Cuidados com o pé diabético

Saúde
09 de Novembro, 2022
Cuidados com o pé diabético

Uma das complicações mais comuns em pessoas com diabetes é o surgimento de úlceras nos pés, uma condição que pode levar à amputação de um membro ou parte dele. Dessa forma, estima-se que 25% deles desenvolverão pelo menos uma úlcera do pé durante a vida. Mas afinal, quais são os cuidados com o pé diabético?

“A diabetes afeta a circulação e a inervação – há uma perda da sensibilidade protetora da região do tornozelo e pé. O pé diabético é uma das complicações mais comuns de quem tem a doença. É, ainda, a principal causa de amputações no Brasil, depois dos acidentes”, ressalta o presidente da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé), Dr. Luiz Carlos Ribeiro Lara.

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Cuidados com o pé diabético

O Dr. Lara ressalta que pacientes com diabetes devem atentar-se a algumas recomendações. “Não deve andar descalço, especialmente fora de casa. Recomenda-se, ainda, o uso de calçados especiais para pessoas com diabetes. Ou seja, eles devem ser fechados, sem costura interna, com a parte da frente larga e alta e que tenham palmilhas confortáveis. Além disso, é recomendado sempre usar meias, de preferência brancas, que facilitam a identificação mais rápida se tiver algum machucado no pé; de algodão, que irritam menos a pele, com costura pouco volumosa e sem elástico, para não comprometer a circulação”, fala.

Além disso, o especialista dá outras dicas de cuidados com o pé diabético. De acordo com Lara, deve-se examinar os pés pelo menos uma vez ao dia, tanto à procura de calos e úlceras, quanto para verificar micoses e rachaduras. “Também procure manter os pés hidratados para evitar rachaduras cutâneas e infecções secundárias e não tente retirar calos, limpar úlceras ou cortar as unhas sozinho”, conclui.

Tipos de lesões

Existem vários tipos de lesões que acometem o pé diabético, causados pela perda da sensibilidade e a diminuição da circulação sanguínea. Algumas são:

  • Neuropatia diabética: Perda da função dos nervos do pé, principalmente da sensibilidade dolorosa e tátil, dificultando a percepção do paciente em notar lesões ou contusões. Sem a sensibilidade, as possíveis lesões podem evoluir rapidamente e formar bolhas e feridas abertas (úlceras). Assim, possibilita a entrada de microorganismos e causar uma infecção no pé.
  • Úlceras diabéticas: Feridas abertas ocasionadas por aumento da pressão local ou por ferimento (corte) na pele. Normalmente, mas não obrigatoriamente, estão relacionadas com a perda da sensibilidade dolorosa do pé. Em casos graves, é necessária a cirurgia para limpeza e desbridamento das lesões mais profundas ou até mesmo a amputação de dedos ou parte do pé para sanar a infecção.
  • Infecção: O paciente diabético com infecção grave apresenta mal-estar geral, febre e aumento dos níveis de açúcar no sangue. Normalmente, nota-se abcesso, secreção purulenta, mau cheiro, área inchada e avermelhada, às vezes com áreas de necrose de tecidos. Esta situação é grave, porque pode ser necessária a amputação para resolução do problema.
  • Artropatia de Charcot: São lesões ósseas. Dessa forma, o paciente com diabetes também perde a sensibilidade para fraturas, deslocamentos ou microtraumas ocorridos nos ossos do pé e tornozelo, o que exige um tratamento diferenciado. Dependendo da gravidade, o tratamento pode ser imobilização por gesso, órtese ou até mesmo cirurgia reconstrutiva.

Dados sobre diabetes no Brasil são preocupantes

A última edição do IDF Diabetes Atlas, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), divulgada no fim de 2021 mostrou um dado alarmante. De acordo com a publicação, 15,7 milhões de brasileiros conviviam com diabetes, ou seja, um crescimento de 3,3 milhões em 10 anos, quando o país tinha 12,4 milhões. Na ocasião, a IDF também projetou que, até 2030, o Brasil deve ter 19,2 milhões de pessoas com diabetes, número que sobe para 23,2 milhões em 2045.

No mês marcado pelo Dia Mundial do Combate ao Diabetes (14 de novembro), dados do Ministério da Saúde reforçam a importância da prevenção das complicações desta doença. De janeiro a agosto deste ano, foram registradas 6.662 amputações de membros inferiores, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em decorrência de diabetes – uma média de 54 casos por dia. No mesmo período de 2021, o número foi um pouco menor – 6.226.

Fonte: Dr. Luiz Carlos Ribeiro Lara, presidente da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé).

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