1 em cada 5 crianças tem bruxismo noturno, aponta estudo

Saúde
20 de Outubro, 2022
1 em cada 5 crianças tem bruxismo noturno, aponta estudo

Caracterizado pelo movimento involuntário dos músculos da boca, especialmente durante o sono, o bruxismo tem trazido prejuízos à qualidade de vida das pessoas, inclusive das crianças. Pesquisa feita na Universidade Ceuma, em São Luís (MA), com crianças entre 7 e 10 anos de idade, constatou a presença do bruxismo noturno em 19,7% delas. O problema foi associado a sonolência diurna. Tal situação pode interferir no desempenho escolar e na realização de outras atividades, e dores nos dentes e no rosto ao acordar.

Estudo: crianças com bruxismo noturno

Segundo a pesquisa, entre as crianças com bruxismo, 17% relataram ter sono ruim, e 44% dormiam até 9 horas por noite. Além disso, 82,2% relataram sentir solonência diurna, 14,9% disseram ter dor de cabeça toda semana e 17,9% disseram sentir dor nos músculos da face ao acordar. Por fim, 42,3% das crianças tinham o hábito de roer as unhas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram uma amostra de alunos de uma escola pública e uma particular em São Luís. Foram incluídos meninos e meninas entre 7 e 10 anos, todos saudáveis (sem nenhum transtorno neurológico ou diagnóstico de algum distúrbio do sono, por exemplo). Houve a análise, ao todo, de 247 crianças por meio de exame clínico (extra e intraoral). Além disso, elas receberam um questionário que os pais ficaram responsáveis por responder, relacionado aos hábitos de sono das crianças e possíveis associações com o bruxismo.

De acordo com dados da pesquisa, a avaliação dos alunos em sala de aula aconteceu por meio de um exame clínico interno da boca e palpação dos músculos da mastigação (masseter e temporal). Também fizeram avaliações relacionadas a dor na ATM (responsável pelo movimento de abrir e fechar a boca). As crianças que se queixavam de dor de cabeça, por exemplo, mostraram com a mão a localização exata da dor. Os pesquisadores também observaram o desgaste dos dentes das crianças. O diagnóstico de bruxismo noturno seguiu os critérios da Academia Americana de Medicina do Sono.

Diagnóstico do bruxismo

Fabíola Germano de Castro, odontopediatra da equipe de odontologia hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o bruxismo é um movimento involuntário tanto de apertar quanto de ranger os dentes. Pode ocorrer durante o sono, mas também enquanto a pessoa está acordada. De acordo com ela, o diagnóstico em crianças normalmente acontece após relato dos pais, que observam que o filho faz barulhos com a boca durante o sono. Fabíola ressalta, entretanto, que o desgaste dos dentes por si só não é um critério de diagnóstico do bruxismo.

“Às vezes a criança pode ter refluxo, que causa desgaste no dente. Hábitos alimentares com alimentos muito ácidos também podem provocar desgaste dentário, assim como refrigerantes e sucos artificiais. Ele é apenas um sinal a mais”, afirma a odontopediatra. Ela ressalta, ainda, que o padrão ouro para diagnóstico é a polissonografia, embora seja um exame muito caro.

Segundo Fabíola, existem bruxismos sem causa definida (chamados de idiopáticos), mas a presença de problemas comportamentais, estresse emocional, utilização de alguns fármacos (como por exemplo a ritalina) e a obstrução das vias aéreas podem ter um papel importante no desenvolvimento ou agravamento do bruxismo, por isso é tão importante fazer uma boa análise clínica do histórico do paciente (incluindo estilo de vida, hábitos e relações sociais).

“O estresse e a ansiedade têm sido mais estudados porque estão muito comuns em crianças, especialmente após esse período de pandemia. Essas crianças foram expostas a mudanças intensas de rotina, ao isolamento, ansiedade. Assim, isso pode estar associado ao aumento de casos de bruxismo nessa faixa etária”, disse. “Além disso, hoje em dia as crianças têm uma agenda muito lotada e isso aumenta o estresse.”

Leia também: Exercícios para bruxismo: Movimentos que aliviam os sintomas da condição

Tratamento

Uma vez diagnosticado, o tratamento do bruxismo noturno é multifatorial com foco no causador do problema, incluindo desde mudanças de hábitos, até massagem, fisioterapia no rosto e laserterapia. “Exemplo: se o fator causador do bruxismo é o estresse, os pais devem procurar um psicólogo. Melhorar o ambiente do sono da criança também é importante. O uso de placas não é indicado para as crianças pequenas, apenas para as crianças com dentes permanentes e bruxismo mais acentuado”, explicou Fabíola.

Para Letícia Bezinelli, também da equipe de odontologia hospitalar do hospital, o fato de 82% das crianças sentirem sonolência diurna não pode ser atribuído apenas ao bruxismo. “Certamente esses 82% de crianças com sonolência não têm apenas o bruxismo. As crianças de uma maneira geral, pós-pandemia, com excesso de eletrônicos e quebra da rotina, acabam dormindo menos, dormindo mais tarde, estão mais agitadas e acabam dormindo pior. O bruxismo acaba sendo mais um fator que precisa ser investigado porque pode impactar negativamente no dia seguinte”, afirmou.

Se não houver o tratamento adequado do bruxismo, a criança pode ter problemas com desgaste dentário, sensibilidade, dor de cabeça crônica, dor de ouvido. “Tudo isso pode ser evitado quando diagnosticado corretamente e com mudanças de hábitos”, finalizou Fabíola.

Fonte: Agência Einstein

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