Uso de máscara e a percepção distorcida da aparência

Bem-estar Equilíbrio
24 de Março, 2022
Uso de máscara e a percepção distorcida da aparência

Recentemente, o governo do estado de São Paulo decretou que o uso de máscara continua sendo obrigatório apenas em unidades de saúde e no transporte público. No entanto, diversas pessoas continuam utilizando o acessório com medo de surgir novas variantes.

Mas também há outro motivo para alguns optarem por não tirar a máscara: vergonha de expor o rosto e não aceitar a própria imagem. Além disso, as pessoas enxergam defeitos que não existem.

Samir Eberlin, cirurgião plástico, explica que nos consultórios tem sido comum o relato de pacientes que admitem continuar usando máscara pelo fato de acharem defeitos no rosto. Como por exemplo, não gostar do nariz, da boca ou de alguma mancha. 

Leia também: Dismorfofobia: Transtorno dismórfico corporal

Uso de máscara e o transtorno dismórfico corporal

Apesar de não parecer grave, o descontentamento exagerado com o corpo, ou uma parte dele, é uma das características de uma doença: o transtorno dismórfico corporal (TDC) ou dismorfia corporal. 

O transtorno dismórfico corporal atinge 2% da população, cerca de 4,1 milhões só no Brasil. Ademais, costuma afetar jovens entre 15 e 30 anos. Não se sabe ao certo quais são as causas da dismorfofobia. Contudo, alguns estudos acreditam que pode ser gerado pela baixa autoestima, decorrente de uma infância deficiente de carinho e aprovação.

“O indivíduo tem preocupações decorrentes de defeitos mínimos ou inexistentes na aparência. Pacientes com TDC têm medo de terem seus ‘defeitos’ notados, sentem vergonha e desconforto ao se exporem fisicamente e têm pensamentos de desilusão. Em alguns casos desenvolvem rituais compulsivos, como busca constante por tratamentos cosméticos e até intervenções cirúrgicas na tentativa de resolver o problema”, ressalta o médico.

Geralmente, os casos deste transtorno são diagnosticados na consulta com o cirurgião plástico. Isso porque as pessoas buscam soluções para imperfeições que muitas vezes não existem.

“Quando o cirurgião plástico se depara com situações como esta, o paciente recebe toda uma orientação que pode incluir indicação de tratamento com psicólogos ou psiquiatras”, diz Samir.

Como prevenir?

De acordo com o cirurgião plástico, o fim do uso obrigatório de máscara acende um sinal de alerta e instiga uma reflexão sobre a nossa relação com o espelho. “Se o uso da máscara cumpre mais o papel de esconder o rosto do que proteger contra a Covid, atenção. Preocupação exagerada com a imagem e percepções distorcidas da aparência que levam o indivíduo a se esconder em roupas largas, uso de acessórios e maquiagem em excesso, por exemplo, são indícios de que algo não vai bem”, finaliza.

Fonte: Samir Eberlin, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e especialista em cirurgia plástica pela Associação Médica Brasileira.

Sobre o autor

Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.

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