Crianças ativas e com limitação de uso de telas têm melhor desempenho em tarefas que envolvem memória e atenção

Saúde
10 de Janeiro, 2023
Crianças ativas e com limitação de uso de telas têm melhor desempenho em tarefas que envolvem memória e atenção

Crianças pequenas que passam no máximo uma hora por dia em frente às telas e são fisicamente ativas têm melhor desempenho em funções como memória, atenção e controle das emoções. É o que mostra um artigo publicado no The Journal of Pediatrics, que acompanhou 356 meninos e meninas de 2 anos de idade.

Estudos anteriores já apontavam o impacto negativo do uso excessivo de eletrônicos e da falta de atividades físicas e ao ar livre para a faixa etária. A nova pesquisa avaliou a influência desses fatores no início do desenvolvimento infantil. Além disso, investigou como esses fatores afetam os mais novos em relação à diversas habilidades. Por exemplo, lembrar, planejar, prestar atenção, regular pensamentos e o comportamento, isto é, as funções executivas.

O cérebro dos pequenos

Até os 5 anos, o cérebro se desenvolve rapidamente, com grande proliferação dos neurônios e conexões entre eles. Dessa forma, cria-se a base para o funcionamento cerebral durante a vida. Logo após essa idade, cai a velocidade com que as conexões são feitas.

“Uma criança que não desenvolve bem as habilidades de comunicação, interação social e funções executivas durante a infância, certamente terá prejuízos em seu funcionamento nas fases posteriores da vida”, explica a pediatra Mariana Granato, do Hospital Israelita Albert Einstein e integrante do Departamento de Pediatria do Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Prejuízos das telas

Mesmo que seja difícil erradicar os dispositivos eletrônicos da rotina, o uso deve ser minimizado. Bebês com menos de dois anos, inclusive, não deveriam ter acesso a eles. De dois a cinco anos, o tempo máximo de telas deve ser de uma hora por dia, de acordo com a Academia Americana de Pediatria.

Isso porque os jogos de videogame, por exemplo, estimulam aspectos de recompensa rápida ativando centros cerebrais relacionados à impulsividade e à dificuldade do controle inibitório.

“Eles podem ser fonte de situações de frustração e irritabilidade, além de deixar as crianças mais agitadas”, diz a pediatra. Por outro lado, desenhos animados, mesmo aqueles com conteúdo considerado “educativo”, não são muito úteis para desenvolver habilidades cognitivas e de linguagem.

“Estudos mostram que o mesmo conteúdo transmitido por meio de uma tela tem um efeito pior em termos de aprendizado do que se for transmitido presencialmente” , explica Granato.

Quanto mais “viciada” a criança, maior o prejuízo a longo prazo. Isso aumenta a chance de problemas de atenção e hiperatividade, obesidade, sono, baixo rendimento escolar e dificuldade de interação social.

Crianças ativas: incentive!

A boa notícia é que nunca é tarde para mudar os hábitos: “além das atividades físicas que favorecem aspectos motores, de interação social e melhoram o bem-estar, esse estímulo pode ser feito através de atividades e brincadeiras que estimulam atenção e concentração, como jogos de tabuleiro, quebra-cabeças e jogo de memória”, orienta a pediatra. “Atividades de relaxamento e meditação para crianças também são bastante interessantes”, completa.

Fonte: Agência Einstein.

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