Conheça o nutriente que pode prevenir o Alzheimer

7 de outubro, 2019

O Alzheimer é um dos maiores desafios à saúde do nosso tempo. A doença é classificada como neurodegenerativa progressiva, que se manifesta apresentando deterioração cognitiva e da memória de curto prazo, além de uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais que se agravam ao longo do tempo.

Nos últimos anos, no entanto, pesquisas constataram que a dieta desempenha um papel enorme na prevenção e progressão dessa condição. Nesse sentido, um novo estudo sugere um nutriente em particular, a colina, uma das vitaminas do complexo B, como crucial na prevenção das alterações neurológicas que ocorrem com essa doença. Saiba mais sobre o alimento.

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Pesquisa com ratos indica benefícios do nutriente 

O estudo publicado na revista especializada norte-americana Aging Cell focou em camundongos que foram criados para desenvolver sintomas semelhantes à doença de Alzheimer. Os resultados mostraram que, quando os ratos receberam alta colina em sua dieta, tiveram como resultado melhorias na memória em comparação aos ratos que receberam níveis médios do nutriente. Pesquisas anteriores dos mesmos autores mostraram benefícios semelhantes em camundongos com mães suplementadas com colina.

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Como a colina afeta o cérebro – e o Alzheimer

A colina é necessária para produzir acetilcolina, um importante neurotransmissor para memória, humor, controle muscular e outras funções do cérebro e do sistema nervoso. Neste estudo, em particular, a suplementação com colina levou a uma redução na ativação da microglia, que são células especializadas que trabalham para livrar o cérebro de células e detritos antigos. 

A princípio, isso pode parecer positivo – e é, até certo ponto -, mas quando esse processo fica fora de controle, pode causar inflamação e a morte de células cerebrais. Dessa forma, as micróglias hiperativas são um fator-chave em muitas doenças neurodegenerativas e estão ligadas aos sintomas comuns do Alzheimer.

Como obter mais colina na dieta

Primeiramente, a ingestão diária recomendada de colina é de 425 mg/dia para mulheres adultas e 550 mg/dia para homens adultos. Porém, ainda de acordo com o estudo, esses números podem não ser altos o suficiente para impedir as alterações neurológicas que ocorrem com o Alzheimer. 

Para obter mais colina, você pode consumir regularmente mais alimentos ricos na substância ou adicionar um complemento à sua rotina. No estudo, por exemplo, eles usaram 4,5 vezes da quantidade recomendada por dia, que ainda está bem abaixo do limite superior tolerável (além disso, a quantidade que pode começar a causar efeitos colaterais).

Alimentos ricos em colina

Açúcar aumenta risco de Alzheimer

Em um estudo comandado pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, pesquisadores descobriram que excesso de açúcar pode contribuir para o aparecimento de Alzheimer.

Uma equipe de neurologistas, neurocientistas e especialistas em metabolismo da frutose conduziu a pesquisa. A evidência não apenas aponta para a ligação entre o excesso de açúcar e declínio cognitivo, mas também ajuda a explicar a associação entre saúde metabólica e Alzheimer.

Quando há o consumo excessivo de açúcar, o cérebro entra em sobrecarga. O processo de glicólise neural usa a energia cerebral necessária, tornando os neurônios cerebrais menos funcionais ou viáveis ​​ao longo do tempo. A explicação foi feita por Richard Johnson, autor do estudo, em um comunicado à imprensa. “Em essência, propomos que Alzheimer é uma doença impulsionada por mudanças no estilo de vida alimentar em que a frutose pode interromper o metabolismo cerebral e a função neuronal”, afirma o especialista.

Dessa forma, a pesquisa sugere que o excesso de açúcar pode aumentar o metabolismo da frutose no cérebro. Em última análise, o processo retira energia de outras funções cerebrais mais necessárias. Com o tempo, isso pode levar ao desenvolvimento da doença de Alzheimer – embora mais pesquisas precisam ser feitas para confirmar a teoria. Mas, de acordo com os pesquisadores, novos tratamentos que visam inibir o metabolismo da frutose intracerebral podem fornecer uma nova maneira de prevenir e tratar esta doença.

“Ao delinear evidências consistentes, esperamos inspirar os pesquisadores a continuar explorando a relação entre a frutose no cérebro e a doença de Alzheimer”, diz Johnson. “Novos tratamentos que visam inibir o metabolismo da frutose intracerebral podem fornecer uma nova maneira de prevenir e tratar esta doença.”

Enquanto isso, cortar o açúcar pode ser uma maneira de evitar esses efeitos neurodegenerativos indesejados. 

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