Terapia hormonal na menopausa pode aliviar sintomas incômodos

Saúde
02 de Outubro, 2023
Terapia hormonal na menopausa pode aliviar sintomas incômodos
Material produzido em 15/08/2023

Ao longo da vida, o corpo feminino passa por inúmeras mudanças, que podem representar desafios diferentes. Um importante marco da trajetória da mulher é a chegada da menopausa por volta dos 50 anos de idade3,4. A redução na produção de certos hormônios pode provocar sintomas nada agradáveis². Por isso, muitos especialistas recomendam a terapia hormonal (TH) após a menopausa¹. Saiba mais:

*As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Climatério vs. Menopausa

Para entendermos melhor sobre a TH, precisamos conhecer alguns conceitos antes. Por exemplo, a menopausa corresponde à última menstruação da vida da mulher, e marca o fim da sua capacidade reprodutiva⁵.

Contudo, no período que antecede a menopausa, devido ao declínio estrogênico, as mulheres apresentam irregularidade menstrual, que pode estar associada a outros sintomas bem típicos. Esse é o chamado climatério, ou seja, a transição do período reprodutivo para o não reprodutivo⁶. Nele, podem aparecer⁶:

  • Fogachos: famosos “calorões” que surgem de repente e principalmente em áreas como rosto, pescoço e tronco;
  • Problemas relacionados ao trato reprodutivo, como incontinência urinária, atrofia e ressecamento vaginal;
  • Perda da libido;
  • Mudanças de humor;
  • Alterações na pele;
  • Insônia;
  • Fadiga ou cansaço;
  • Ganho de peso;
  • Instabilidade emocional e até sintomas depressivos.

Por que esses desconfortos aparecem?

Porque os ovários perdem progressivamente a capacidade de produzir os hormônios sexuais femininos – como estrogênio e progesterona. Para você ter uma ideia, o principal hormônio dos ovários, o estradiol, é fabricado por estruturas conhecidas como folículos ovarianos⁷.

Com o passar do tempo, a mulher vai perdendo seus folículos, e eles se tornam tão poucos em certa etapa da vida que o ovário não consegue mais produzir o estradiol. Assim, surgem os sinais já citados⁷.

Benefícios da TH

É aí que entra o papel da terapia hormonal! Ela nada mais é do que a administração dos hormônios femininos que estão em falta ou deficientes no corpo da paciente¹. O tratamento é indicado para muitas mulheres na menopausa por trazer uma série de vantagens e melhorar a qualidade de vida de diferentes formas1,2:

1 – Redução dos sintomas típicos do climatério

Um dos principais benefícios da TH é a redução e até o desaparecimento dos sintomas que podem afetar o bem-estar da mulher, especialmente no que diz respeito a fogachos, perda na libido, alterações genitais e até irritabilidade e perda de sono².

2 – Melhora do aspecto da pele

Atualmente, sabe-se que o envelhecimento da pele é um processo natural estimulado por uma série de fatores – genética, exposição a raios UV, tabagismo, poluição ambiental, alimentação e até questões hormonais. Alguns, a gente não consegue controlar, mas outros podem ser modificados com o intuito de diminuir o ritmo do envelhecimento⁸.

Na menopausa, a pele vai ficando cada vez mais fina e com menos colágeno. Mas estudos apontam a terapia hormonal como uma grande aliada para reduzir essas características: mulheres tratadas com a TH apresentaram uma maior espessura da pele do que aquelas que não receberam hormônios⁹.

3 – Prevenção à osteoporose

Outra possível consequência da menopausa é a perda das massas muscular e óssea, o que aumenta as chances de problemas como a osteoporose4,5.

Isso acontece porque todos os dias, adquirimos e perdemos minerais que preenchem nossos ossos. Até os 30, geralmente “ganhamos” mais massa óssea do que eliminamos. Contudo, conforme a idade avança, esse processo é invertido, e passamos a apresentar uma maior facilidade a ter ossos enfraquecidos4,5.

A TRH pode ajudar a reverter essa questão ao equilibrar os hormônios – alguns deles importantes para a entrada de minerais nos ossos1,5.

4 – Redução dos riscos de doenças cardiovasculares

O estrogênio é um hormônio sexual feminino que também exerce um papel na proteção do coração e dos vasos sanguíneos. Por isso, com a sua queda na menopausa, os riscos cardiovasculares podem aumentar – principalmente se combinados a um estilo de vida pouco saudável5,10.

Como funciona a terapia hormonal na menopausa?

Como já explicado anteriormente, trata-se da administração de alguns hormônios a fim de diminuir os desconfortos produzidos pela queda de estrogênio. Para que a TH seja mais eficaz e segura, especialistas recomendam realizá-la dentro da chamada janela de oportunidade: de cinco a dez anos a partir do início dos primeiros sintomas (e antes dos 60 anos)1,4.

Lembrando que é imprescindível contar com a indicação e o acompanhamento de um médico durante todo o tratamento. E adotar hábitos mais equilibrados, como alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse, sono adequado, entre outros2,11.


Referências:

  • [1] – Nelson HD, Humphrey LL, Nygren P, Teutsch SM, Allan JD. Postmenopausal Hormone Replacement Therapy: Scientific Review. JAMA. 2002;288(7):872–881;
  • [2] – Duralde ER, Sobel TH, Manson JE. Management of perimenopausal and menopausal symptoms. BMJ. 2023 Aug 8;382:e072612.;
  • [3] – Fritz MA, Speroff L. Endocrinologia ginecológica clínica e infertilidade. 8. ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2015. p. 689-768.
  • [4] – Pinotti JA, Halbe HW, Hegg R (eds.). Menopausa. São Paulo: Roca, 1995.
  • [5] – Ferreira VN, Chinelato RSC, Castro MR, Ferreira MEC. Menopausa: marco biopsicossocial do envelhecimento feminino [internet]. Psicol. Soc. 2013;25(2):410-419. [acesso em 31Jul2023]. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/Wb8Js5hSLSnXVJ4LkqBCvLt/?lang=pt&format=html;
  • [6] – Ministério da Saúde. Climatério. [internet]. 2009 Dez. [acesso em 30jul2023]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/climaterio/;
  • [7] – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Propedêutica mínima no climatério [internet]. 2022 Mai;(5). [acesso em 30jul2023]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/pec/posicionamentos-febrasgo/FPS-N5-Maio-2022-portugues.pdf;
  • [8] – Tobin DJ. Introduction to skin aging. Journal of tissue viability. 2007;26(1):37-46/
  • [9] – Brincat M, Versi E, Moniz CF, et al. Skin collagen changes in postmenopausal women receiving different regimens of estrogen therapy. Obstet Gynecol. 1987;70(1):123-7;
  • [10] – Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo – SOGESP. Climatério ou menopausa – Saúde e bem-estar [internet]. 2023. [Acesso em 25ago2023]. Disponível em: https://www.sogesp.com.br/canal-saude-mulher/blog-da-mulher/climaterio-ou-menopausa/;
  • [11] – Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual de Atenção à Mulher no Climatério / Menopausa [internet]. 1ª ed. Brasília: Ed. MS; 2008. [acesso em 30jul2023]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_atencao_mulher_climaterio.pdf.

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