Síndrome hemolítica urêmica: saiba o que é

3 de August, 2022

Conhecida pela sigla SHU, a síndrome hemolítica urêmica exige atenção especialmente na infância. Segundo informações do Ministério da Saúde, a média é de dois casos para cada 100 mil habitantes. Mas, entre crianças com menos de cinco anos, esse índice é de cerca de seis a cada 100 mil. 

Outro ponto de atenção para os pequenos é que estamos falando da principal causa de insuficiência renal aguda entre eles. Mas, independente da idade, trata-se de uma condição grave, que acende o alerta para todos. Assim, o perigo é que ela forma pequenos coágulos de sangue pelo corpo, que podem bloquear o fluxo em órgãos vitais. Saiba mais.

Um distúrbio raro

São duas as possíveis origens da síndrome hemolítica urêmica: infecciosa ou não infecciosa. No primeiro caso, mais comum, as responsáveis pelo estrago são as bactérias que produzem a toxina Shiga (STEC), como a Escherichia coli. Já se for não infecciosa, a SHU pode ser provocada por uso de medicamentos, herança genética, transplantes ou até gravidez. Além disso, pode ter a ver com outras doenças que o paciente já tenha, como sepse, hipertensão ou certos tumores. E ainda há casos em que os médicos não conseguem identificar a causa exata.

Mas, seja como for, cólicas intensas, febre, vômitos e diarreia (muitas vezes com sangue) estão entre os primeiros sintomas, que se desenvolvem repentinamente. Contudo, a principal característica é a presença de coágulos sanguíneos (trombos) que se formam de maneira súbita pelo corpo – e que podem ser vistos nas fezes – e bloqueiam vasos sanguíneos. Quando a coisa complica, em geral está relacionada a coágulos que se formam nos rins, daí o risco de insuficiência renal.

E é dos trombos que vem o nome da SHU: hemolítica é uma referência aos glóbulos vermelhos (hemácias) do sangue, que se rompem, e urêmica é pelo acúmulo de ureia que ocorre quando os rins são afetados.

De olho no prato

Quando é de origem infecciosa, a síndrome desenvolve-se no paciente a partir do consumo de alguns alimentos. Pois, como as Escherichia coli estão especialmente no trato gastrointestinal do gado, entre os alimentos mais associados à transmissão estão carne crua ou malcozida.

Mas o perigo também está na contaminação das águas e do solo. Já que essas bactérias saem nas fezes. Hortaliças, legumes, verduras e frutas, por exemplo, contaminam-se durante a adubação se o esterco dos animais não for tratado.

Além disso, sucos, leite e seus derivados que não passaram pelo processo de pasteurização ou fervura podem oferecer risco, assim como água para consumo não tratada devidamente com cloro.

Como se desenvolve a síndrome hemolítica urêmica

O período de incubação varia entre três a oito dias, com duração média de quatro dias. Ao analisar o quadro clínico do paciente, o médico já pode desconfiar do quadro, e exames, como de sangue e fezes, ajudam no diagnóstico. Enquanto no de sangue um baixo número de plaquetas levanta a hipótese, o de fezes pode identificar a presença da bactéria, se a doença for de origem infecciosa. Exames que avaliam a função dos rins também são úteis.

O tratamento se dá, em geral, na UTI e o paciente pode precisar de uma série de medidas de suporte, como passar por diálise e transfusão de sangue. Também é preciso controlar a pressão. E, ainda, usam-se medicamentos específicos, sendo um dos mais comuns o eculizumabe, que reduz a taxa de danos renais.

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Prevenindo a síndrome hemolítica urêmica

O acesso ao saneamento básico é a principal forma de prevenção da síndrome hemolítica urêmica, assim como a higiene adequada. Para completar, é fundamental saber a origem daquilo que se consome. Ao fazer compras, avalie se os alimentos possuem selo de inspeção pelos órgãos responsáveis (identificados pelas siglas S.I.E, S.I.F e outras), que verificam a procedência dos produtos.

Fontes: Manual MSD e Ministério da Saúde

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