Tratamento da enxaqueca: quais são as alternativas existentes?

20 de julho, 2022

A enxaqueca é uma condição desconfortável e limitante para muitas pessoas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 31 milhões de brasileiros por ano sofrem com o problema. Apesar disso, o tratamento da enxaqueca ganhou novos aliados. Além da linha de cuidado com analgésicos comuns (ibuprofeno, dipirona e paracetamol, por exemplo), há formas mais sofisticadas de combater e controlar a enfermidade.

Veja também: Crianças podem ser vítimas da dor de cabeça; veja os sinais

Tratamento da enxaqueca pode envolver anticorpos monoclonais

“Quando os analgésicos são ineficazes, medicamentos da classe triptanos e betabloqueadores, como o ácido valproico, são uma opção. Além disso, podemos indicar antidepressivos para o controle do desequilíbrio da serotonina”, explica Alex Baeta, neurologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por sua vez, em 2018, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o uso de quatro anticorpos monoclonais para tratamento específico da enxaqueca. A substância atua na diminuição do CGRP — Peptídeo Relacionado ao Gene da Calcitonina — responsável pela liberação de toxinas que influenciam as crises.

A princípio, o tratamento inclui injeções subcutâneas mensais, que auxiliam na redução do CGRP na circulação sanguínea. Como resultado, as crises ficam menos intensas e mais espaçadas. Outra alternativa é o uso de quimiodenervação com toxina botulínica, indicada para enxaqueca crônica. “Também recomenda-se a miectomia cirúrgica que, combinada com o botox, elimina os espasmos musculares dolorosos na face, têmporas e região dos olhos”, comenta o neurologista. 

Fatores de risco e impactos da enxaqueca à saúde

As mulheres apresentam três vezes mais incidência da doença do que os homens. “Existe um mecanismo relacionado ao nervo trigêmeo e sua conexão como sistema de controle da dor. Geralmente pessoas com enxaqueca apresentam baixo nível de serotonina”, explica Baeta. No entanto, jejum prolongado, estresse, insônia, fumo, alterações hormonais e consumo excessivo de açúcar, café e bebidas alcoólicas também agravam a doença.

De acordo com o último levantamento do Global Burden Of Disease Study, a crise de enxaqueca impacta na redução de 43% da saúde geral das pessoas, pois a dor é incapacitante e reduz a qualidade de vida e o poder de seguir com a rotina.

Síndrome pós-Covid

Segundo estudo recente publicado no Headache: The Journal of Head and Face Pain, da American Headache Sociery, a dor de cabeça pós-COVID é persistente, com sintomas que podem durar semanas ou até meses após o teste negativo para o vírus. A pesquisa ainda indica que as pessoas com enxaqueca são mais propensas ao aumento na frequência e intensidade dos ataques. Por fim, o levantamento aponta que cerca de 47% dos pacientes desenvolveram dor de cabeça após serem infectados. Na maioria dos casos, a dor desaparece após dois meses. Contudo, algumas pessoas podem sentir os efeitos por mais tempo, persistindo por até 6 meses.

Geralmente, os pacientes com síndrome pós-COVID relatam dor latejante em um lado da cabeça, sensibilidade à luz, ruídos, toque e cheiro, além de insônia, dificuldade com a fala, problemas de memória, palpitações cardíacas, tontura e confusão mental.

Sobre o autor

Redação
Todos os textos assinados pela nossa equipe editorial, nutricional e educadores físicos.