Doença da urina preta: Norte e Nordeste registram novos casos

Saúde
28 de Junho, 2022
Doença da urina preta: Norte e Nordeste registram novos casos

Estados do Pará, Amazonas e Ceará registraram novos casos confirmados e suspeitos de doença da urina preta. No AM, por exemplo, o município de Itacoatiara, a 268 km de Manaus, três pacientes estão em observação, e dois já receberam alta. O estado de saúde de todos é estável. As pessoas apresentaram relatos distintos sobre a origem do pescado, sendo casos isolados e sem vínculo epidemiológico”, afirma a diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim.

No estado do PA, a cidade de Óbidos reportou um óbito devido à doença. Além disso, duas pessoas da mesma família da vítima fatal estão infectadas, mas sem complicações de saúde. Por fim, a cidade de Fortaleza, no CE, identificou dois homens contaminados após consumirem peixe de barraca. Apesar de ser uma enfermidade típica de cidades onde o consumo de peixes é maior, essas novas ocorrências precisam de atenção. A seguir, saiba tudo sobre a doença da urina preta e os cuidados preventivos.

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O que é a doença da urina preta?

Apesar de ser relatada desde 1924 em comunidades da região do Mar Báltico, a doença de Haff, também conhecida como “doença da urina preta”, até hoje intriga os pesquisadores sobre qual seria o agente causador. A associação mais citada — mas ainda em estudos — é a contaminação via a ingestão de pescados e mariscos.

“Até a presente data não existe consenso”, explica Marcos Mota, pesquisador em Saúde Pública da seção de Meio Ambiente do Instituto Evandro Chagas. “Vários estudos laboratoriais relacionados com vírus, bactérias e parasitas não confirmam o quadro da doença de Haff. Existe uma linha de pesquisa sendo desenvolvida no sentido de atribuir a uma toxina como agente principal de contaminação”, detalha. Assim, os sintomas característicos se assemelham a outra condição: rabdomiólise, ou a lesão das células musculares esqueléticas. Nos dois casos, os pacientes podem apresentar rigidez súbita e dores musculares, além da urina escura.

Porém, não há relatos de rabdomiólise ligados à ingestão de peixes — o que suscita ainda mais dúvidas sobre a doença de Haff. Não há também tratamento específico, sendo a hidratação venosa a medida mais aplicada para evitar o comprometimento da função renal.

A Doença de Haff é associada à ingestão de peixes e mariscos. Mas já se imagina quais podem ser as reais causas?

A doença de Haff é considerada inusitada e com necessidade de notificação. Sendo assim, é descrita desde 1924 em comunidades da região do Mar Báltico. Desde então, a condição é associação à ingestão de pescado e de mariscos pelos pacientes. Atualmente, várias iniciativas de estudos estão sendo conduzidas para o esclarecimento do agente causador.

Até hoje não existe consenso. Pois vários estudos laboratoriais relacionados com vírus, bactérias e parasitas não confirmam o quadro da doença de Haff. Contudo, existe uma linha de pesquisa sendo desenvolvida no sentido de atribuir a uma toxina como agente principal de contaminação.

Existem fatores de risco para desenvolver a doença da urina preta?

Há necessidade de estudos epidemiológicos para estabelecer esses fatores de risco. A doença parece obedecer a períodos ou sazonalidade e alguns territórios onde existem populações em íntimo contato com rios e mares, como comunidades de pescadores e ribeirinhos. A doença de Haff parece agravar em pacientes portadores de comorbidades relacionadas com os rins – fato que pode levar ao óbito. Assim, a evolução do paciente vai depender de suas comorbidades e diagnóstico, além da implementação de hidratação venosa precocemente. Atualmente, no estado do Pará, estamos com 25 casos suspeitos e somente um óbito.

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Quais são os sintomas mais comuns registrados? Eles mudam conforme o perfil do paciente?

Os principais sintomas estão relacionados com o sistema muscular esquelético, através da ocorrência de mialgia [dor muscular] generalizada, que se caracteriza por dores de leve a elevada intensidade, acompanhada de fraqueza muscular. As dores, em alguns pacientes, se localizam na região posterior do pescoço. Em outros, nos membros superiores e inferiores. Tenho paciente que evoluiu somente com a ocorrência de câimbras no abdome e região do tórax.

Por outro lado, a febre não está presente e, aparentemente, não há sinais de toxemia [intoxicação pelo acúmulo de toxinas no sangue] ou infecções. Alguns pacientes relatam náuseas, vômitos, cefaleia [dor de cabeça] e mal-estar geral. Outros citam falta de ar, provavelmente pelo comprometimento dos músculos auxiliares da respiração. Todo esse quadro clínico bastante agudo, com evolução aproximadamente de seis a 12 horas, ocorre após a ingestão de pescado e a ocorrência de urina de cor escura. Ele lembra um quadro já bem descrito na medicina, que é o da rabdomiólise, cuja causa é conhecida pela exaustão muscular, restrição de movimentos, uso de alguns medicamentos e até comorbidades crônicas. Porém, nunca relatado com a ingestão de peixes.

Apesar do agente causador desconhecido, quais tratamentos estão sendo usados?

Até a presente data não existe tratamento específico. Sendo assim, é feito somente hidratação venosa precoce, desde quando houver a suspeita de doença de Haff, e acompanhamento dos sinais vitais do paciente. Além disso, não existe indicação de uso de antibióticos nem de anti-inflamatórios.

A doença da urina preta deixa sequelas?

Há necessidade de hidratação venosa precoce para evitar o comprometimento da função renal, o que pode ocorrer pela insuficiência renal aguda.

(Fonte: Agência Einstein)

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