Doença do pombo: SP registra casos suspeitos
A criptococose, conhecida como doença do pombo, é causada por um fungo presente nas fezes de pombos. A condição tem preocupado autoridades médicas após casos suspeitos surgirem em São Paulo. Tratam-se de dois jovens internos da Fundação Casa, em Santo André, na Grande São Paulo. De acordo com a fundação, não há infestação de pombos no local. Por isso, os próximos passos são aguardar os resultados dos exames.
A Secretaria de Saúde paulista, por meio do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Santo André, disse que “ambos os casos ainda estão em investigação, aguardando a conclusão dos laudos”. Entenda melhor a doença.
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O que é a doença do pombo?
A doença do pombo é causada por fungos do gênero Cryptococcus, transmitidos por meio das fezes de pombos. Se inalados, os esporos do fungo podem ficar alojados nos pulmões e, depois, evoluir até a meninge (tecido entre o cérebro e o crânio). A doença pode levar ao quadro de meningite criptocócica ou meningoencefalite (inflamação do tecido encefálico).
Geralmente, em indivíduos saudáveis, a criptococose não costuma evoluir para um quadro grave e causar morte. Porém, o risco é maior para indivíduos imunossuprimidos, como idosos, portadores de tuberculose ou com HIV. Por outro lado, a presença em grandes quantidades de fezes contaminadas com o fungo, se inaladas, podem levar ao quadro grave da doença, isto é, a meningite criptocócica.
Sintomas da doença do pombo
A princípio, os dois jovens com suspeita da doença do pombo foram encaminhados para o Centro Hospitalar Municipal de Santo André em março com sintomas semelhantes à meningite. O primeiro, de 18 anos, deu entrada com complicações no quadro pulmonar. Logo após 18 dias de internação, o jovem acabou tendo a morte cerebral confirmada. No atestado de óbito, o exame de necrópsia constatou morte por meningoencefalite grave, que pode ser causada por criptococose.
O segundo, de 17 anos, foi levado ao hospital no dia 25 de março e recebeu alta na última quinta (21), de acordo com a Fundação Casa. O hospital colheu amostra de líquor para realização do exame diagnóstico de criptococose e aguarda resultado do exame.
Cenário da doença no Brasil
De acordo com registros do Sistema de Internações Hospitalares do Ministério da Saúde, de 2017 a 2020 foram registradas 1.105 internações por criptococose no Brasil, com 185 óbitos no mesmo período. A doença não é de notificação obrigatória.
Recentemente, a pasta incorporou ao SUS (Serviço Único de Saúde) o medicamento flucitosina, recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para tratamento da doença.
Transmissão da doença do pombo
A meningite causada por fungos não é transmissível de pessoa para pessoa. Assim, para evitar a doença, é fundamental manter a higiene de recintos, limpeza de locais onde há aves ou uso de equipamentos individuais de proteção (EPIs), bem como o controle dos animais urbanos.