Cirurgia para enxaqueca: confira os tipos e quando é indicada

Saúde
01 de Dezembro, 2022
Cirurgia para enxaqueca: confira os tipos e quando é indicada

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dor de cabeça é um dos problemas de saúde mais impactantes do mundo. Além disso, segunda a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE), cerca de 140 milhões de brasileiros convivem com o problema. Desses, 30 milhões sofrem de enxaqueca, que muitas vezes impossibilita a realização atividades simples. Mas você sabia que existe cirurgia para enxaqueca?

Hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo, o procedimento tem resultados muito positivos e semelhantes. “As publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez.

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Afinal, por que investir em uma cirurgia para enxaqueca?

De acordo com Rubez, a enxaqueca tem sido associada à compressão e irritação dos principais nervos sensitivos do rosto e da cabeça. “Em pessoas com predisposição genética para a enxaqueca, os nervos podem sofrer compressões ao longo de seus trajetos e desencadear a cascata de sintomas da doença. O alívio cirúrgico da compressão nos nervos pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração das dores de cabeça ou até mesmo eliminá-las”, destaca.

Além disso, a cirurgia traz benefícios para pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a essas medicações. Todos os tipos de cirurgia de enxaqueca são pouco invasivos, com o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Como resultado, gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro. É dessa forma que surgem os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som”, explica Paolo Rubez.

Quem pode fazer o procedimento?

A cirurgia para enxaqueca é ideal para qualquer paciente que possua migrânea e que apresentem:

  • Duas ou mais crises severas de dor ao mês que não consigam ser controladas por medicações.  Muitos efeitos colaterais do uso de medicamento;
    Desejo de realizar o procedimento devido ao comprometimento que as dores causam em sua vida.

Segundo o especialista, são sete os tipos de cirurgia. Para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, mas todos em áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. 

“Em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”, esclarece.

Confira os tipos de cirurgia para enxaqueca

Frontal

É um dos tipos mais comuns e é realizado para os pacientes que têm o início das dores na região dos supercílios. “Esta cirurgia é feita a partir de incisões nas pálpebras superiores, como nas blefaroplastias, ou incisões no couro cabeludo. As cicatrizes, portanto, ficam imperceptíveis. Nesta cirurgia, removemos os músculos corrugadores do supercílio, depressores do supercílio e próceros,. Também retiramos as artérias locais, que causam irritação aos ramos supraorbital e supratroclear do nervo trigêmeo”, afirma o médico. Além de tratar a enxaqueca, o paciente se beneficia da diminuição de formação de rugas nestas áreas.

Temporal

“Neste procedimento as incisões são no couro cabeludo, cujo objetivo é descomprimir ou ressecar parte do nervo zigomático-temporal”, afirma o médico. A perda parcial de sensibilidade na região temporal pode ser temporária ou definitiva. Contudo, também proporciona o efeito rejuvenescedor da face, uma vez que os tecidos da região são levemente tracionados para a lateral.

Aurículo-temporal

Pacientes com dores na lateral da cabeça — ou seja, nas têmporas –, podem se submeter a cirurgia para o nervo aurículo-temporal. “Assim como as demais, fará a descompressão dos nervos localizados na região temporal, bem próximo à orelha. Em alguns casos, a condição pode ser eliminada por completo. Esta cirurgia pode ser feita sob anestesia local, com duração de cerca de 15 minutos”, explica Rubez.

Numular

A cirurgia de enxaqueca numular é feita sob anestesia local, com duração de 15 minutos, aproximadamente. “As dores são na região do couro cabeludo, mais comumente nas laterais da cabeça. Em geral, o paciente consegue identificar o local de maior dor, algo que se confirma com a utilização de um doppler. Por meio de uma pequena incisão realizamos a neurotomia de pequenos ramos nervosos”, descreve o médico.

Rinogênico

Realizada toda por dentro do nariz, a cirurgia auxilia indivíduos com dores que começam atrás dos olhos causadas por variações do clima, por exemplo. “Os contatos entre o septo desviado e os cornetos (ou carne esponjosa) ativam a cascata de dores neste caso. Então, o intuito da cirurgia é corrigir eventuais desvios ou esporões do septo, hipertrofias de cornetos ou conchas bulhosas. Dessa forma, a cirurgia irá promover um pós-operatório com melhora da respiração”, conta o especialista.

Cirurgia de enxaqueca occipital

Este tipo é útil para dores atrás da cabeça ou na nuca, consequências da irritação de diversos nervos, principalmente o nervo occipital maior. “A compressão do nervo pode ocorrer por músculos ou vasos. Realiza-se, então, a remoção de parte do músculo semiespinal e descompressão do nervo em todo seu trajeto”.

Occipital menor

Quando apresenta compressão, o nervo occipital menor causa dores na região lateral da nuca, semelhantes a uma dor muscular. “Para melhorar a condição clínica, a cirurgia realiza a neurotomia (secção) do nervo. Por fim, incisão é pequena e no couro cabeludo do paciente e sem cicatriz visível”, conclui o especialista.

Fonte: Paolo Rubez, cirurgião plástico formado pela UNIFESP, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da Sociedade de Cirurgia de Enxaqueca dos EUA. 

 

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