Quais são as doenças que podem diminuir o desejo sexual

9 de dezembro, 2021

Você sabia que a sexualidade é considerada essencial para a qualidade de vida de todas as pessoas? Essa definição foi constatada inclusive pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e engloba pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relações. No entanto, há diversas doenças que podem diminuir o desejo sexual e prejudicar esse aspecto tão importante. 

Isso porque a libido é multifatorial, ou seja, sofre influência de questões emocionais e físicas. “Doenças sistêmicas, como diabetes, colesterol e pressão alta, quando não compensadas e devidamente tratadas, podem atrapalhar a libido por diversos mecanismos fisiológicos”, afirma a endocrinologista Lorena Lima Amato, professora na Universidade Nove de Julho.

Segundo a ginecologista Nelly Kobayashi, obstetra e sexóloga da clínica VidaBemVinda, o fato é que determinadas doenças inibem a atuação da testosterona, um dos principais hormônios envolvidos na regulação do apetite sexual. “Outras podem afetar a circulação sanguínea, causar lesão nos nervos, atrapalhando o fluxo sanguíneo para a região genital ou reduzindo o prazer durante a relação, que podem acabar diminuindo o desejo.” 

Fatores que diminuem o desejo sexual

Depressão, estresse, privação do sono e experiências negativas relacionadas ao sexo são outros elementos que intereferem significativamente na libido. Além disso, o uso de certos medicamentos, como antidepressivos, anti-hipertensivos, hipolipemiantes e antialérgicos.

Assim, as alterações hormonais costumam representar um grande impacto no desejo sexual, especialmente no caso das mulheres. Dessa forma, as mais comuns são as disfunções da tireoide, das gônadas e os problemas que aumentam o hormônio prolactina. 

“A prevalência dos transtornos sexuais entre as mulheres é alta e, muito provavelmente, superior às disfunções sexuais masculinas. Em geral, 30% a 40% das mulheres terão, em algum momento, queixa de diminuição do desejo sexual. Na pós-menopausa, essa prevalência pode chegar até 80%”, informa Lorena.

Quando buscar ajuda

Nelly diz que é importante procurar ajuda médica quando o baixo desejo sexual causa insatisfação ou problemas no relacionamento. “Algumas pessoas com baixo desejo não se sentem incomodadas, portanto, não é necessário tratar.”

Sendo assim, os profissionais mais indicados para avaliar o problema são o ginecologista e o endocrinologista, que podem conduzir uma investigação hormonal e demais causas que podem interferir na libido. Ademais, psicólogo, fisioterapeuta, urologista e psiquiatra, de preferência com especialização em sexologia, também podem contribuir nesses casos. 

“A diminuição da libido pode ser o primeiro sinal para o diagnóstico de outras doenças. Terapia estará indicada quando percebido que causas psíquicas também estão envolvidas. Dar atenção a esse tema e falar sobre isso é de extrema importância posto que a maioria das mulheres que vivenciam uma experiência sexual não prazerosa e diminuição da libido não se queixam aos seus médicos e passam anos sem viver plenamente sua sexualidade”, reforça Lorena.

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Dicas para melhorar a libido

A ginecologista Nelly afirma que é possível aumentar o desejo sexual. “Em primeiro lugar, quando há doença associada, deve-se tratá-la. É possível que apenas tratando o agente causador já melhore essa questão”, enfatiza a médica. “Segundo, caso suspeite que alguma medicação esteja afetando o desejo, comunique o seu médico.” 

Por fim, a dica é investir na melhora de fatores como autoestima, autoconfiança e amor próprio: “Cuide da saúde, tente praticar atividade física, se alimentar bem, dormir bem, reduzir estresse. Tente pensar mais ativamente em sexo e estimule a fantasia. Leia mais sobre o assunto, pois, através do conhecimento, é possível quebrar preconceitos que são prejudiciais. Também é importante mais momentos a dois que não necessariamente incluam sexo. E trabalhe o bom diálogo com o parceiro. Além disso, compartilhe com ele o que gostaria de fazer!”, afirma.

Fonte: Lorena Lima Amato, endocrinologista e professora na Universidade Nove de Julho; Nelly Kobayashi, ginecologista, obstetra e sexóloga da clínica VidaBemVinda.

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