O que é o amor, segundo a psicologia e a neurociência

Bem-estar Equilíbrio
14 de Fevereiro, 2023
Lívia Barbosa Alves de Souza
Revisado por
Psicóloga • CRP 01/22261
O que é o amor, segundo a psicologia e a neurociência

Como um sentimento tão universal, protagonista de filmes, canções, poemas e, muitas vezes, visto como o elemento que traz sentido para a existência humana, pode ser tão complicado de ser definido? O questionamento “o que é o amor” pode receber diferentes respostas a depender de quem é o locutor – um padre, um filósofo, um professor, um artista…

Segundo Thiago de Almeida, doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), o amor é um fenômeno genérico. Isso porque ele varia conforme a vida de cada indivíduo, seu histórico e o repertório que possui. 

“Em geral, a psicologia entende o amor como um conjunto de sentimentos, pensamentos e comportamentos, muitas vezes relacionado a aspectos positivos da existência e que gera uma pluralidade de consequências na vida das pessoas”, esclarece.

Vale entender que existem diversos tipos de amor – romântico, materno, paterno, de amigo – e eles agem de formas diferentes no cérebro. No caso do amor romântico, Claudia Feitosa-Santana, neurocientista e autora do livro “Eu controlo como me sinto”, explica que se trata de um produto da nossa evolução, vinda da necessidade de reproduzir.

Assim, os sentimentais sonhadores que não nos ouçam, mas de acordo com os estudos da neurociência baseados na questão evolutiva, o sexo vem primeiro e o amor depois. 

O que é o amor?

Definir o amor em um conceito objetivo ainda é uma tarefa a ser trabalhada pela ciência. No caso da psicologia, Thiago comenta que tal emoção veio a se tornar objeto de estudo há pouco tempo se comparado com outros fenômenos (a exemplo da depressão) e, por isso, ainda não existe um consenso.

No campo da neurociência também não há uma definição desse sentimento, mas sim uma justificativas para por que ele acontece, o que ele causa e a importância dele.

Então, o que a ciência tem até agora?

Primeiramente, existe uma diferença bastante notável e já comprovada entre a paixão e o amor. 

Uma pessoa apaixonada tem os níveis de ocitocina e vasopressina aumentados. Isso explica o apego tão grande àquela outra pessoa e a sensação de que ela é única e insubstituível.

Além disso, a dopamina, hormônio ligado ao sistema de recompensa, também é mais estimulada. Por outro lado, quando se está longe do indivíduo de desejo, há uma diminuição da seratonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar.

E sabe aquela sensação de coração palpitando e “borboletas no estômago”? É o cortisol, hormônio do estresse, presente em maiores quantidades.

Alguns estudos indicam que essa fase tem duração média de 12 a 24 meses – o amor seria a continuação dessa novela.

“Quando a paixão vai se transformando em amor, os recursos cerebrais são menores. As conexões são mais solidificadas. É como se você tivesse menos atividades, mas mais recompensa”, diz Claudia.

Em outras palavras, o amor é considerado um sentimento mais maduro e consciente que tende a estabilizar os níveis hormonais e neurais e a diminuir os níveis de estresse.

Leia mais: O que a paixão causa no cérebro?

Para além do cérebro

A tese de doutorado de Thiago, “Conceito de amor: um estudo exploratório com uma amostra brasileira”, procurou encontrar uma definição para esse fenômeno a partir do entendimento das próprias pessoas. 

Assim, 600 voluntários, com média de idade de 23,82 anos, escreveram, em 90 segundos, todas as palavras que vinham à mente ao pensar em amor. Ao todo, foram 3.243 respostas. 

Depois de categorizar e analisar as palavras, Thiago entendeu que:

  • Homens tendem a relacionar mais o amor ao sexo;
  • Mulheres relacionam mais o amor ao romance;
  • Mulheres valorizam mais as amizades.

“A gente viu que realmente o amor é um fenômeno plural, dimensional e que interage com certas características. Por exemplo, sexo, idade e nível de instrução”, resume.

Amor é construção?

Para quem é pragmático e racional, o amor pode ser quase como uma pedra no sapato. Ainda não é possível defini-lo e, assim, é difícil saber quando se está sentindo de verdade.

Até agora, não existem estudos sobre uma inteligência artificial que, a partir da atividade cerebral, consegue definir se aquele indivíduo realmente ama ou não.

“Mas a gente está quase lá. Porque, normalmente, você tem uma série de atividades no seu cérebro só de olhar a foto da pessoa que você ama, por exemplo”, explica Claudia.

Enquanto um exame como esse não é criado, a gente segue na ânsia de tentar controlar as coisas. No caso da paixão, pode ser uma furada. Segundo a neurocientista, ela está bem mais fora do nosso controle.

Com o amor é diferente. 

Para ele existir, é preciso construção e manutenção do sentimento (o que pode dar uma sensação de maior controle) mas enquanto ele estiver ali, ainda há o risco do atravessamento de fatores externos que mudam o curso da vida.

Fontes: Thiago de Almeida, doutor em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP); Claudia Feitosa-Santana, neurocientista e autora do livro “Eu controlo como me sinto”.

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