Também chamada de papeira, a caxumba é uma infecção mais comum em crianças, mas pode atingir pessoas de qualquer idade. Ela causa bastante incômodo, mas a maioria dos casos costuma ser benigna. A seguir, saiba mais sobre a doença.
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A caxumba é uma doença infecciosa causada pelo vírus paramyxovirus da classe rubulavirus, que pode atacar qualquer glândula do corpo. Principalmente as localizadas perto do ouvido e as parótidas, que são as maiores glândulas que produzem saliva. Como resultado, a pessoa fica com o pescoço bem inchado, dolorido e com dificuldade para engolir.
Além do aumento das glândulas salivares e do volume da região do pescoço, a caxumba costuma provocar febre, dor de cabeça e fadiga. Essa indisposição geral causa perda de apetite, pois a pessoa também sente dor ao engolir e mastigar. A princípio, a infecção pode afetar apenas as glândulas de um só lado ou ambos.
A princípio, a descoberta da caxumba é clínica. O médico observa o inchaço típico da infecção, mas solicita um exame de sangue específico para identificar o vírus e confirmar a suspeita.
Por ser uma infecção viral, o próprio organismo consegue combatê-la. Porém, é importante manter a hidratação e a alimentação para reforçar a imunidade nesse processo, além de repouso. Para amenizar os desconfortos, o médico pode prescrever medicamentos para febre e dor.
Por ser uma infecção viral, a transmissão da caxumba se dá pelo ar ou pelo contato com pessoas infectadas. Desde o contato direto com a saliva de pacientes até pela disseminação de gotículas no ar (ao tossir, espirrar ou falar) ou, de forma menos comum, com objetos contaminados é o suficiente para contrair a doença.
É possível que os sintomas levem de 12 a 25 dias para se manifestar. Contudo, a transmissão pode ocorrer até uma semana antes da manifestação clínica e até nove após o aparecimento dos sintomas.
O problema é mais comum em crianças, mas pode afetar as vias respiratórias e a audição, especialmente nessa faixa etária. Também é possível, independente da idade, que a doença seja assintomática. Dessa maneira, uma vez curada, a pessoa ganha imunidade vitalícia contra o vírus da caxumba.
Em geral, a pessoa se recupera em até duas semanas sem grandes complicações. No entanto, há casos em que sintomas mais graves podem surgir. Os principais são meningite, encefalite e pancreatite. Tratam-se de inflamações que podem afetar diferentes partes do organismo, do sistema digestivo ao nervoso. Em homens, ainda pode haver orquite (inflamação nos testículos) e nas mulheres mastite ou ooforite (inflamação do tecido mamário e ovários, respectivamente). Outro alerta é para mulheres gestantes, especialmente no primeiro trimestre de gestação: a caxumba pode provocar um aborto espontâneo. Por isso, é importante o acompanhamento médico na recuperação e a procura por atendimento ao notar novos sintomas.
Desde os anos 1970 a vacina contra a caxumba está disponível. O imunizante, inclusive, foi um dos mais rápidos a serem produzidos, tendo sido criado pelo “pai das vacinas modernas”, o microbiólogo Maurice Hilleman. Quando tomamos a tríplice viral, a proteção não é exclusiva para a caxumba, mas também contra o sarampo e a rubéola. A vacina está disponível no SUS e pode ser tomada a partir dos 12 meses de vida, com um reforço aos 15 meses. No caso de adultos (com exceção de mulheres gestantes), se não tomaram ou não se lembram, também é possível receber as duas doses, com um intervalo de um ou dois meses entre elas.
Além da vacina, também vale manter cuidados básicos de higiene, como não compartilhar objetos de uso pessoal, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e lavar as mãos. Ambientes compartilhados devem ser bem ventilados e pessoas infectadas precisam ficar isoladas por, pelo menos, 10 dias.
Fontes: Hospital Albert Einstein, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do DF.