Transplante de córnea: saiba o que é e quando é indicado

18 de abril, 2022

O transplante de córnea é uma cirurgia de menor complexidade quando comparada com outros tipos de transplantes. É um procedimento indicado quando a córnea do indivíduo está danificada por algum motivo ou em casos de falta de resposta a um determinado tipo de tratamento para restaurá-la.

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Como funciona o transplante de córnea?

Basicamente, o transplante consiste na substituição da córnea original por uma nova, que vem de uma pessoa doadora. “Para que o indivíduo possa fazer um transplante de córnea, o oftalmologista responsável por seu tratamento precisa reconhecer a real necessidade do procedimento. Assim é reunida uma série de documentações e exames para o especialista inserir o paciente na fila do transplante”, explica o médico oftalmologista Marcelo Brito.

Chegada a vez na fila, o médico entra em contato com o indivíduo para todas as orientações pré-cirúrgicas. O procedimento utiliza anestesia e sedação e dura aproximadamente entre 2 e 4 horas, dependendo do caso. Logo após a cirurgia, o paciente acorda e permanece em observação ao longo do dia; se não houver nenhum problema, a alta é dada no mesmo dia.

Em quais casos o transplante é indicado?

De acordo com Marcelo Brito, o transplante pode ser realizado em portadores de ceratocone severo e com complicações. “Antes da recomendação cirúrgica, tentamos o tratamento clínico para evitar o transplante. Por exemplo, no caso do ceratocone, a primeira providência é a utilização de lentes de contato rígidas antes de sugerir um transplante”, explica.

Outras situações em que o transplante de córnea é necessário:

  • Lesões na córnea causadas por acidentes.
  • Perda de transparência da córnea como consequência de ceratocone.
  • Defeitos congênitos.
  • Distrofia.
  • Infecções como a herpes ocular.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que o procedimento é a última alternativa para o sucesso de um tratamento que teve outras etapas sem respostas satisfatórias. Por isso, converse com seu oftalmologista sobre todas as possibilidades.

Como é o pós-operatório de um transplante desse tipo?

Geralmente a recuperação é simples, mas exige alguns cuidados fundamentais para evitar quaisquer complicações. Por exemplo:

  • Descansar a visão por alguns dias, sem uso de telas e sem muita iluminação.
  • Não coçar os olhos nem molhar o curativo.
  • Manter o uso da proteção acrílica ao dormir.
  • Aplicar os colírios prescritos após a retirada do curativo.
  • Comparecer aos retornos médicos para avaliar a evolução do transplante.

Além disso, ao longo do acompanhamento médico, o especialista poderá retirar a sutura (pontos) do transplante conforme o avanço da cicatrização. Nesse meio tempo, o indivíduo pode sentir um incômodo no olho com transplante, como se houvessem ciscos, devido aos pontos ao redor da córnea.

Perguntas para se fazer ao oftalmologista

Há riscos de rejeição a um transplante de córnea?

Segundo Brito, todo procedimento como o transplante apresenta uma taxa de rejeição. “Embora seja uma pequena parcela que passe por isso, é possível sofrer uma rejeição mesmo após muitos anos de cirurgia”, esclarece.

Quais são os sintomas da rejeição?

A princípio, o indivíduo sente muita coceira nos olhos, vermelhidão e visão turva. Embora sejam sintomas aparentemente inofensivos, uma pessoa que possui transplante de córnea precisa levá-los a sério e logo buscar ajuda médica. Caso seja diagnosticada uma rejeição, serão prescritos tratamentos com colírios específicos à base de corticoides. Contudo, se não houver bons resultados, poderá ser necessário um novo transplante.

Afinal, é possível fazer a cirurgia pelo SUS?

Brito afirma que a maioria dos transplantes de córnea é feita na rede pública de saúde. Além disso, a gestão da fila do transplante é feita pelo próprio Sistema Único de Saúde. Há indivíduos que optam pela rede privada, via convênio de saúde — dependendo do plano, a cirurgia tem total cobertura.

A fila de transplante de córnea é longa?

Normalmente a fila é mais rápida do que a de outros transplantes, dependendo da cidade. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2020 foram feitos mil transplantes de córnea. No ano anterior à pandemia, 14,9 mil. Logo, com a estabilização da pandemia no país, o número de pessoas à espera de uma nova córnea aumentou em 80%. Por isso, é importante ter em mente que a espera poderá ser mais longa.

Quais são os tipos de transplante de córnea?

São possíveis dois tipos de cirurgia: a primeira pode exigir a substituição completa da córnea; e a segunda é parcial, quando apenas uma parte do tecido doador é o suficiente para repor a área lesionada. Ambas são de acordo com cada quadro e são definidas pelo médico oftalmologista ao realizar o diagnóstico.

Fonte: Marcelo Brito (@dr.marcelobrito), médico oftalmologista. CRM: 18871/RQE: 415.