Acalásia: o que é, sintomas, causas e tratamento

8 de fevereiro, 2022

Sabe aquela dificuldade estranha de engolir sólidos e líquidos? Esse sintoma pode evidenciar o diagnóstico da acalásia. Dor no peito, tosse noturna, infecções de vias aéreas também podem surgir com a doença. 

Acalasia nada mais é que uma doença do esôfago. Assim, é a ausência dos movimentos peristálticos do esôfago, ou seja, dos movimentos que o esôfago faz para empurrar o alimento até o estômago, causando muita dificuldade para engolir o alimento, tanto líquido como sólido. 

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De acordo com a Cirurgiã do Aparelho Digestivo, Vanessa Prado, a doença é diagnosticada com mais frequência em pacientes com idades entre 20 e 40 anos. 

Sintomas da acalasia

Vanessa Prado enumera os principais sintomas da acalasia. Portanto, veja quais são eles:

  • Dificuldade para engolir alimentos; 
  • Dor no peito; 
  • Refluxo e regurgitação;
  • Tosse, especialmente no período noturno em razão do retorno do alimento do estômago para o esôfago. 

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Causas

A cirurgiã, Vanessa Prado, explica com mais detalhes quais são os motivos pelos quais ocorre a doença. 

“É um problema relacionada a inervacao do esofago, provocando alteracao na contracao da musculatura esofágica que não consegue empurrar o alimento pro estômago. Isso pode ter causas virais, auto-imunes, sendo uma das causas a doença de chagas”. 

Como é feito o diagnóstico da acalasia? 

De acordo com o Instituto de Apoio ao Paciente com Acalasia, o quadro clínico é sugestivo. Geralmente, é utilizado o escore de eckardt para verificar o grau de sintomas da acalasia. 

Existem vários tipos de exames que podem ajudar a identificar a acalasia. Confira abaixo quais são os mais comuns:

Manometria 

Trata-se da melhor alternativa para diagnosticar a doença. Isso porque, ele mostra diversas informações importantes.

  • Aperistalse esofágica; 
  • Aumento da pressão de basal;
  • Relaxamento incompleto ou ausente do Esfíncter Inferior do Esôfago (EIE). 

Em grande parte dos casos, a manometria é a primeira opção, pois ela traz dados interessantes. Além disso, é possível diferenciar as variantes da acalásia e os seus estágios. 

Endoscopia Digestiva Alta

Mais comum nas fases iniciais. No entanto, quando a doença está nos estágios mais avançados, pode apresentar alguns cenários. 

  • Estase esofágica; 
  • Aumento do calibre; 
  • Tortuosidade do esôfago;
  • Mais resistência à passagem do aparelho por meio da cárdia. 

Sendo assim, é essencial para eliminar outras doenças que podem surgir com sintomas parecidos. Ademais, também é utilizado para executar biópsias de regiões suspeitas. 

Os pacientes com acalasia têm mais probabilidade de ter câncer de esôfago. Por isso, a endoscopia deve ser feita em pessoas durante a investigação de disfagia. 

Raio-X contrastado de esôfago

Por fim, e não menos importante, temos o raio-X contrastado de esôfago. Ele pode descobrir a dilatação do esôfago com o sinal do bico de pássaro no esofágico identificado. A Classificação de Rezende é utilizada para fazer a classificação dos graus da doença.

  • I: esôfago hipotônico e presença de bolha gástrica (asterisco);
  • II: esôfago dilatado moderadamente e apresentando ondas terciárias frequentes (cabeças de setas);
  • III: esôfago dilatado moderadamente e apresentando ondas terciárias frequentes (cabeças de setas);
  • IV: dolicomegaesôfago acinético e com aspecto de “bico de pássaro” da cárdia (seta)

Tratamento

O principal objetivo do tratamento da doença é alargar o esôfago para facilitar a passagem dos alimentos para o estômago, sem complicações. Dessa forma, o instituto da acalasia aponta três tipos de tratamento: endoscópico, cirurgia e cirúrgico. 

  • Endoscópio: a doença pode ser tratada por meio da dilatação esofágica e injeção de toxina botulínica. No entanto, é fundamental deixar claro que essas alternativas são temporárias e os retornos são limitados; 
  • Cirurgia endoscópica: Miotomia Endoscópica PER-OROAL- POEM: é indicada como uma das melhores alternativas para o tratamento da doença. Dessa forma, ela é recomendada para os pacientes com megaesôfago Graus I, II e III. É um dos valores mais econômicos do mercado e traz ótimos resultados para os pacientes; 
  • Tratamento cirúrgico: recomendado para pacientes com acalasia até grau III. Assim, pode ser aplicado com a cirurgia de Heller, onde é executada uma miotomia (corte do músculo do esfíncter inferior do esôfago) por meio da laparoscópica. Por outro lado, o POEM é uma opção menos invasiva e com bons resultados. 

Tumores podem causar acalasia? 

O Instituto de Apoio ao Paciente com Acalasia explica que alguns tumores são responsáveis por causar um distúrbio parecido com a doença. Desse modo, isso pode ocorrer em razão do estreitamento (constrição) direto do esfíncter esofágico inferior ou da  infiltração nos nervos esofágicos.

O que comer quando se tem acalasia? 

No cardápio, deve-se incluir alimentos mais pastosos e em pequeno intervalo de tempo, conforme destaca a Cirurgiã do Aparelho Digestivo, Vanessa Prado. 

Mas é fundamental deixar claro o quanto é importante procurar ajuda médica com um nutricionista para que o profissional indique quais são os melhores alimentos para o seu cardápio. 

Quais são as possíveis complicações da doença? 

A doença mais comum é a idiopática. Entretanto, é possível ser diagnosticado com doenças secundárias, como a de chagas ou complicações do diabetes, segundo o Instituto de Apoio ao Paciente com Acalasia.

Fonte: Dra. Vanessa Prado (Cirurgiã do Aparelho Digestivo), Médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Aparelho Digestivo (SBCD) e da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC).

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