O que é transtorno alimentar? Saiba como identificar e tratar

Alimentação Bem-estar Equilíbrio
27 de Abril, 2023
O que é transtorno alimentar? Saiba como identificar e tratar

O transtorno alimentar está entre os problemas psiquiátricos que mais ameaçam a vida. A constatação é de um estudo que reuniu pesquisadores da Universidade de Harvard, Castilla-La Mancha, Cambridge e de Londrina.

Para quem não convive com o problema, parece difícil imaginar que uma compulsão ou abstinência alimentar possa causar tantos danos. Mas a verdade é que os comportamentos que caracterizam a condição são diversos, e podem incluir uma obsessão com o peso ou a forma do corpo, além da autoimagem distorcida, fatores que podem ter desfechos altamente prejudiciais à saúde.

Por sorte, ultimamente o tema tem ganhado destaque após o relato de famosos que passaram por algum tipo de transtorno alimentar, como Taylor Swift, Sasha e Bruna Marquezine. Contudo, a bandeira continua vermelha. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas no mundo sejam afetadas por algum transtorno alimentar, incluindo anorexia, bulimia, compulsão alimentar e outros.

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O que é transtorno alimentar e de que forma ele se manifesta 

O transtorno alimentar caminha pela linha dos extremos. Por um lado, existem dificuldades extremas para comer que são provocadas pelo medo de engordar. E por outro lado, existe o exagero no consumo de alimentos que pode causar sobrepeso. Em ambos os casos, o equilíbrio não é um fator que entra na equação. Portanto, os transtornos alimentares são graves e precisam de acompanhamento médico para não provocarem agravamentos. Alguns deles são doenças cardiovasculares, desnutrição, problemas respiratórios e diabetes.

De acordo com o médico psiquiatra, Higor Caldato, as causas dos transtornos alimentares são multifatoriais, envolvendo questões genéticas, ambientais, ansiedade, estresse do dia a dia e pressão cultural para a magreza. Esses fatores podem resultar em alterações neurobiológicas relacionadas com a dopamina, neurotransmissor do prazer e, com isso, um mecanismo do prazer pode ser afetado. 

Outros fatores e vivências podem aumentar as chances de desenvolver um transtorno alimentar, são eles:

  • Ter vivido episódios de bullying;
  • Abuso sexual;
  • Pais separados;
  • Perda de entes queridos;

Transtorno alimentar: quais são os primeiros sinais?

De forma geral, os primeiros sinais dos transtornos alimentares aparecem quando a alimentação ou o comportamento alimentar começa a trazer sofrimento para a pessoa, que passa boa parte do dia pensando em comida, seja para restringir ou para comer em excesso. “Muitas vezes essa pessoa não consegue ter uma flexibilização em relação ao consumo, não conseguindo parar de comer, associando tudo isso com a culpa”, afirma. 

Já de acordo com o nutricionista Nemesis Monteiro, especialista em emagrecimento funcional aliado à reprogramação mental para mulheres, outro ponto, que deve-se tomar cuidado, é que pode ser difícil para os familiares identificarem porque a maioria dos pacientes omitem os sinais e sintomas por medo de julgamento. Entretanto, existem alguns alertas que podemos observar, como por exemplo:

  • Perda de peso abrupta e repentina;
  • Dieta restritiva autoimposta pelo paciente inclusive restringe o consumo de alimentos saudáveis por medo de engordar;
  • Isolamento social no ato de alimentar-se, evitando se alimentar em público;
  • Redução da libido, em homens pode ocorrer dificuldade em manter a ereção, enquanto em mulheres, o desequilíbrio alimentar pode comprometer o ciclo menstrual, gerando a infertilidade ou em casos mais leves a abstinência do ato sexual por vergonha do próprio corpo. 

Vale reforçar que a forma de apresentação dos transtornos alimentares pode variar entre homens e mulheres. Sendo assim, atitudes perturbadas em relação ao peso, forma corporal e alimentação desempenham um papel fundamental na origem e manutenção dos transtornos alimentares. Portanto, fatores que tendem atingir mais mulheres e jovens, em sua maioria.

Tipos de transtornos mais comuns

Anorexia Nervosa

Sintomas 

  • Peso muito abaixo do normal; 
  • Negação da gravidade do baixo peso corporal atual;
  • Recusa em manter o peso corporal dentro ou acima do mínimo normal indicado para idade e estatura;
  • Medo intenso de ganho de peso, mesmo com peso abaixo do mínimo normal;
  • Relação difícil com a alimentação.

Bulimia Nervosa

Sintomas 

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar, comportamento que se caracteriza pelo alto consumo de alimentos em um pequeno intervalo de tempo, comparado ao que um indivíduo saudável comeria nas mesmas circunstâncias, com sensação ou não de perda de controle sobre a ingesta alimentar;
  • Sensação de culpa após esses episódios, seguidos de comportamentos compensatórios inadequados, com a intenção de prevenir o ganho de peso. Exemplo: vômito auto induzido, abuso de laxantes, jejum, atividade física compulsiva e uso de medicamentos.
  • Recorrência. Os episódios de compulsão alimentar seguidos de estratégias compensatórias ocorrem em pelo menos 2 vezes por semana, por pelo menos 3 meses.

Transtorno da Compulsão

Sintomas 

  • Episódios recorrentes de compulsão alimentar sem os comportamentos compensatórios.
  • Ingestão descontrolada de alimentos, sem apetite e quase sem mastigar, até que seja alcançada a plenitude;
  • Sentimento de culpa, esgotamento e constrangimento;
  • O paciente busca alívio na comida;
  • Os sintomas nem sempre são facilmente identificados por um médico, especialmente pelo fato da pessoa afetada não os reconhecer ou aceitar. 

Tratamento 

Diagnósticos de transtorno alimentar exigem uma abordagem multiprofissional, incluindo nutricionistas, terapeutas e, se possível, apoio da família. Os esforços se concentram em ressignificar a relação do paciente com a comida, incluindo uma alimentação balanceada, seguindo a individualidade biológica de cada paciente, com metas graduais e sustentáveis.

Segundo o Dr. Higor, é importante que se tenha um olhar mais comportamental para a alimentação. “Até pouco tempo atrás se falava muito na quantidade e qualidade da comida, mas pouco se falava sobre o comportamento alimentar”. Portanto, o nutricionista será o profissional apto para investigar esse comportamento e perceber se esse paciente tende para excessos ou uma restrição muito importante. “Além disso, a terapia nutricional pode ser muito interessante, tendo em vista o acompanhamento próximo do paciente, orientando a ter uma alimentação e comportamento alimentar mais adequado”, indica o médico. 

Como prevenir o transtorno alimentar?

De forma geral, a prevenção do transtorno alimentar deve ser feita através de uma alimentação saudável e equilibrada. Lembrando que dietas restritivas podem representar cenários perigosos, portanto, é necessário ter equilíbrio nas escolhas. A seguir, confira dicas dos especialistas para evitar os transtornos.

  • Pratique atividade física de forma regular, exercícios físicos produzem hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar, vitalidade e satisfação;
  • Evite longos períodos em jejum;
  • Evite comparações do seu corpo com um padrão de beleza;
  • Controlar ao menos 2 refeições dos filhos; 
  • Evite comer escondido;
  • Evite punição pela comida;
  • Adote hábitos alimentares saudáveis de forma natural, principalmente no ambiente familiar;
  • Procure ajuda psicológica em casos de baixa auto estima recorrente, tristeza excessiva, ansiedade, depressão, entre outros;
  • Evite dieta rígidas e excludentes, que prometem grandes benefícios em curto espaço de tempo;
  • Tenha boa noite de sono: ajuda a repor as energias e diminui o stress, além de auxiliar na manutenção do peso.
  • Procure sempre a ajuda de um nutricionista para fazer seu plano alimentar. Assim, isso pode evitar a frustração e sensação de impotência ao fazer uma dieta. 

Cuidados com as crianças

Além disso, se você for pai ou mãe, a nutricionista Letícia Pereira destaca a importância da educação de base. “Durante a introdução alimentar, não incentive as crianças a “rasparem o prato” ou comerem tudo até ficarem “cheios”. Deve-se incentivar o consumo da alimentação consciente, e centrada no momento presente (mindful eating)”. 

Por fim, para combater os transtornos alimentares, é necessário investir em uma quebra de crenças e tabus com relação à alimentação, demonstrando que dietas restritivas devem ser evitadas, ao mesmo passo que se deve investir em uma alimentação equilibrada e diversificada. 

Fontes:

  • Higor Caldato, médico psiquiatra e sócio do Instituto Nutrindo Ideais, especialista em psicoterapias e transtornos alimentares.
  • Nemesis Monteiro, nutricionista do Instituto Nutrindo Ideais, e especialista em emagrecimento funcional aliado à reprogramação mental para mulheres.
  • Letícia Pereira de Araújo, nutricionista Clínica EMTN, do hospital HSANP. 

 

Sobre o autor

Tayna Farias
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em gravidez e maternidade

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