Hipertensão emocional: os riscos da pressão alta aliada ao estresse

Bem-estar Equilíbrio Saúde
08 de Novembro, 2022
Hipertensão emocional: os riscos da pressão alta aliada ao estresse

A pressão alta afeta grande parte dos brasileiros — cerca de 38,1 milhões de pessoas com 18 anos ou mais, o equivalente a 23,9% da população dessa faixa etária, diz a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE. As causas são diversas, mas fatores emocionais como estresse, ansiedade e certos traços de personalidade são os principais desencadeadores da doença. Por isso, é chamada também de hipertensão emocional.

De acordo com o Ministério da Saúde, desde 2013, os episódios de infarto entre adultos com até 30 anos subiram 13%. O estresse repentino, que provoca o fechamento de uma artéria coronária, é tido como a causa de cerca de 15% dos casos de infarto.

“Além de hereditariedade, genética e estilo de vida, a pressão alta tem causas emocionais profundas. Pois o estresse aumenta o ritmo cardíaco, acelera a respiração, libera adrenalina, noradrenalina e cortisol, colocando o corpo em estado de alerta, o que, até certo ponto, é normal e benéfico para o organismo, que fica pronto para a ação. Uma sobrecarga desses hormônios, porém, é extremamente prejudicial para a saúde”, explica Claudia Chang, pós-doutora em endocrinologia e metabologia pela USP.

Hipertensão emocional: relação entre o estresse e a pressão alta

O estresse se desenvolve em diferentes fases. O primeiro estágio inclui o estado de alerta, e isso acontece sempre que nos deparamos com qualquer situação que nos tire de uma zona segura, como imprevistos e exposição repetitiva a ambientes e situações de tensão. É uma reação natural: o cérebro interpreta algo como perigo e nos prepara para os comportamentos de luta ou fuga.

“Na fase de alerta, o corpo aumenta a produção de adrenalina e cortisol, neurotransmissores que nos deixam mais ligados e preparados para a ação. Se o ativador do estresse desaparecer, o indivíduo retorna ao seu estado normal, sem prejuízos”, diz Claudia Chang.

No entanto, se o evento estressor persistir, seja no contexto real ou na sua mente em forma de preocupações, essas substâncias podem ter efeitos diversos no organismo. “A pessoa passa para um nível mais alto de estresse: a fase de resistência. Nesse estágio, os sintomas começam a se agravar e surge um intenso cansaço físico e mental”.

Mas caso os estímulos estressores continuem presentes, a pessoa entra em uma zona de risco: a fase de quase exaustão. “Diante de níveis elevados e persistentes de estresse, há um risco aumentado para pessoas hipertensas, que ficam mais propensas a serem acometidas por acidente vascular cerebral (AVC), infarto e outras doenças cardiovasculares”, completa Claudia Chang.

Como evitar a hipertensão emocional

Além do acompanhamento regular com um médico especialista, há formas simples de diminuir os efeitos do estresse na pressão alta. Portanto, confira abaixo:

Faça atividade física

A prática regular de exercícios físicos é essencial para a saúde. Isso porque melhora o funcionamento dos sistemas respiratório e circulatório, reduzindo uma série de problemas, inclusive a pressão alta e o sedentarismo, responsável por 54% do risco de morte por infarto

“O hábito reduz a pressão sanguínea e mantém os níveis normalizados durante e após a prática de atividades. Entretanto, antes de calçar o tênis e ir ao parque, é fundamental consultar um especialista e passar por uma avaliação, que indicará a melhor modalidade de exercício e o nível de intensidade adequado”, alerta a endocrinologista. 

Como evitar a hipertensão emocional: atenção ao peso

Jamais use a comida como válvula de escape para controlar as emoções. A manutenção do peso é fundamental para evitar problemas cardíacos. 

Evite o fumo e o álcool

Usar o cigarro e o álcool como forma de aliviar o estresse não é uma boa ideia. Pois as substâncias químicas presentes no tabaco provocam o estreitamento das artérias, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial. Além disso, o etanol presente nas bebidas alcóolicas danifica as células musculares do coração e ainda está associado ao desenvolvimento de arritmias.

Monitoramento da pressão

Pensar em alternativas para reduzir o estresse e combater a pressão alta é uma medida valiosa para a saúde. Mas, para ver os efeitos dos bons hábitos é imprescindível monitorar a pressão diariamente.

Assim, com um monitor de pressão arterial você pode verificar qualquer alteração em casa, sem precisar se deslocar até uma farmácia ou posto de saúde. Ademais, os medidores são recursos necessários para o controle diário de pessoas hipertensas, mas o acompanhamento médico regular não deve ser interrompido.

Saúde emocional

Segundo Monica Machado, psicóloga, e fundadora da Clínica Ame.C, a forma como vemos o mundo e respondemos aos conflitos têm grande influência na saúde mental. Prova disso é que quanto mais pensamos em um determinado problema, mais nosso corpo responde com sintomas de estresse.

“Uma maneira de amenizar o estresse é desenvolver formas saudáveis de lidar com as próprias emoções. Nesse sentido, a psicoterapia surge como uma aliada para o autoconhecimento, o autocontrole e a inteligência emocional”.

Leia também: Pressão alta: o que é, sintomas e causas da hipertensão

Lazer e descanso

Antes que o corpo sinalize o esgotamento por meio de problemas de saúde, é essencial reorganizar a agenda e ganhar tempo para descansar e realizar atividades prazerosas.

“Vale dizer que o cotidiano atribulado não é desculpa para não seguir as dicas citadas e cultivar um estilo de vida saudável, mantendo uma alimentação equilibrada e sem excessos, e evitando hábitos nocivos, como privação de sono e consumo constante de álcool”, finaliza Monica Machado.

Fontes

    • Claudia Chang, pós-doutora em endocrinologia e metabologia pela USP, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenadora e professora da pós-graduação em Endocrinologia do Instituto Superior de Medicina (ISMD);
    • Monica Machado, psicóloga, fundadora da Clínica Ame.C e pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein;

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