Sexagem fetal: exame ajuda a descobrir o sexo do bebê

24 de maio, 2022

Há um tempo, mamães e papais aguardavam cerca de três meses para realizar o exame de ultrassonografia afim de descobrir o sexo do bebê. Nos últimos anos, a medicina modernizou-se e a descoberta pode ser realizada rapidamente por meio do diagnóstico da sexagem fetal.

Coletado pelo sangue, a sexagem fetal tem sido cada vez mais utilizada — sem contar que é um dos protagonistas do famoso chá-revelação.

“O desejo de conhecer o sexo do bebê é uma opção cada vez mais solicitada pelos casais. E há duas opções: um exame de sangue, conhecido como sexagem fetal, em torno de oito a dez semanas ou por ultrassom em torno de 12 a 14 semanas de gestação”, conforme explica o Dr. Álvaro Pigatto Ceschin, médico ginecologista, presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Como funciona o exame de sexagem fetal?

Camila Ramos, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, ressalta que a sexagem fetal é utilizada apenas para descobrir o sexo do bebê. O sangue é coletado na gestante e a análise é feita pelo DNA fetal, presente na circulação da grávida. Os resultados são obtidos com a pesquisa do cromossomo Y no sangue materno.

“A mulher que tem o cariótipo 46, XX, vai ser avaliado se há no sangue alguma célula com cromossomo Y. Se for encontrado o cromossomo Y, é porque se trata de um menino (46, XY). Caso contrário, é porque se trata de uma menina”. 

A partir de quantas semanas posso realizar o exame?

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a sexagem fetal precisa de um tempo para ser realizada. De acordo com o Dr. Odilon Denardin, consultor médico do Labi Exames, este exame pode ser feito a partir da oitava semana completa de gestação.  

Vale ressaltar que não existe um preparo para a realização da sexagem fetal. “Recomenda-se, apenas, que a mulher esteja alimentada e hidratada”, reforça a geneticista, Dra. Cristina Valleta de Carvalho.

Em quanto tempo fica pronto o resultado?

Ainda segundo o Dr. Odilon Denardin, o tempo para a liberação do resultado depende do laboratório onde será realizado. “Cada laboratório possui o seu prazo. No Labi, o resultado pode ser conferido em 2 dias úteis”, ressalta.

Riscos da sexagem fetal

O exame de sexagem fetal não apresenta contraindicações: “Não existe risco para mãe ou para o bebê na coleta de material para o exame de sexagem fetal, uma vez que é um procedimento não invasivo. Porém, este exame não é recomendado para gestantes que foram transplantadas ou que receberam transfusão sanguínea em um período inferior a seis meses”, alerta o Dr. Odilon.

O exame pode dar o resultado errado?

O consultor médico do Labi também explica que, apesar de existir uma possibilidade de erro no resultado, elas são mínimas e estão atreladas a outros fatores: “O resultado não conclusivo pode ocorrer, mas é muito incomum (menos de 5% dos casos). Quando o exame apresenta um resultado não conclusivo, é por conta de limitações técnicas ou possíveis interferências na amostra. Para um esclarecimento destes casos inconclusivos é indicada uma nova coleta, após o período de 15 dias do exame inicial. Vale lembrar que alguns medicamentos como anticoagulantes à base de heparina, podem inibir o exame”.

É importante reforçar a confiabilidade do exame: “O exame de sexagem fetal é confiável, mas como qualquer exame laboratorial, pode apresentar limitações, existirem interferências ou situações clínicas que geram resultados não compatíveis“, conclui.

Como funciona o exame de sexagem fetal no caso de gêmeos?

De acordo com o Dr. Nilo Frantz, especialista em reprodução humana, o exame de sexagem fetal só vale no caso de gestação de apenas um bebê. Assim, dependendo do tipo de gêmeos, é feito um exame específico. Dessa forma, na sexagem fetal, o resultado será de apenas um dos bebês: “Por exemplo, se a gestação for univitelina, ou seja, dividem a mesma placenta, eles têm o mesmo sexo e, portanto, o resultado indicará o sexo para ambos. Por outro lado, no caso de uma gestação gemelar bivitelina, ou seja, em placentas diferentes, o resultado pode ser parcial. Se o exame identificar o cromossomo Y, significa que pelo menos um dos bebês é do sexo masculino. Não sendo visto o cromossomo Y, significa que os bebês são do sexo feminino”, explica a Dra. Cristina.

Nesse caso, deve ser realizado um exame mais invasivo, tendo que extrair líquido amniótico. Outra opção é a ultrassonografia, mas ela só pode ser feita a partir da 12 semana de gestação. 

Qual a diferença entre a sexagem fetal e outros exames tradicionais?

Por fim, a Dra. Cristina explica que a principal diferença entre a sexagem e os métodos tradicionais, como o ultrassom morfológico, está na forma de avaliação, no momento da realização e acurácia. “No ultrassom morfológico e no método do tubérculo genital – a avaliação é feita durante o teste ultrassonográfico e depende da posição em que o bebê está para a determinação mais precisa, bem como o período de melhor detecção é bastante variável”, completa.

Fonte: Dr. Álvaro Pigatto Ceschin, médico ginecologista e presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA); Camila Ramos, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana; Dra. Cristina Valleta de Carvalho, geneticista, gerente do aconselhamento genético na Igenomix Brasil; Dr. Nilo Frantz, especialista em reprodução humana na Nilo Frantz Medicina Reprodutiva; e Dr. Odilon Denardin, consultor médico do Labi.