Timidez na infância: Como apoiar e incentivar seu filho tímido

16 de agosto, 2021

Em um mundo cada vez mais cheio de exposição, a timidez na infância pode ser encarada como um problema. Afinal de contas, os tímidos acabam sentindo muita dificuldade para interagir em ambientes sociais. Mas, quando a característica vem desde a infância, cabe aos adultos mostrar que, se for algo relacionado à personalidade da criança. Pois, não há problema algum, ressaltando que cada ser humano é de um jeito e está tudo bem. 

“A criança pode ser tímida por muitos motivos. Assim, se for algo situacional, como mudança, nova escola ou algum problema familiar, os responsáveis podem acolher de forma que ela se sinta segura. Isso fortalecerá o vínculo de afeto e as interações sociais dentro e fora do contexto familiar”, explica Joice Cavalcante, coordenadora da clínica de psicologia da Faculdade Anhanguera Santana. “Mas, caso seja algo biológico, características que vem desde o nascimento e fazem parte da personalidade da criança, tenha paciência e a acompanhe bem de perto durante a estimulação social.”

No livro “A timidez não é um problema – como transformar a introversão em algo positivo”, o autor J.S. Jackson procura mostrar que algumas crianças são expansivas e extrovertidas naturalmente, enquanto outras têm mais dificuldade para interagir. “A passagem da timidez para uma convivência confortável e confiante junto a outras pessoas pode ser lenta e difícil, mas há técnicas que facilitam esse processo”, descreve a sinopse. Além disso, entre as dicas apresentadas na obra estão lembretes para os adultos promoverem a autoestima e as qualidades criativas de cada criança.

Como detectar a timidez na infância

De acordo com Joice, algumas situações ajudam a detectar a timidez na infância e é bastante útil estar atento para verificar se ela não está comprometendo muito o desenvolvimento de habilidades sociais na criança. “Essa timidez se manifesta através de medo do que não conhece e vergonha de ser exposta. A criança tem, por exemplo, dificuldade em se relacionar no parquinho ou nas festinhas, não gosta de sair de casa e/ou prefere brincar sozinha. Pensando que somos seres que necessitamos de interações sociais, a ausência dessa habilidade pode nos trazer dificuldades no dia a dia”, argumenta.

Ainda assim, é possível perceber que, normalmente, no decorrer das interações, a criança vai descobrindo a forma ideal de se relacionar. “Geralmente, conforme a interações vão aumentando a intensidade, a timidez vai diminuindo, trazendo assim uma constância nas relações interpessoais e de socialização desse indivíduo”, diz a especialista.

Como ajudar crianças tímidas

É importante considerar que as crianças estão constantemente aprendendo novos comportamentos e interagir faz parte desse processo de aprendizagem. “Nessa fase, é essencial a ajuda da família. Acompanhe e incentive e a faça se sentir querida e amada. Não a rotule como tímida, ou então diga que está em fase de aprendizado. A criança precisa se sentir confortável em todos os passos. Percebendo algum desconforto, não a mantenha no ambiente para não ocasionar nenhum trauma maior nessa fase de adaptação”, sugere Joice.

A psicóloga esclarece que, caso o adulto perceba que, ainda assim, a criança continua com dificuldade, pode ser válido buscar ajuda de um profissional que, junto à família, construirá um vínculo afetivo no qual ela se sentirá segura no processo de interação.

Confira alguns conselhos práticos para auxiliar crianças tímidas:

  • Elogie progressos e ressalte o esforço realizado
  • Dê apoie em todas as situações novas 
  • Estimule a criança a fazer perguntas a outras pessoas em situações do cotidiano
  • Evite criticar quando a criança está desenvolvendo atividades sozinha
  • Não force situações ou comportamentos
  • Evite comparações

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