Afinal, carne vermelha faz bem ou mal?

Alimentação Bem-estar
18 de Outubro, 2019
Afinal, carne vermelha faz bem ou mal?

A carne vermelha é um alimento controverso. Por um lado, é um item básico em muitas dietas e uma ótima fonte de proteínas e nutrientes importantes.

Por outro, algumas pessoas acreditam que não é saudável, ética e seu consumo, desnecessário.

A importância da carne vermelha

Além de ser uma excelente fonte proteica (importante para a formação muscular), a carne oferece outros nutrientes importantes para o organismo, como vitaminas do complexo B, aminoácidos, fósforo, selênio, zinco e potássio.

Também possui antioxidantes, que combatem o envelhecimento precoce e fortalecem o sistema imunológico, além de altas quantidades de ferro, fundamental para evitar o risco de anemia. 

Uma porção de 100 gramas fornece:

  • Calorias: 205
  • Proteína: Cerca de 27 gramas
  • Riboflavina: 15% do valor diário (VD)
  • Niacina: 24% do VD
  • Vitamina B6: 19% do VD
  • Fósforo: 19% do VD
  • Zinco: 68% do VD
  • Selênio: 36% do VD

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A carne vermelha é ruim?

Alguns estudos observacionais vinculam uma alta ingestão de carne vermelha a vários tipos de câncer, incluindo câncer de aparelho digestivo, próstata, rim e mama.

No entanto, em quase todos os estudos, a associação foi entre câncer e carne bem passada, em vez de carne vermelha em si. Esses estudos indicam que o cozimento em alta temperatura teve um efeito muito forte.

Além disso, tais análises não distinguiram entre método de cozimento e carne processada e não processada, o aumento do risco parece ocorrer principalmente com maior ingestão de carne processada e bem passada.

Carne e problemas cardíacos 

Vários grandes estudos observacionais explorando a ingestão de carne e doenças cardíacas descobriram um risco aumentado com produtos processados. 

Em 2010, os pesquisadores do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, realizaram uma revisão maciça de 20 estudos, incluindo mais de 1,2 milhão de pessoas. Eles descobriram que consumir carne processada – e não vermelha – parecia aumentar o risco de doença cardíaca em 42%.

No entanto, essas pesquisas não provam que uma alta ingestão de carne processada cause doenças cardíacas. Elas mostram apenas uma associação.

Alguns estudos controlados descobriram que o consumo frequente de carne, incluindo variedades com alto teor de gordura, tem um efeito neutro ou até mesmo benéfico nos fatores de risco para doenças cardíacas.

Ganho de peso e obesidade

Estudos observacionais vinculam a alta ingestão de carne vermelha e processada à obesidade. Isso inclui uma revisão de 39 estudos comandada pela Escola de Nutrição e Ciência de Alimentos da Universidade de Ciências Médicas de Isfahan,  no Irã, incluindo dados de mais de 1,1 milhão de pessoas. No entanto, os resultados de análises individuais variaram bastante. 

Em um trabalho da Associação de Estudos para Obesidade de Londres, na Inglaterra, os especialistas descobriram que, embora houvesse uma relação entre o consumo frequente de carne vermelha e a obesidade, as pessoas que ingeriam grandes quantidades também ingeriam cerca de 700 calorias a mais por dia do que aquelas que ingeriam quantidades menores do alimento.

Novamente, esses estudos são observacionais e não representam outros tipos e quantidades de alimentos consumidos regularmente.

Embora a carne vermelha esteja frequentemente ligada à obesidade e ao ganho de peso, enquanto a carne branca não, uma observação controlada do Centro de Pesquisa em Fisiologia Nutricional da Universidade South Australia, em Adelaide, Austrália, não encontrou diferença nas alterações de peso entre pessoas com excesso de peso que foram designadas a comer carne por três meses.

A mesma instituição analisou pessoas com pré-diabetes e descobriu que o emagrecimento e a melhoria da composição corporal eram semelhantes entre aqueles que consumiam dietas baseadas em proteínas animais ou não. 

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Afinal, faz bem ou mal?

A nutricionista Caroline Possato, do Instituto Mineiro de Endocrinologia, afirma que, em sua prática clínica, tem o cuidado de trabalhar sempre de forma individual, considerando parâmetros metabólicos e nutricionais, composição corporal e até mesmo as preferências de cada pessoa.

“Nem todos se beneficiam de uma restrição de carne vermelha. Por exemplo, alguns indivíduos têm risco de sarcopenia, que é a perda natural e progressiva de massa muscular, e desnutrição, por isso, necessitam da carne como fonte proteica e de ferro.” 

Já outras pessoas, como as que apresentam obesidade e fatores de risco para o câncer, devem seguir uma dieta mais restrita em relação à carne bovina. “Tudo é avaliado e adequado conforme aspectos individuais.”

Por isso, o mais importante é procurar ajuda profissional, especialmente se você tem históricos familiares ou qualquer problema de saúde. 

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