Doença de Parkinson e intestino: estudos descobrem relação

17 de março, 2022

Duas novas pesquisas brasileiras mostram que existe uma possível relação entre doença de Parkinson e intestino. O mau funcionamento do órgão, seja pelo desequilíbrio de sua microbiota ou outra causa, é capaz de desencadear diversas doenças, inclusive as de origem neurológica, ainda mais quando seguimos um estilo de vida com hábitos pouco saudáveis, como sedentarismo, estresse e má alimentação.

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Qual a conexão entre doença de Parkinson e intestino?

Segundo Matheus de Castro Fonseca, coordenador das pesquisas, a doença de Parkinson pode iniciar no sistema nervoso entérico, ligado ao intestino, antes de avançar para o cérebro. Em síntese, o problema ocorre devido à disbiose, desequilíbrio entre bactérias naturalmente presentes no intestino – que pode favorecer o surgimento da doença de Parkinson. Além disso, outros trabalhos recentes relataram a existência de disbiose intestinal em portadores de Parkinson esporádico (quando não há um fator genético envolvido), e grande concentração da bactéria Akkermansia muciniphila nas fezes desses pacientes.

A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP por pesquisadores do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), que integra o complexo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Parte dos resultados foi publicada em fevereiro, no periódico iScience. O segundo artigo foi divulgado este mês na revista Scientific Reports.

De acordo com Fonseca, as células específicas do epitélio intestinal (enteroendócrinas), contêm muitas propriedades semelhantes às dos neurônios. “Essas células possuem a expressão da proteína α-sinucleína [αSyn], relacionada à doença de Parkinson e a outras neurodegenerativas. Essa proteína está em contato com o interior dos intestinos e realiza sinapses com os neurônios entéricos. Em outras palavras, as células enteroendócrinas formam um circuito neural entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso entérico. Isso possibilita o surgimento da doença de Parkinson no intestino”, explica.

Constipação intestinal pode ser o primeiro sintoma da doença de Parkinson

É possível que pessoas com predisposição à doença de Parkinson esporádica geralmente apresentam, muitos anos antes, quadros recorrentes de constipação intestinal. A condição degenerativa atinge pessoas com mais de 65 anos, e os sinais são difíceis de serem detectados no início da enfermidade, pois demoram para progredir. Portanto, observar o sintoma corriqueiro da prisão de ventre pode ajudar o diagnóstico precoce. Inclusive, diversas descobertas apontam que a constipação intestinal e o desequilíbrio da microbiota desencadeiam outros problemas, como doença de Alzheimer e autismo.

Afinal, como o intestino afeta nossa saúde?

O intestino possui seu próprio sistema nervoso e uma microbiota complexa. Dessa forma, o órgão controla muitas funções importantes do nosso corpo, atuando como uma espécie de “segundo cérebro”. Veja de que forma ele influencia o equilíbrio e a saúde plena do nosso corpo.

Como prevenir o desenvolvimento de doenças de origem neurológica?

Infelizmente, não existe cura para doenças neurodegenerativas. Por outro lado, a prevenção pode ser fundamental para reduzir o risco. Por exemplo, mudanças no estilo de vida, a começar pela alimentação voltada para o equilíbrio da microbiota intestinal, exercícios físicos e suplementação de microbiota são recursos que os especialistas recomendam para evitar diversos problemas de saúde. Os dois estudos publicados são de acesso aberto e podem ser consultados on-line.

Fonte: Agência FAPESP.

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