Solidão materna: Como lidar com esse sentimento?

Você já ouviu falar em solidão materna? Já se sentiu assim em algum momento ou conheceu mães que, logo após a gravidez, apesar de bastante conectadas com seus filhos, passaram a sentir-se desconectadas do mundo ou de outras áreas da vida?

A chamada solidão materna é o nome dado por especialistas para sensações que acometem algumas mulheres depois do parto. Pode ser algo breve, mas também pode durar um certo tempo após o nascimento do bebê, gerando sensações de tristeza, ansiedade e irritabilidade, além de mudanças emocionais profundas. 

Solidão materna: Por que acontece?

Algumas razões explicam essa sensação. A primeira se relaciona às próprias mudanças que acontecem no período de gravidez e depois dele. Durante a gestação, boa parte das mulheres relata receber todos os mimos e carinhos possíveis, tornando-se, inclusive, o foco do cuidado da família. Quando o bebê nasce, porém, a situação se inverte e o bebê passa a ser o centro das atenções. 

Além disso, depois do parto, a pressão sofrida para cuidar do bebê é adicionada a várias outras pressões, como cuidar de si mesma, da casa, do trabalho. “Sobre a solidão materna, tem uma autora que gosto muito, a Laura Guttman. Ela diz que, quando estamos grávidas, vivemos uma fusão física e emocional com o bebê. Depois que ele nasce, temos a separação física, mas não a emocional”, explica Luciana Sato, mãe e fundadora da Rede Héstia, que promove a essência do feminino e co-fundadora do Conexões Humanizadas, que facilita aprendizagem e diálogos generativos nas organizações.

“De fato, foi assim que me senti no início, pois logo após o nascimento, senti que perdi uma parte da minha identidade: não reconhecia meu corpo, precisava lidar com vários cuidados externos que eu não estava acostumada e aprender a me relacionar de novo com tudo, ao mesmo tempo em que me sentia extremamente vinculada ao novo ser que acabara de sair de mim. Foi a maior transformação que já passei na vida”, afirma. 

As exigências da maternidade

Ela complementa que, no pós-parto, normalmente há uma série de exigências, palpites, sugestões que muitas vezes não são úteis às novas mães, pois cada bebê é único e cada mãe também. “A falta de compreensão disso nos faz sentir muito sozinhas. Por isso, mais do que ouvir conselhos, precisamos de pessoas que simplesmente nos ouçam com empatia, que se coloquem disponíveis apenas para estar junto conosco. Menos julgamento e mais acolhimento para apoiar as mulheres que acabaram de passar por esse processo tão profundo de transformação.”

Falta de apoio é queixa comum

A falta de apoio e de espaço para as mulheres aprenderem a lidar com a maternidade também é uma queixa comum que contribui para a solidão materna. “A sociedade ainda coloca muitos fardos sobre as mulheres. Espera-se que já saibam, de forma intuitiva, serem mães, mas é um trabalho a ser construído. E já são muitas cobranças internas que as mulheres têm, desde o parto até a amamentação e a criação de uma criança. Eu me lembro que, na gestação, tinha muitas inseguranças achando que não ia dar conta. Com o apoio integral de meu parceiro, porém, as coisas seguiram com desafios, mas mais tranquilas”, detalha a terapeuta Fernanda Temple. 

“Lembro também que, desde a gestação, a minha opção por continuar trabalhando fora ou até mesmo de retornar ao trabalho foi criticada. Além disso, minha filha não pegou o peito e hoje mama por fórmula, outra coisa que acaba sendo tabu e alvo de críticas muitas vezes. Ou seja, são muitas pressões externas das quais precisamos nos livrar para termos saúde emocional. Cada mãe é diferente e sabe aquilo que vive. A sociedade deveria interferir menos, entendendo que cada sistema familiar evolui à sua forma e não existe certo ou errado”, analisa.

Ajuda é importante para contornar a solidão materna

Por fim, Fernanda também acredita que buscar ajuda quando necessário é fundamental. “A terapia e todas as práticas para o bem-estar da mulher durante e após a gestação são essenciais. Assim, só podemos dar a um serzinho que depende de nós aquilo que nós temos. E precisamos estar bem. A vida muda, mas com criatividade vai-se sempre achando um tempo para si mesma. No meu Instagram (@fernandatempleoficial) estou sempre oferecendo atividades que contribuem para a saúde mental e emocional de mulheres, já tendo atendido muitas delas em processo de gestação e pós-parto e isso fez e faz muita diferença”, conclui. 

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