Adoçantes zero calorias alteram microbiota intestinal e tolerância à glicose

Alimentação Bem-estar
19 de Setembro, 2022
Adoçantes zero calorias alteram microbiota intestinal e tolerância à glicose

Muita gente acha que trocar o açúcar pelos adoçantes zero calorias (também chamados de “não nutritivos”) é a melhor opção. Contudo, não é sempre assim: um estudo descobriu que esses produtos podem alterar a microbiota intestinal de tal maneira que afetaria até os níveis de glicose (açúcar) no sangue.

O trabalho foi feito por pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha e Israel, e publicado recentemente na revista Cell. Mas a desconfiança dos cientistas já era de longa data: em 2014, eles haviam percebido que os adoçantes causavam o mesmo efeito em camundongos.

Então, para a pesquisa mais recente, os cientistas selecionaram 120 voluntários que não consumiam adoçantes zero calorias. Os participantes foram divididos em seis grupos:

  • Dois controles;
  • Quatro que ingeriram doses abaixo das recomendadas pela Food and Drug Administration (FDA) de sacarina, sucralose, aspartame e/ou estévia.

“Em indivíduos que consumiram os adoçantes não nutritivos, pudemos identificar mudanças muito distintas na composição e na função dos micróbios intestinais e nas moléculas que eles secretam no sangue periférico”, disse o imunologista Eran Elinav, um dos principais autores do artigo.

Entre os produtos, a sacarina e a sucralose impactaram até a tolerância à glicose em adultos saudáveis. Isto é, percebeu-se mais açúcar circulando na corrente sanguínea desses indivíduos.

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Adoçantes zero calorias e microbiota intestinal

Para entender melhor a relação entre os adoçantes zero calorias e os micro-organismos que vivem em nosso intestino, os cientistas transferiram amostras da microbiota dessas indivíduos para camundongos livres de germes — ratinhos em condições completamente estéreis.

“Os resultados foram bastante surpreendentes”, disse Elinav. “Em todos os grupos de adoçantes não nutritivos, mas em nenhum dos controles, quando transferimos para esses camundongos estéreis o microbioma dos indivíduos, coletados em um momento em que estavam consumindo os respectivos adoçantes não nutritivos, o camundongos receptores desenvolveram alterações glicêmicas que espelhavam muito significativamente as dos indivíduos doadores”, acrescenta.

Ou seja, o consumo de tais produtos poderia, sim, ocasionar alterações glicêmicas. O autor acredita que esses efeitos variam de pessoa para pessoa — por isso, mais estudos acerca do assunto são necessários.

“Enquanto isso, precisamos continuar procurando soluções para nosso desejo por doces, evitando o açúcar, que é claramente mais prejudicial à nossa saúde metabólica. Na minha opinião pessoal, beber apenas água [em vez de sucos e refrigerantes] parece ser a melhor solução”, finalizou Elinav.

Referência: Expert reaction to study looking at the effect of non-nutritive sweeteners on human microbiomes and glycaemic levels.

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