Smartwatches podem detectar precocemente doença de Parkinson

Saúde
18 de Julho, 2023
Smartwatches podem detectar precocemente doença de Parkinson

Uma nova pesquisa, publicada na Nature Medicine e feita no Reino Unido, revelou que smartwatches podem ajudar a identificar a doença de Parkinson até sete anos antes do surgimento de sintomas. A descoberta tem implicações para a pesquisa, pois permitirá melhor recrutamento de pessoas para ensaios clínicos, Além disso, futuramente, na prática clínica, possibilitará que pacientes em estágios menos avançados tenham acesso a tratamentos, quando eles estiverem disponíveis.  

Leia mais: Exame para Parkinson: estudo avalia solução para diagnóstico precoce

Smartwatches e Parkinson

A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. É causada pela morte de neurônios, em especial em uma área do cérebro conhecida como substância negra . Elas são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que, entre outras funções, ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática.

Na falta de dopamina, o indivíduo perde controle motor. A lentidão dos movimentos e os tremores nas extremidades das mãos costumam ser os primeiros sinais e o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos sintomas descritos.  

No estudo, os pesquisadores compararam dados de participantes com a doença com os de outro grupo que recebeu o diagnóstico até sete anos após a coleta dos dados. 

Nesse sentido, pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Demência no Reino Unido (UK Dementia Research Institute) e do Instituto de Inovação em Neurociência e Saúde Mental (Neuroscience and Mental Health Innovation Institute – NMHII), da Universidade de Cardiff, contaram com o apoio de smartwatches.

Assim, eles utilizaram o dispositivo eletrônico para coletar, entre outros dados, informações sobre a aceleração dos movimentos de 103.712 participantes do Biobanco do Reino Unido. O banco de dados reúne dados disponível para a comunidade científica com mais de meio milhão de pessoas entre 40 e 69 anos. Então, os dados foram coletados durante uma semana, nos anos de 2013 a 2016.

Inteligência artificial

A partir de inteligência artificial e modelos estatísticos, os pesquisadores filtraram as informações do banco de dados. Depois, eles definiram quais tinham melhor correlação com o diagnóstico da doença de Parkinson. Então, eles identificaram padrões relacionados à velocidade de movimento e qualidade do sono que tinham relação com um futuro aparecimento da doença.

Os pesquisadores conseguiram demonstrar, ainda, que poderiam aplicar os resultados obtidos entre os participantes do estudo na população geral. Assim, identificar indivíduos que mais tarde acabariam desenvolvendo Parkinson.

Eles descobriram que os dados sobre aceleração dos movimentos foram mais precisos em prever se alguém desenvolveria doença do que qualquer outro fator de risco. Por exemplo, estilo de vida ou genética, ou outro sinal precoce reconhecido da doença. O modelo também foi capaz de prever o tempo até o diagnóstico.

De acordo com Cynthia Sandor, líder do Instituto de Pesquisa de Demência no Reino Unido, os dados do dispositivo eletrônico não são diferentes de dados que smartwatches comuns que possuem acelerômetros, como o Apple Watch. 

“Dados coletados por smartwatches são obtidos facilmente e com baixo custo. Ao usar esse tipo de dado, podemos potencialmente identificar indivíduos nos estágios iniciais da doença de Parkinson na população em geral”, explica a pesquisadora. 

Tratamento da doença

De acordo com Sandor, para a maioria dos pacientes diagnosticados com doença de Parkinson, 50% a 70% dos neurônios dopaminérgicos já estão degenerados quando os sintomas motores característicos se manifestam. 

No entanto, ainda não existem tratamentos disponíveis que possam curar ou evitar a progressão da doença, apenas medicamentos que repõem parcialmente a dopamina que não está sendo produzida. 

“Como resultado, mostramos que uma única semana de dados capturados pode prever eventos até sete anos no futuro. Então, com esses resultados, poderíamos desenvolver uma valiosa ferramenta de triagem para auxiliar na detecção precoce do Parkinson “, avalia Sandor.

 Fonte: Agência Einstein.

 

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