Locavorismo: tendência valoriza resgate do consumo local

Alimentação Bem-estar
15 de Agosto, 2022
Locavorismo: tendência valoriza resgate do consumo local

Valorizar o consumo local. Esse é o maior princípio do locavorismo. O termo “locavore”, cunhado pela chef de cozinha americana Jessica Prentice, surgiu em 2005. Nos últimos anos, ele vem ganhando mais notoriedade, sobretudo durante a pandemia do coronavírus, momento no qual as pessoas passaram a consumir mais de estabelecimentos locais. Luiz Henrique Mileck é engenheiro mecânico e tem pós-graduação em empreendedorismo social. Ele já atua nesse mercado há dez anos e, em 2019, fundou o Locavorista, que inicialmente era um restaurante que comercializava produtos locais e, atualmente, é um escritório de soluções locais com ênfase no desenvolvimento de consultorias.

“O locavorismo tem diversas explicações, mas todas elas acabam desaguando no mesmo significado. Em resumo, é o ato consciente do consumo local”, diz.

Ele explica que a tendência valoriza um resgate desse hábito de investir em produtos que são feitos pela própria comunidade onde se vive. Isso porque, antigamente, os antepassados não tinham esse poder de escolha, mas hoje em dia, é possível e bem mais comum comprar alimentos de grandes varejistas e importados. “Hoje, é uma opção, e não mais uma necessidade”, ressalta.

Objetivo do locavorismo

Os dois principais objetivos do locavorismo são comprar do pequeno produtor e comprar de quem está perto. “Quando você faz essas duas coisas, você acaba tendo alguns objetivos secundários trabalhados”, afirma Luiz.

Dentre os efeitos que surgem a partir de um consumo focado no pequeno produtor, o engenheiro destaca o impacto social de ter uma maior proximidade com o comerciante. “Você passa a conhecer quem produz, compra diretamente com o produtor e diminui a quantidade de intermediários, diferentemente do que acontece, por exemplo, em uma grande cadeia varejista”, comenta.

Além disso, o locavorismo também pode influenciar de maneira positiva questões voltadas ao meio ambiente. Isso porque há uma menor logística nesse processo de venda de produtos, além de um investimento em recursos da própria região. “Quando você compra alimentos orgânicos e sustentáveis de pequenos produtores, você acaba privilegiando plantas e comidas nativas, fazendo com que a biodiversidade local seja valorizada”, afirma.

No que diz respeito à saúde, o locavorismo tende a priorizar alimentos naturais, orgânicos e sem conservantes, por isso, costuma colaborar para uma alimentação mais saudável e equilibrada. 

Leia também: O que são alimentos orgânicos e por que são uma boa escolha

Benefícios

Luiz comenta que tal hábito de consumo pode ser considerado um estilo de vida. “Para colocá-lo em prática, é preciso começar a frequentar feiras, bazares, pequenos mercados locais e lojas colaborativas”, diz.

Além disso, ele ressalta que vale encontrar maneiras de apoiar a causa mesmo quando frequentar um grande varejista. Afinal, é possível procurar itens locais mesmo em grandes mercados.

Os impactos sociais e ambientais promovidos pela incorporação do locavorismo são diversos. Mas o engenheiro faz questão de destacar um terceiro benefício da prática: o efeito cultural.

 “Quando você compra do local, você acaba consumindo o que é dos seus, então você cultiva melhor os hábitos culturais locais. Além disso, o locavorismo nasce da comida, do pequeno produtor, mas você também pode consumir música local, priorizar artistas locais, buscar artesões locais para comprar seus móveis, arquitetos que privilegiem esse tipo de abordagem. Então, o impacto disso pode ser muito além do ambiental e do social”, defende. 

Por fim, inevitavelmente, há uma maior circulação de dinheiro na região. Dessa forma, o eixo econômico pode ser impactado dentro da sua comunidade.

Desafios

Entretanto, existem alguns desafios na expansão dessa tendência. O sócio do Locavorista explica que o primeiro deles é a divulgação. Ou seja, alcançar cada vez mais pessoas e mostrar que esse tipo de consumo é uma opção. 

“O segundo é tornar o consumo local mais conveniente já que hoje, por exemplo, é muito mais fácil você encontrar tudo o que precisa em um mercado”, afirma. Além disso, o preço costuma ser mais elevado do que os produtos comercializados nesses grandes estabelecimentos. Entretanto, quando há a possibilidade, em termos financeiros, de realizar essa escolha, Luiz defende que vale repensar o produto no qual você está investindo e entender que o preço mais alto está ligado a um maior valor agregado.

“Também tem um quarto desafio que eu considero um paradoxo. Os consumidores de produtos locais, normalmente, são menos consumistas. Então, é difícil criar uma lógica de consumo local. Mas, ao mesmo tempo, para fazer esse mercado crescer, é preciso vender”, diz.

Assim, por meio do Locavorista, o engenheiro busca entender melhor essas cadeias de comercialização e pensar metodologias e ferramentas que possam melhorar compras e hábitos locavoristas. “É um escritório para imaginar e desenhar ferramentas para que o locavorismo possa ser consumido na prática”, finaliza.

Fonte: Luiz Henrique Mileck, engenheiro mecânico, mestrado em design, pós-graduação em empreendedorismo social e sócio do Locavorista

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