Doença de Wilson: O que é e como a alimentação pode ajudar

22 de abril, 2021

O acúmulo de cobre nos tecidos do corpo é a característica principal da doença de Wilson, uma condição genética rara e degenerativa. Em resumo, ela pode provocar a sobrecarga dos órgãos devido à incapacidade do corpo em metabolizar o mineral presente nos alimentos, podendo ser fatal.

Por isso, a alimentação pode ser usada a favor dos pacientes dessa doença, uma vez que, para o paciente da doença, é necessário evitar alimentos ricos em cobre ao longo de toda a sua vida, pois não há cura para essa condição.

Como é feito o diagnóstico da doença de Wilson?

Em geral, essa é uma doença cujo diagnóstico é feito ainda na infância por volta dos 5 ou 6 anos de idade – fase em que os primeiros sinais de intoxicação com cobre começam a ser notáveis. Basicamente, ocorre a realização de exames, como o exame de urina e o exame de sangue, a fim de observar a dosagem de cobre neles presente. Ainda, é possível que seja necessário realizar a biópsia do fígado e o exame dos olhos, pois eles podem apresentar pequenos anéis de cor vermelha ou marrom.

É importante que o diagnóstico seja feito rapidamente, uma vez que a deposição do mineral sobre os órgãos, inclusive sobre o cérebro, pode causar sintomas graves e dificilmente reversíveis.

Porém, de acordo com um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), por essa ser uma doença rara, ou seja, pouco frequente entre a população, a eficiência em fazer seu diagnóstico e tratamento ainda é limitada. Ainda, a pesquisa em questão acompanhou pacientes brasileiros da doença de Wilson ao longo de 40 anos (1971 – 2010) e concluiu que 74.5% deles possuíam ascendência europeia.

Principais sintomas da doença de Wilson

Em resumo, os principais sintomas e efeitos colaterais da doença de Wilson são, por exemplo:

  • Demência 
  • Psicose – delírios e confusão mental
  • Dificuldade ao andar
  • Lentidão dos movimentos
  • Mudanças na personalidade
  • Grande prejuízo à saúde do fígado (hepatite culminando em cirrose)
  • Perda da capacidade de falar
  • Hemorragias 
  • Sangue no vômito
  • Dor de barriga 
  • Fraqueza

Segundo o estudo da Faculdade de Medicina da USP, os sintomas relacionados à saúde do fígado são predominantes, ou seja, os mais comuns: cerca de 38.9% dos pacientes apresentam-os.

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Existe tratamento para a doença de Wilson?

Se o diagnóstico for feito no começo da vida, é possível tratar a doença e proporcionar qualidade de vida ao paciente, apesar de não haver cura para essa condição. Sendo assim, o tratamento tem o objetivo de reduzir a quantidade de cobre presente no corpo, a fim de evitar seu acúmulo nos órgãos. Ou seja, o tratamento se dá ao evitar ao máximo o consumo de alimentos ricos no mineral.

Ainda, pode ser necessário também o uso de medicamentos. De qualquer forma, é imprescindível buscar ajuda e aconselhamento médico.

Alimentos que pacientes da doença de Wilson devem evitar

Chocolate

O chocolate, em especial o amargo e o meio amargo, é um dos alimentos que devem ser evitados pelos pacientes da doença, pois eles são uma grande fonte do “mineral proibido”.

Frutos do mar

Os frutos do mar também fazem parte dessa lista, principalmente as ostras.

Carne vermelha

Não só, o consumo de carne vermelha também é pouco recomendável.

Gérmen de trigo

Ainda, o gérmen de trigo, a parte mais rica em nutrientes e macia do trigo, é outra rica fonte de cobre. Por isso, é preferível evitar seu consumo. Não só, trata-se de um alimento rico em outros minerais, como o ferro e o cálcio.

Oleaginosas

As oleaginosas têm fama de serem boas fontes de gorduras boas – o que é verdade, porém, elas também são ricas em cobre. Portanto, não são uma boa indicação para pacientes da doença de Wilson.

Spirulina

Ainda, a suplementação de spirulina não é ideal para quem sofre dessa condição, uma vez que ela é rica em cobre.

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Cogumelo shitake

Por fim, apesar de saboroso, o cogumelo shitake não deve fazer parte da dieta de pacientes da doença de Wilson, devido à abundância de cobre em sua composição.

Sobre o autor

Nathália Lopes
Nathália Lopes
Estagiária de Jornalismo