Gravidez pós-parto: quando engravidar de novo?

Gravidez e maternidade Saúde
13 de Fevereiro, 2023
Gravidez pós-parto: quando engravidar de novo?

Toda gravidez traz uma avalanche de sentimentos, inseguranças e mudanças corporais. Viver tudo isso já tendo um outro filho pode ser exaustivo e desafiador. Mas, apesar de ser uma escolha individual do casal, a medicina aponta riscos sérios na gravidez pós-parto que podem comprometer a vida do novo bebê.

Esse é o caso da cantora de pop Rihanna, que está grávida do seu segundo filho! A confirmação da gestação aconteceu na noite de ontem (12), após o show no intervalo do Super Bowl 2023.

Rihanna estava afastada dos palcos desde 2016, mas com a apresentação de 13 minutos no palco da NFL, ela marcou um grande retorno com sucessos de carreira como Bitch Better Have My Money, Only Girl e We Found Love.

Em maio de 2022, Rihanna teve o seu primeiro filho com o rapper A$AP Rocky. Porém, já no início do show no Super Bowl, os fãs da cantora começaram a especular uma possível segunda gestação devido a silhueta mais avantajada e situações em que Rihanna fez carinhos na barriga. A nova gestação vem menos de 1 ano após o nascimento do seu primeiro filho. Mas afinal, há riscos em emendar uma gestação na outra? Continue lendo e saiba mais. 

Veja também: Anticoncepcional na gravidez pode ser prejudicial à saúde? Saiba mais

Gravidez pós-parto

Geralmente, as mães optam por emendar uma gestação na outra para aproveitar a disposição e a energia para já cuidar das duas crianças, que crescerão juntas. Além disso, os benefícios de ter um irmão podem pesar bastante na escolha. Temida ou planejada, a sequência de gestações costuma gerar dúvidas. 

Uma gestação por si só já causa muitas mudanças no corpo da mulher. Mudanças essas que não param de acontecer após o parto, pelo contrário, tendem a continuar e a modificar a rotina da mãe, como é o caso da amamentação, menstruação e adaptação do bebê. Além disso, existem ainda os riscos de depressão pós-parto e quadros de ansiedade.

Ainda que o ciclo menstrual não tenha se regulado completamente e a maioria das mulheres ainda não esteja com o processo de ovulação normalizado depois do nascimento do bebê, é possível engravidar ainda no puerpério. Vale reforçar que, durante a amamentação, os riscos de engravidar também são menores, mas existem.

“O puerpério é um período em que a mulher perde os parâmetros do ciclo menstrual, pois geralmente não estará menstruando. E a volta da ovulação é muito variável, depende de inúmeros fatores. Portanto, se nesse período a mulher não iniciar algum método contraceptivo como medicação, DIU e camisinha, ela pode ter uma gravidez não planejada”, afirma a Dra. Yara Caldato, médica ginecologista.

Afinal, quanto tempo após o parto pode-se engravidar novamente? 

O médico endocrinologista Dr. Yago Fernandes, reforça “É importante esperar no mínimo 2 anos entre uma gestação e outra devido à recuperação do corpo da mulher. Além disso, deve-se considerar que a fase do puerpério é complicada para a saúde emocional. A mulher passa por muita coisa, tanto do lado hormonal, quanto do lado psicológico. Então é importante dar esse respiro para o corpo e para a mente.”

O médico aponta ainda uma tendência: “Hoje em dia, as mulheres estão demorando mais tempo para engravidar. E depois que elas têm o primeiro filho, elas querem ter outro em seguida para justamente dar um irmão ao pequeno e porque querem aproveitar a fase.”

Riscos da gravidez pós-parto

O maior risco de emendar períodos gestacionais é que segunda gravidez possa ocorrer um parto prematuro ou que a criança tenha restrição de crescimento, de acordo com a Dra. Yara. Isso pode acontecer porque o corpo da mulher passa por muitas transformações, necessitando de um tempo para recuperação. Portanto, com uma gestação muito próxima, pode ocorrer carência de determinadas vitaminas.

Outro fator preocupante é engravidar novamente após 6 meses do último parto, já que o quadro aumenta as chances de sangramento, ruptura da placenta recém-formada, inflamação do endométrio, anemia na mãe e até mesmo aborto espontâneo. 

Além disso, o Dr. Yago aponta que a mãe também pode ter diástase abdominal, que consiste em um alargamento da musculatura do abdômen, que não se fecha completamente. Com isso, a mulher parece sempre ter uma barriga avantajada. O médico explica que isso acontece por conta do estiramento do músculo. 

Com relação ao risco de aborto,  o médico explica que isso acontece porque durante a amamentação, a mulher libera ocitocina, que provoca contrações uterinas. Por isso, se mulher estiver grávida do segundo filho, é indicado parar de amamentar o primeiro.

Outro ponto que pode representar um perigo para a mãe é a síndrome do nervo ciático, pois ao carregar o filho, a mulher pode “travar” a coluna por conta da inflamação e, assim, não conseguir fazer coisas básicas por conta da mudança no ponto gravitacional. 

Considerando os riscos, o médico reforça a recomendação de esperar 2 anos entre as gestações para que as mães possam viver as duas experiências completas.

Segunda gravidez em curso

Para o caso de gestações que já estão em curso, o médico aconselha que as mães invistam em suplementação, como metilfolato, ômega-3 e vitamina D. Assim, isso deve acontecer principalmente nos primeiros meses, já que é nesse momento que se forma o tubo neural da criança. Se possível, a mãe deve manter a prática de atividade física sem impacto, cuidar da alimentação, se hidratar bem e ter uma rede de apoio.

Por fim, as consultas pré-natal devem acontecer periodicamente para acompanhar o desenvolvimento do bebê.

 

Fonte: Dr. Yago Fernandes, médico atuante em endocrinologia da equipe Nutrindo Ideais.

Dra. Yara Caldato, médica ginecologista regenerativa funcional e estética.

Sobre o autor

Tayna Farias
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em gravidez e maternidade

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