Celular no silencioso pode piorar estresse e vício, afirma estudo

28 de junho, 2022

Os celulares se tornaram itens indispensáveis e são os responsáveis pelo vício de 25% dos jovens, de acordo com um levantamento britânico. A necessidade descomedida de utilizar tais dispositivos já ganhou um nome: nomofobia. Em novembro de 2021, um estudo revelou que 68% dos participantes eram dependentes dos smartphones. Uma das formas com as quais as pessoas tentam ficar longe dos aparelhos para focarem em outras tarefas é colocar o celular no silencioso. Entretanto, uma pesquisa recente descobriu que essa prática pode ter o efeito contrário e piorar um quadro de estresse e vício.

O estudo, publicado no Computer in Humans Behavior, revelou que deixar o dispositivo no modo silencioso aumenta o tempo gasto nas redes sociais e a quantidade de vezes que checa-se o surgimento de notificações. Os pesquisadores analisaram os dados dos Iphones de 138 participantes. Metade dos voluntários deixaram seus celulares com os sons de notificação ligados. Por outro lado, 42% deixaram o modo de vibração ativado e 8,7% colocaram os aparelhos no silencioso.

Além disso, os participantes também preencheram um formulário relatando se eles experienciaram a síndrome de FOMO (patologia que causa o medo de ficar por fora) e a necessidade de pertencimento. Assim, os pesquisadores poderiam fazer ligações entre as personalidades e as respostas ao modo de notificação escolhido.

Resultados  

Os participantes que colocaram o celular no silencioso passaram um tempo maior nas redes sociais e checaram as notificações mais vezes do que aqueles que não deixaram os dispositivos com as notificações silenciadas. Além disso, aqueles que revelaram sofrer com a síndrome de FOMO tiveram mais desejo de olhar o celular quando ele estava no silencioso e mostraram um maior estresse quando deixavam o som desligado.

“Silenciar notificações [para aqueles com FOMO e necessidade de pertencimento] parece ser mais, e não menos, psicologicamente angustiante”, afirmam os pesquisadores. De acordo com eles, ouvir o alerta alivia o estresse causado pela incerteza de um celular no silencioso.

Celular no silencioso: como o cérebro reage às notificações?

As notificações causam diversas sensações, uma vez que afetam o funcionamento do cérebro. O psicólogo e professor Sanam Hafeez, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, afirmou que os alertas inibem as funções do córtex pré-frontal, região responsável por regular as funções cognitivas de nível superior.

Assim, ao perceber uma notificação, o desejo de vê-la o mais rápido possível surge. Apesar de causarem uma certa ansiedade, as notificações também impactam o aparecimento de sensações ligadas ao prazer. Isso porque o sistema de recompensa também é ativado e, assim, ao liberar dopamina, o bem-estar toma conta do seu corpo.

Diminuir o vício

Seja no silencioso ou não, passar muito tempo no celular e se tornar refém das notificações não são hábitos saudáveis, certo? Por isso, estar atento aos sinais de um possível vício e adotar práticas para superar essa dependência o quanto antes é fundamental.

A dependência do celular pode provocar depressão e solidão. Um estudo publicado no Journal of Adolescent Health descobriu que passar muito tempo no celular colabora para o desenvolvimento de um quadro depressivo a longo prazo. Além disso, o vício também traz efeitos prejudiciais para o corpo. A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumologia revelou que o número de pessoas com problemas de coluna aumentou. O motivo? Uso excessivo de celulares.

Definir limites de tempo, fazer algumas pausas curtas, deixando o celular distante enquanto realiza outras tarefas, e encontrar diferentes maneiras de ocupar o tempo são formas eficazes de diminuir o tempo gasto nos aparelhos.

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