Cultivar um estilo de vida saudável é nova tendência entre jovens?

Bem-estar
26 de Julho, 2023
Cultivar um estilo de vida saudável é nova tendência entre jovens?

Foi-se o tempo em que beber vários drinks e virar a noite em festas era o programa favorito dos jovens. Agora, a moda – para alguns – é dormir cedo para acordar bem, treinar no dia seguinte e cultivar um estilo de vida saudável. Ao menos é isso que as redes sociais e estudos recentes sobre a relação de adolescentes e jovens adultos com o álcool indicam.

A geração Z (nascida de 1995 até 2010) é a mais sóbria de todos os tempos. Pela primeira vez, o consumo regular de álcool das pessoas de 45 a 54 anos e de 55 a 64 superou o dos jovens.

Maria Eduarda Perri, 19, faz parte dessa onda. Ela, que prioriza uma alimentação saudável e pratica exercícios físicos de forma regular, optou por deixar a bebida de lado – mas isso não a impede de sair e socializar. “Hoje levo minha vida com equilíbrio, sabendo a hora certa de dizer sim e de dizer não”, comenta.

Pelo seu ‘eu do futuro’

Aos olhos dos especialistas, esse movimento é muito positivo. Afinal, quanto antes começarem os cuidados com a saúde, menos chances de complicações futuras. 

“A melhor forma de garantir a saúde geral é por meio da prevenção. Então, ter hábitos saudáveis desde cedo auxilia na prevenção de problemas cardiovasculares, câncer, Diabetes, obesidade e até depressão”, pontua Carolina Pimentel, nutricionista, especialista em Medicina do Estilo de Vida e diretora de saúde da Vitat.

Além disso, o próprio álcool prejudica o funcionamento de vários órgãos – sobretudo o fígado – além de causar inflamações e influenciar no desenvolvimento de gastrite, hepatite e outros problemas. 

Sem falar nas perdas de reflexo, memória, problemas de atenção e aumento da frequência cardíaca que a bebida causa. Tudo isso acaba por diminuir o nível de consciência e aumentar as chances de comportamentos imprudentes.

Para Rosiane Valentim, psicóloga e supervisora clínica com foco na adolescência, a diminuição do consumo de álcool é excelente para os jovens. “Vejo eles muito mais preocupados com a saúde mental e um estilo de vida saudável. Eles entendem que a bebida é, muitas vezes, um lugar de fuga. Então, passam a querer ir a lugares onde eles se lembrem do que viveram e estejam conscientes para estabelecer conexões genuínas”, diz.

Cultivar a vida saudável pelo presente

Os benefícios de priorizar uma rotina equilibrada vão ser colhidos lá na frente – mas não somente. Cultivar um estilo de vida saudável ajuda (e muito) no aqui e agora.

“Um jovem que se alimenta corretamente, é ativo e tem uma boa qualidade de sono tende a estar mais disposto para realizar as tarefas diárias, como estudar ou trabalhar”, diz Carolina.

Mas parece que a tendência não chegou para todos. Apesar de uma parcela da geração Z se mostrar muito adepta à vida fitness, a maioria dos jovens brasileiros ainda está longe de ser exemplo nos cuidados com a saúde.

O relatório da Covitel deste ano revelou que 40,3% dos jovens entre 18 e 24 anos estão com excesso de peso e também são os que menos consomem frutas, verduras e legumes e os que mais consomem refrigerantes e sucos artificiais.

E quando a alimentação não vai bem, o físico se prejudica, a ansiedade pode aumentar, o sono piorar e, assim, perpetua-se um ciclo de maus hábitos que debilita diversas áreas da vida.

“Mental e físico estão interligados. É preciso ter um bom cuidado com a parte física para ser saudável mentalmente e vice-versa”, declara a psicóloga.

Quando deixa de ser saudável

Mas e quando a própria preocupação com a saúde extrapola o nível do saudável, a rotina se torna inflexível e os hábitos passam a ser aprisionadores?  

A socialização, os momentos de descanso, as refeições não tão nutritivas, mas extremamente afetivas, e os imprevistos fazem parte da vida. Saber encontrar o equilíbrio para priorizar os bons hábitos, mas entender quando é hora de se permitir é essencial.

Para as mulheres, essa tarefa pode ser ainda mais difícil – por serem as mais afetadas pela pressão estética e a cultura da magreza, que as reprime e reforça a ideia de inadequação e insatisfação corporal.

“São tantos jovens com transtornos alimentares por conta dessa busca pelo corpo perfeito. Ter um estilo de vida fitness não é somente sobre um corpo”, reforça Rosiane.

Socializar menos, por exemplo, para manter-se fiel aos hábitos pode não ser uma boa ideia. “As relações são o que dão sentido à nossa vivência. Nós não somos autossuficientes, somos seres de relação. Não dependemos das outras pessoas, mas precisamos delas”, defende a psicóloga.

Leia também: Cultura da magreza: as lutas de quem convive com um transtorno alimentar 

O segredo é saber dosar

Antes de encontrar o equilíbrio, Duda viveu esse desconforto interno. “Eu me sabotava muito para tentar manter o equilíbrio entre comida e estética/saúde. Minha visão estava muito relacionada com a restrição de alimentos, o que gerava muito desgaste físico e mental”, lembra.

Segundo Carolina, é preciso ter cuidado, principalmente com o que se consome nas redes sociais. “Comparar-se com uma blogueira ou atleta de alto rendimento pode frustrar e te levar a tomar decisões radicais. Procure ter senso crítico e respeite os seus limites”, aconselha.

Procurar informação foi a forma que Duda encontrou de não se autossabotar ou cometer excessos. “Comecei a estudar um pouco mais sobre nutrição. Me apaixonei pela área comportamental e entendi que nossa alimentação vai além da nutrição, ela também é fonte de prazer”, relata.

Equilíbrio, equilíbrio, equilíbrio – para cultivar vida saudável

Mantra da vida saudável, o equilíbrio pode parecer um pouco subjetivo, mas, com o tempo e a prática, é possível encontrá-lo.

“O importante é que o olhar para a saúde e o autocuidado seja constante e rotineiro, realizado com tranquilidade, de maneira fácil e principalmente, com prazer”, diz a nutricionista.

Para a psicóloga, todas as áreas têm de receber atenção e cuidado. Fazer uma autoavaliação e entender quais pontos têm sido negligenciados é importante, além de se enxergar, se ouvir e cuidar da relação consigo e com os outros. 

“Acredito que o equilíbrio seja a melhor maneira de alcançar os objetivos. Vivo um cenário em que mantenho os hábitos prazerosos presentes, mas 80% do tempo busco um retorno positivo, realizando atividades físicas, priorizando uma boa noite de sono e variedades nutricionais na dieta”, conta Duda.

Foi só depois de alcançar esse estilo de vida balanceado, que ela conseguiu se aproximar do seu ‘corpo perfeito’. “E que vai muito além do físico”, revela.

Fontes: Carolina Pimentel, nutricionista, especialista em Medicina do Estilo de Vida e Diretora de Saúde da Vitat; Rosiane Valentim, psicóloga e supervisora clínica com foco na adolescência CRP-08/35024; Maria Eduarda Perri, estudante

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