de diarreia e vômitos mesmo após a tentativa de repor líquidos, é importante ir ao pronto-socorro para receber o tratamento de suporte e o diagnóstico correto.

Hepatite A

A doença viral acontece por via fecal-oral. Então, basta consumir água ou alimentos contaminados, ou ter relações sexuais sem proteção com um parceiro infectado. A vacina é a principal forma de prevenção contra a hepatite A. Contudo, quando instalada no organismo, gera inflamações no fígado e provoca cansaço, febre, dores no corpo, urina e fezes escuras, inapetência e icterícia.

Assim como a intoxicação por Salmonella, a cólera desencadeia crises intensas de diarreia e vômitos. A cólera é causada pela bactéria Vibrio colerae, e costuma ser mortal se não for tratada. Todavia, nem todas as pessoas com cólera terão a manifestação grave da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, alguns casos são assintomáticos. A transmissão se dá pelo contato com fezes ou água e alimentos infestados com a bactéria. Além disso, a contaminação pode ser de uma pessoa para outra. A princípio, o risco é maior entre a população que vive em locais sem saneamento básico.

Febre tifoide

Outra enfermidade da família Salmonella, a febre tifoide é causada pela Salmonella typhi e requer cuidados imediatamente. Afinal, o contato com dejetos, alimentos e água contaminados pela bactéria provoca complicações graves.

Por exemplo, inflamação e comprometimento do fígado, baço e até da medula óssea. Dessa forma, ao ter sintomas típicos de uma intoxicação, incluindo diarreia com sangue e febre alta, vá ao médico.

Intoxicação por metais

Letícia Zocaratto explica que a situação pode acontecer em populações que vivem na região de riachos, açudes e demais fontes próximas de indústrias químicas.

“Muitas vezes, as fábricas podem despejar resíduos nesses locais. As pessoas bebem a água e creem que ela é segura, pois não possui cor, cheiro ou qualquer outra característica suspeita. Assim, o consumo frequente desse tipo de água pode resultar em doenças variadas, desde intoxicações leves a condições autoimunes, por exemplo”, comenta a especialista.

De forma geral, a intoxicação é gerada pelo consumo de metais como chumbo e mercúrio. Em grandes quantidades, afetam o organismo e desencadeiam sintomas clássicos de uma intoxicação. Entretanto, se não houver diagnóstico e tratamento, associado à ingestão contínua, a pessoa pode sofrer falência hepática e renal.

Outras condições decorrentes do consumo de água não tratada

  • Esquistossomose.
  • Amebíase.
  • Giardíase.
  • Leptospirose.

O que favorece a ingestão de água não tratada?

Na avaliação de Zocaratto, as situações mais comuns que expõem as pessoas ao perigo de beber água não potável são:

Consumir água de origem duvidosa: para a especialista, adquirir produtos de marcas desconhecidas traz o risco de contaminações variadas. Afinal, as distribuidoras podem não seguir as normas de segurança e higiene para envasar o produto.

Beber águas superficiais: por mais que pareça límpida, águas de riacho, cachoeiras, açudes, rios e bicas são um ponto de concentração de micro-organismos e outras substâncias químicas, como os metais citados anteriormente.

Falta de limpeza dos sistemas: sobretudo caixas d’água e tubulações, que precisam de manutenções periódicas.

Ausência de saneamento básico: infelizmente, o cenário é uma realidade para bilhões de pessoas no mundo, que interagem com águas de esgoto a céu aberto, sem o mínimo tratamento.

Beber água da torneira: se não estiver fervida ou clorificada, a água da torneira pode ser o lar de diversos vírus e bactérias.

O que fazer para se proteger?

A especialista recomenda o consumo de água de fontes certificadas. Então, ao comprar uma garrafinha, observe se a marca é confiável e conhecida no mercado para evitar surpresas.

“Em residências e locais com caixa d’água é fundamental que a manutenção esteja em dia, assim como a aplicação de cloro para conter a proliferação de micro-organismos”, explica.

Outra forma bastante eficaz de prevenir a contaminação é ferver a água antes de bebê-la. Caso você tenha filtro em casa, seja de barro ou purificador, garanta a vistoria do equipamento e realize a troca frequente de peças e filtros necessários.

“Por fim, em locais cujo acesso à água é precário, é essencial ferver a água e até decantá-la com um filtro improvisado de café. Isso redobra a segurança do consumidor em áreas mais carentes”, conclui.

Fonte: Letícia Zocaratto, engenheira química, atuante na indústria de água envasadas há mais de 15 anos; é a primeira mulher Sommelier de Água do Brasil e CEO das empresas Ozion Engenharia e Ozion Laboratório.

Sobre o autor

Amanda Preto
Jornalista especializada em saúde, bem-estar, movimento e professora de yoga há 10 anos.

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