Cardiomiopatia: o que é, sintomas, tratamentos e causas

16 de março, 2022

Recentemente, os fãs da banda Foo Fighters sofreram com a morte do baterista Taylor Hawkins. O artista de 50 anos foi encontrado sem vida em um hotel na Colômbia, cuja causa pode estar relacionada ao abuso de drogas — em seu corpo foram encontradas 10 substâncias narcóticas diferentes. No entanto, o que mais surpreendeu foi o tamanho de seu coração, que estava pesando o dobro do normal para uma pessoa de mesma faixa etária – cerca de 600 g, sendo que a média está entre 300 e 350 g. Apesar de ser chocante, a condição do coração aumentado tem nome. Conhecida por cardiomiopatia, o crescimento do coração não é necessariamente uma doença, mas uma consequência de outras enfermidades.

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O que é a cardiomiopatia?

De acordo com Ausonius Sawczuk, médico cardiologista do hospital Albert Sabin, em São Paulo (SP), a cardiomiopatia possui dois tipos, a hipertrófica e a dilatada. O médico explica que ambas têm como característica predominante o aumento de tamanho e peso do órgão, mas se diferenciam pela espessura do ventrículo esquerdo, que é o principal músculo do coração. Basicamente a hipertrófica possui o tecido do músculo mais grosso, enquanto a dilatada apresenta o contrário, mais afinado. “De modo geral, as cardiomiopatias são causadas por doenças inflamatórias, infecciosas, coronarianas ou arrítmicas. Em outras palavras, é possível que o coração aumentado seja provocado pela hipertensão, disfunções na válvula ou outros problemas que incitem a sobrecarga do órgão que leva ao seu crescimento”, ensina.

Além disso, a causa da cardiomiopatia pode ter relação com a doença de Chagas, inflamação provocada por um parasita encontrado em fezes de insetos. Dessa forma, um dos sinais da doença é o coração dilatado, ou “coração de boi”. Jeffer de Morais, cardiologista do Grupo CardioSirius, comenta que o fator genético é outra razão determinante para o coração aumentado. Ou seja, algumas pessoas podem nascer com essa alteração no órgão, que precisa ser igualmente observada para avaliar prováveis complicações.

Por fim, outro motivo que causa o aumento do coração é a atividade física. “Alguns atletas possuem o coração um pouco maior do que outras pessoas. Devido ao esforço físico a longo prazo, é comum que ocorra essa adaptação fisiológica, que a princípio não apresenta riscos ao indivíduo”, explica Sawczuk.

Principais sintomas 

Ambos os cardiologistas alegam que os sintomas dependem da doença. “Ou seja, geralmente quem possui isquemia apresenta dor no peito, fadiga; problemas na válvula do coração podem causar problemas respiratórios, que leva ao cansaço mesmo ao realizar atividades simples”, exemplifica. Por isso, é importante consultar um médico cardiologista assim que houver qualquer sintoma suspeito e persistente. Para investigar a origem, são feitos exames laboratoriais e de imagem, além da análise do histórico do indivíduo. Inclusive o aumento do coração pode ser uma reação a um transplante rejeitado – assim, é importante observar todo o contexto para o diagnóstico assertivo. As enfermidades cardiovasculares são as principais responsáveis pelos óbitos no Brasil. A Sociedade Brasileira de Cardiologia criou o cardiômetro, que calcula a média de indivíduos vítimas desse tipo de doença em tempo real.

Existe cura?

Não, mas há tratamento e controle. Alguns casos podem exigir intervenção cirúrgica para reparar certos tipos de dano do coração, como a implantação de uma nova válvula para o funcionamento adequado; outros quadros já necessitam de transplante ou apenas a medicação controlada. “O paciente precisa estar ciente de que doenças do coração precisam de atenção e cuidado por toda a vida. Então ele precisará conviver com a medicação contínua, com as visitas periódicas ao médico e exames, pois algumas pessoas demoram mais para responder ao tratamento”, ressalta Sawczuk.

Controlada a doença relacionada à cardiomiopatia, o indivíduo sente alívio dos sintomas e o coração tem a possibilidade de reduzir o tamanho. A mudança no estilo de vida pode ser um aliado do tratamento, desde que seja supervisionada – principalmente indivíduos que precisam monitorar sua frequência cardíaca para não gerar sobrecarga no coração.

Fonte: Jeffer de Morais, cardiologista do Grupo CardioSirius; e Ausonius Sawczuk, médico cardiologista do hospital Albert Sabin, em São Paulo (SP).

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