TDAH: o que é, sintomas, como identificar e tratamentos

Bem-estar Equilíbrio
23 de Abril, 2024
TDAH: o que é, sintomas, como identificar e tratamentos

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade –, conhecido como TDAH,  se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa e não raro mudam dependendo da fase da vida. Entre eles estão desatenção, desorganização, esquecimento e falta de concentração, além de hiperatividade e impulsividade.

O quadro tende a surgir já na infância e afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar, com maior prevalência entre os meninos, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Frequentemente, o transtorno acompanha o indivíduo por toda a sua vida, tornando o diagnóstico mais comum na fase adulta.

O que é TDAH?

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é uma condição crônica de causas genéticas. Uma das características mais marcantes do TDAH é o excesso de pensamentos e emoções. Na prática, a pessoa que tem o transtorno costuma captar diversos estímulos ao redor, se distraindo facilmente e pode ter dificuldades para gerenciar o seu foco. 

Nas atividades do dia-a-dia, o quadro pode se mostrar mais evidente em comportamentos desastrados, esquecimento frequente de compromissos, além de outras características, como desorganização e hiperatividade. Em especial, esse último comportamento pode gerar uma inquietação, ou seja, a pessoa tende a mexer os pés e as mãos com frequência excessiva. 

Sintomas de TDAH em crianças

Durante a infância, o transtorno costuma se apresentar através de atividades hiperativas. Ou seja, a criança tende a preferir brincadeiras muito mais dinâmicas e cheias de estímulos. O quadro também pode despertar uma inquietação excessiva e dificuldade para processar informações. 

Apesar do padrão no comportamento, segundo o Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica, os sintomas de TDAH também podem ser diversos, já que existem diferentes tipos de TDAH: 

“Ele pode ser predominantemente desatento, predominantemente hiperativo ou misto. Os sintomas de desatenção podem ser dificuldade de se concentrar em aulas ou tarefas, esquecer ou perder objetos, cometer erros por descuido, parecer mal, prestar atenção no que é falado, desorganização, entre outros”, explica. 

Por outro lado, os sintomas de hiperatividade podem ser incapacidade de ficar parado, sensação de ter grande energia, falar muito e muitas vezes em voz alta, impulsividade.

Já para a psicóloga Rosangela Sampaio, a hiperatividade costuma ser mais evidente em crianças que costumam ser inquietas, agitadas e falam demasiadamente. 

Sintomas de TDAH em adultos

Os sintomas do transtorno em adultos costumam ser parecidos com os da infância, porém, com mais predomínio do tipo desatento. De acordo com a psicóloga Rejane Sbrissa, a diferença está nos níveis dos sintomas. “Em crianças, o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade é mais acentuado. Por outro lado, nos adultos os sintomas de inquietação são mais brandos”, explica.

Além disso, a tolerância para os sintomas na vida adulta costumam ser menores e com consequências mais graves, como por exemplo no trabalho e em relacionamentos.

Veja os sintomas mais comuns nessa fase: 

  • Dificuldade em manter o foco nas atividades diárias;
  • Não finalizar trabalhos e deixá-los incompletos;
  • Dificuldade em planejar suas atividades;
  • Esquecimentos frequentes;
  • Sentir-se sobrecarregado;
  • Não conseguir definir prioridades;
  • Alterações de humor;
  • Instabilidade emocional;
  • Baixa autoestima;
  • Pouca tolerância à frustração. 

Além disso, a psicóloga ressalta que os adultos que apresentam TDAH podem ter problemas com álcool, drogas, e outros transtornos como ansiedade e depressão. Vale reforçar que o transtorno pode se manifestar de maneiras diferentes em cada indivíduo, por isso, a consulta com psicólogo é essencial para diagnosticar o quadro. 

Causas

O predomínio do TDAH é semelhante em diferentes regiões, indicando que o transtorno não é secundário aos fatores culturais, mas sim, de causas genéticas. 

Nesse sentido, tem a ver com as alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro, como explica a psicóloga: 

“A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais. Sendo responsável por controlar ou inibir comportamentos inadequados, pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. Quando o funcionamento dos neurotransmissores estão alterados, o distúrbio pode se desenvolver”.

Leia também: Dieta Feingold: O plano que beneficia crianças hiperativas

Como diferenciar a falta de foco do TDAH

É comum as pessoas associarem a falta de foco com o TDAH, já que alguns sintomas costumam ser parecidos. Porém, segundo o psiquiatra, a diferença está nos resultados das ações causadas pela falta de foco ou pelo transtorno:

“Sempre que falamos de transtorno na psiquiatria, temos que ter em mente que ele precisa ser grave suficiente e duradouro o suficiente para gerar disfuncionalidade. As pessoas não têm a mesma capacidade de atenção, foco ou o mesmo comportamento no dia a dia. O que difere uma pessoa ansiosa ou desfocada de uma pessoa com TDAH é a intensidade e prejuízo que os sintomas trazem”, ressalta o psiquiatra.

Nem toda agitação é sinônimo de TDAH

Na última década, o subdiagnóstico de TDAH tem sido cada vez mais frequente. Isso significa pouco aprofundamento no quadro clínico, especialmente sem ajuda psiquiatra ou análises mais apuradas. Por isso, não é comum ouvir pessoas afirmando que têm TDAH sem nem mesmo ter trocado duas palavras com um psicólogo ou psiquiatra. 

Portanto, essa onda de subdiagnóstico também pode atingir os pequenos que podem levantar suspeitas com comportamentos inerentes à infância e aos desafios do aprendizado. 

No entanto, é importante reforçar que o transtorno vai além dos comportamentos típicos. Ou seja, àqueles que tendem a interferir no desenvolvimento por longos períodos, a intensidade e o impacto das ações do adolescente. Isso porque no TDAH, os comportamentos são mais intensos e prejudiciais do que aqueles vividos por jovens sem o transtorno.  

Diagnóstico 

 O diagnóstico é feito pelas avaliações com o psiquiatra. Dessa forma, outros profissionais podem ajudar a elucidar o diagnóstico como por exemplo o neuropsicólogo, com a realização de testes.

Não há cura para o TDAH, mas a boa notícia é que existe tratamento, que consiste, basicamente, em medicamento e psicoterapia. Segundo Rosangela Sampaio, a abordagem a ser utilizada irá depender da individualidade de cada paciente e da gravidade do transtorno.

Tratamento

Entre as iniciativas de tratamento para o TDAH, as principais são:

  • Terapia com psicólogo

A terapia é eficaz no desenvolvimento de habilidades de organização,  gestão de tempo e controle de impulsos. Além disso, através dela, é possível desenvolver habilidades sociais e estratégias de enfrentamento que serão benéficas para ensinar o indivíduo a lidar com o TDAH.

  • Intervenções educacionais

Se o TDAH for descoberto na infância ou adolescência, os pais podem trabalhar em conjunto com a escola para implementar adaptações e apoios educacionais, como salas de aula com menos estímulos, tempo adicional para testes ou tutores para acompanhar o desenvolvimento do filho. 

  • Medicação

Em alguns casos, o médico pode prescrever medicamentos que tendem a ajudar no controle dos sintomas são os psicoestimulantes, como, por exemplo, o metilfenidato ou o dimesilato de lisdexanfetamima. Porém, a decisão de usar  medicamentos deve ser cuidadosamente discutida com o profissional de saúde, considerando os benefícios e riscos. Fique atento: essa opção se restringe apenas em caso de análise e prescrição médica.  

  • Rotina é essencial

Para minimizar alguns sintomas indesejados, é essencial criar rotinas previsíveis em ambientes estruturados. Isso inclui horários fixos para trabalhar, estudar, treinar ou qualquer outra atividade diária. A explicação é que essa rotina ajuda a diminuir o estresse e ansiedade, o que também reduz a inquietação e agitação características do transtorno. 

Especialidades envolvidas no tratamento de TDAH

O tratamento do quadro envolve equipes multidisciplinares. Confira quais são as especialidades recomendadas: 

  • Psicólogo: costuma ser o primeiro profissional a ser consultado. O psicólogo leva mais em conta aspectos emocionais;
  • Psiquiatra: responsável pelo tratamento medicamentoso, receitando os remédios de acordo com o nível do transtorno;
  • Neuropsicólogo: realiza testes para obter o diagnóstico e avaliar a concentração e percepção do paciente.

Os exercícios físicos ajudam a reduzir os sintomas

Os benefícios dos exercícios físicos são comprovados cada vez mais. Mas você sabia que eles também ajudam a reduzir os sintomas do déficit de atenção e hiperatividade? É o que diz um estudo, conduzido pela Universidade de Montreal, no Canadá.

A pesquisa contou com a participação de 1.997 crianças. Entre os participantes 991 eram meninas e 1.006 meninos. Assim, os pesquisadores utilizaram um questionário aos pais das crianças com seis anos. As perguntas eram sobre a prática de atividades extracurriculares com professores ou instrutores. O próximo passo foi perguntar aos instrutores das crianças com 12 anos a respeito do comportamento durante a realização das atividades.

Com os dados em mãos, os pesquisadores da universidade canadense fizeram associação com os sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O resultado mostrou que meninas que praticam esportes regularmente melhoram seus sintomas em relação a garotas que participam de forma irregular.

A razão, segundo os estudiosos, é que a prática de esportes melhora a concentração e o relacionamento com colegas. Essas questões são fundamentais em um tratamento de jovens com TDAH. “Portanto, de uma visão de saúde pública, esporte tem potencial de ser positivo, sem rotular e inserindo abordagens que promovem um bem-estar psicológico”, conta Linda Pagani, psicóloga e pesquisadora da Universidade de Montreal.

Dicas de concentração

Um dos principais incômodos para quem tem TDAH é a falta de concentração. Porém, segundo o Dr. Ariel há uma grande expectativa das pessoas em ter uma fórmula mágica para se concentrar.

“O que muitas vezes as pessoas não entendem é que ter uma alta capacidade de focar, para realizar grandes feitos como passar em um concurso ou realizar seu trabalho com excelência é um desafio pra todas as pessoas. Envolve comprometimento, abnegação, esforço. Mas não há fórmula mágica.” Mas existem algumas técnicas que podem ajudar. Veja a seguir:

Técnicas para se concentrar

  • Organize o espaço ao seu redor: quando as coisas estão em ordem, sua mente pode relaxar e focar no que precisa ser feito. 
  • Aposte nos exercícios físicos: além de melhorar sua qualidade de vida e trazer mais saúde ao seu corpo, as atividades aeróbicas estimulam áreas do cérebro ligadas à memória e à concentração. 
  • Invista em uma alimentação balanceada: alimentos como café, peixes, sálvia e feijão, por exemplo, contêm nutrientes que dão uma forcinha extra na concentração.
  • Aprenda a fazer listas: elas te ajudam na organização e a visualizar melhor suas tarefas ao longo do dia. Assim, você pode usar uma agenda, post-its ou ainda aplicativos no celular.
  • Estabeleça suas prioridades: ficará mais fácil entender a ordem em que precisa realizar suas atividades.
  • Fuja das distrações: especialmente as armadilhas tecnológicas, como as redes sociais. Por isso, silencie as notificações do celular e defina um horário específico para acessar a internet.
  • Estimule seu cérebro por meio de jogos mentais: como sudoku e palavras cruzadas.
  • Não se esqueça de fazer pequenas pausas ao longo do dia: você não é uma máquina e precisa ter períodos de descanso para que possa voltar a se concentrar em uma atividade. Além disso, a técnica Pomodoro é muito utilizada: a cada 25 minutos de trabalho, descanse por 5 minutos.

Perguntas frequentes

1. Existe cura para o TDAH?

Até o momento, não existem meios de “curar o TDAH’, porém, existem formas de amenizar os sintomas por meio do tratamento adequado. Desse modo, técnicas específicas e estratégias podem ajudar a controlar os sintomas e até mesmo o uso de medicamentos em alguns casos. Mas é importante tomar cuidado com a automedicação, já que ela pode gerar riscos à saúde.  

2. TDAH é hereditário?

Uma das causas possíveis do TDAH é a hereditariedade. Ou seja, o transtorno está ligado a um forte componente genético que aumenta as chances de pais e filhos receberem o mesmo diagnóstico. Isso acontece porque o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade pode causar alterações nos genes e que podem ser passados de geração em geração para os pequenos.

Assim, segundo informações do Ministério da Saúde, cerca de 30% das crianças diagnosticadas podem ter um ou ambos pais com o transtorno. Por outro lado, um estudo publicado no periódico científico ADDITUDE, revela que pelo menos um terço de todos os pais que tiveram TDAH na juventude têm filhos com a doença. Além do mais, a maioria dos gêmeos idênticos compartilham o traço relacionado ao transtorno. 

No entanto, isso não significa que se um dos pais (ou ambos) tiverem TDAH o filho herdará o transtorno necessariamente. Na verdade, as chances aumentam, mas não é uma garantia. Ou seja, o gene do TDAH pode ou não se manifestar na criança.

Fontes

  • Rosangela Sampaio, psicóloga e apresentadora do Programa Mulheres em Flow.
  • Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica.

Referências

Instituto NeuroSaber

Agência Einstein

Associação Brasileira de Déficit de Atenção

Sobre o autor

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