Síndrome do desconforto respiratório agudo: saiba tudo sobre a condição

25 de julho, 2022

A síndrome do desconforto respiratório agudo, ou simplesmente SDRA, é uma doença que afeta os alvéolos pulmonares. Esses alvéolos são responsáveis pelas trocas gasosas da respiração, e possuem o formato de sacos pequeninos com uma fina membrana. “Como resultado, essas estruturas ficam cheias de material líquido inflamatório, o que prejudica a troca gasosa. Então, a pessoa sente um intenso desconforto ao respirar, o que leva à eventual necessidade de ventilação mecânica”, explica José Rodrigues Pereira, médico pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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Sintomas da síndrome do desconforto respiratório agudo

De acordo com Pereira, os principais sintomas da SDRA são falta de ar e chiado na respiração. Dependendo da gravidade, a pessoa não consegue respirar sem ajuda de aparelhos, e precisa ser internada para receber o suporte de oxigênio. Outro sinal da doença é a queda da oxigenação, medida durante o atendimento médico. Além disso, algumas pessoas podem apresentar cianose, que é alteração da cor das extremidades do corpo. Mãos, pés e boca são as áreas mais propensas a ficarem azuladas devido ao pouco oxigênio no sangue. Por fim, é comum ter alterações na frequência cardíaca, com aumento dos batimentos por causa da sobrecarga pulmonar que impacta o coração.

Causas da SDRA

Há uma série de motivos que levam à síndrome do desconforto respiratório agudo. “Mas a principal causa é a pneumonia, decorrente do avanço dessa complicação, seguida da broncoaspiração do suco gástrico. O conteúdo do estômago é ácido e, em contato com o tecido pulmonar, provoca a inflamação dos alvéolos”, comenta o especialista. Doenças ou alterações prévias nos pulmões também contribuem para a SDRA, tais como:

Fatores de risco

O histórico de saúde somado à idade avançada favorecem o quadro. Conforme citamos acima, algumas doenças e condições podem desencadear a síndrome. Por exemplo, se a causa for broncoaspiração, isso pode acontecer com mais frequência se a pessoa possui distúrbios na deglutição, como consequência de um problema neurológico. Sendo assim, esse indivíduo tem mais chances de se engasgar com maior frequência e sofrer com refluxo gastroesofágico, que provocam a SDRA.

Segundo o médico da BP, outro fator de complicação é a sepse, ou infecção generalizada. “Mesmo que a infecção não comece nos pulmões, ela pode se espalhar e chegar nos órgãos. Por isso, é importante avaliar e diagnosticar todos os fatores de risco para evitar a situação”, alerta. Por último, mas não menos frequente, a síndrome do desconforto respiratório agudo pode vir de traumas severos, como o de acidentes automobilísticos e quedas, por exemplo.

Síndrome do desconforto respiratório agudo em crianças

Bebês recém-nascidos, sobretudo os prematuros, também são vítimas da enfermidade, pois já nascem com problemas no desenvolvimento pulmonar. Nesses casos, a criança não possui quantidades suficientes de surfactante, uma substância que ajuda a preencher os pulmões de ar. Como consequência, o bebê apresenta os mesmos sintomas de uma pessoa adulta — inclusive, tem dificuldades para mamar, pois lhe falta o ar. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a síndrome em bebês é percebida logo após o nascimento ou nas primeiras horas de vida e exige internação. Durante o tratamento hospitalar, o bebê utiliza máscara de oxigênio para respirar e medicamentos com surfactante sintético.

Diagnóstico e tratamento

Em geral, a identificação da síndrome vem com a internação em UTI, pois a pessoa já está debilitada pela insuficiência respiratória. “Dessa forma, a primeira medida é colocar o paciente em ventilação mecânica para ajudá-lo a respirar melhor. A partir daí, utilizamos alguns parâmetros para o diagnóstico, como o nível de dependência do aparelho ventilador. Para avaliar o nível de inflamação, exames de imagem como o raio-X são úteis. Assim como a saturação de oxigênio, que ajuda a acompanhar a evolução do estado de saúde do paciente”, ensina Pereira. Quanto ao tratamento, não existe um medicamento específico para conter ou curar a síndrome, mas uma série de medidas que combatem a causa da doença — entre elas, o suporte da ventilação mecânica. Portanto, é fundamental fechar um diagnóstico assertivo para oferecer um tratamento adequado para a origem do problema.

Fonte: José Rodrigues Pereira, Pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.