Risco de depressão pós-parto é maior em mulheres com histórico familiar

Equilíbrio Gravidez e maternidade Saúde
13 de Dezembro, 2022
Risco de depressão pós-parto é maior em mulheres com histórico familiar

Mães com histórico familiar de transtorno psiquiátrico têm quase o dobro de risco de desenvolver depressão pós-parto em comparação com as que não têm esse registro. Isto é o que aponta uma revisão de 26 estudos com dados de mais de 100 mil mulheres. Os resultados foram publicados no Jama e reforçam a importância dos cuidados com a saúde mental da gestante durante o pré-natal.

Risco de depressão pós-parto

Os pesquisadores ressaltam que apesar de o risco ser maior, estas mulheres não devem se sentir predestinadas a ter depressão pós-parto. Isso porque essa é uma doença que tem prevenção e tratamento, desde que haja o acompanhamento adequado. Eles destacam que a abordagem desta gestante no pré-natal deve incluir uma boa entrevista sobre a história clínica pessoal e também dos familiares para que as possíveis intervenções possam ser feitas precocemente.

Estima-se que cerca de 20% das puérperas possam desenvolver depressão pós-parto. Por isso, é importante identificar os fatores de risco precocemente. Já os outros 80% poderão ter o chamado baby blues – causa sintomas que podem ser confundidos com a depressão (como choro constante, tristeza, excesso de sensibilidade, irritabilidade e ansiedade). Mas eles são transitórios e insuficientes para causar prejuízo à mulher, sendo que costumam começar perto do terceiro dia após o parto e devem desaparecer em até 21 dias.

“A gravidez e o parto exercem efeitos fisiológicos, psicológicos e endocrinológicos no corpo e na mente da mulher. O início da adaptação à maternidade exige mudanças de papéis: é o momento em que a mulher deixa de ser filha e passa a ser mãe, a responsável por outro ser humano”, explicou a psicóloga Soraya Azzi, da Unidade Materno Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein.

Fatores de risco

Segundo Soraya, existem vários fatores de risco bem estabelecidos para a depressão pós-parto. Por exemplo: mulher que na sua própria história pessoal já teve algum transtorno psiquiátrico, como quadros de ansiedade, de transtorno do pânico; mulher que já teve depressão ou que já passou por algum evento difícil que desencadeou ansiedade generalizada. Fatores de risco psicossociais também podem interferir, como: não ter planejado a gravidez; ter um relacionamento instável com o pai do bebê; ter problemas no emprego (ou estar desempregada); e ter problemas nas relações familiares, entre outros.

A psicóloga destaca, ainda, fatores de risco inesperados que podem desencadear um quadro de depressão na gestação e pós-parto, como: uma gravidez de risco; entrar em trabalho de parto prematuramente; receber a má notícia de malformação fetal ou sofrer algum evento que possa impactar a gestação. Segundo a especialista, “todos esses problemas podem desencadear um quadro de depressão”.

Leia também: Qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto?

Histórico familiar

A revisão de estudos mostra a associação do histórico familiar com o risco de casos de depressão pós-parto – o que se torna mais um fator de risco a ser avaliado. Assim, Soraya destaca a importância das relações familiares durante o pré-natal.

Um dos desafios apontados pelos pesquisadores é que ao perguntar sobre a história familiar, nem sempre a gestante saberá informar. Isso porque nem sempre os membros da família compartilham os seus problemas psiquiátricos. Além disso, eles podem ter algum transtorno, mas nunca terem recebido um diagnóstico.

“Há níveis de gravidade dos transtornos psiquiátricos, leve, moderado e grave. Os familiares com casos mais graves provavelmente passaram por períodos disfuncionais, o que torna o caso mais evidente em algum momento. Mas há muitos casos em que a pessoa sequer sabe que tem um problema de saúde mental”, destaca a psicóloga.

Para Soraya, a revisão dos estudos reforça a necessidade de identificação dos fatores de risco da mulher grávida para que sejam tomadas as medidas de prevenção, que podem incluir a combinação de terapia medicamentosa e psicoterapia, sempre levando em conta a segurança do tratamento para a amamentação. A especialista reforça que a mulher que já faz tratamento psiquiátrico não deve abandonar os medicamentos e sim continuar sendo acompanhada pelo médico.

“Muitas vezes a mulher interrompe o tratamento psiquiátrico na gravidez por medo que a medicação possa interferir no desenvolvimento saudável do bebê ou na amamentação ou por vergonha. Sabemos que ela faz isso com a melhor das intenções, de preservar a saúde do bebê, mas os tratamentos estão cada vez mais modernos e criteriosos. O psiquiatra e o obstetra dessa gestante saberão a melhor conduta de tratamento a se seguir”, disse a psicóloga, destacando que o acompanhamento deve acontecer com o profissional especializado.

Fonte: Agência Einstein

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