Racismo contra Vinícius Júnior; qual é o impacto na saúde mental?

Bem-estar Equilíbrio
23 de Maio, 2023
Racismo contra Vinícius Júnior; qual é o impacto na saúde mental?

Neste domingo (21), Vinícius Júnior, de 22 anos, se manifestou nas redes sociais após ser alvo de ataques racistas em um jogo da La Liga, campeonato espanhol. Casos de racismo, como os vividos pelo jogador, infelizmente, são muito comuns.

Desde 2021, o atacante brasileiro já foi vítima de 10 episódios de racismo e ódio, e as denúncias dos nove episódios anteriores foram arquivadas ou seguem em curso nos tribunais.

“Eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui”, desabafou o jogador no Instagram.

De acordo com dados Observatório da Discriminação Racial no Futebol, entre os anos de 2014 e 2022 houve um crescimento de 180% no número de denúncias em relação a essa prática. 

O que é racismo?

Primeiro, é importante entender o significado do racismo. De acordo com Rejane Sbrissa, psicóloga cognitiva, é uma forma de preconceito étnico pejorativo, motivado pela cor da pele.

“Não nascemos racistas, nos tornamos racistas pela educação, motivos culturais e sociais aprendidos. Ou seja, uma pessoa pode ter uma atitude racista por ódio, com a intenção de humilhar o outro, que ela julga inferior pela cor da pele”, explica Rejane.

Para pessoas racistas, negros não estão aptos a frequentar os mesmos lugares que elas ou ter o mesmo nível social. 

Além disso, a psicóloga ressalta que existem vários tipos de racismo: “o de crime de ódio e discriminação (no qual a pessoa agride por achar que é superior); o institucional (um pouco menos visível); e o estrutural (menos visivel ainda, muitas vezes tão enraizado que nem parecem racismo). Neste último, inclusive, as pessoas podem agir e pensar de maneira racista sem saber.” Para Rejane, o racismo é estrutural na nossa sociedade como um todo. 

Impactos do racismo na saúde mental

Assim como qualquer outro tipo de preconceito, o racismo pode impactar seriamente a saúde mental e física das vítimas. Isso porque vivenciar situações racistas, direta ou indiretamente, afeta a autoestima e autoconfiança da vítima. 

“Além das consequências sociais e econômicas, como por exemplo, ganhar menos que outras pessoas, a população negra tem altos índices de depressão e ansiedade generalizada”, ressalta a psicóloga.

A experiência de ser alvo de discriminação racial, como é o caso do jogador Vinicius Júnior, leva a um estado de hipervigilância constante, ou seja, a pessoa está sempre alerta para possíveis situações de discriminação ou preconceito.

Estrutura emocional

A psicóloga explica que uma das maneiras mais importantes de lidar com este tipo de preconceito, é entender que a culpa nunca é da vítima. “Tem que cuidar muito do autoconhecimento e aprender a se valorizar. Todo mundo é igual, todos são seres humanos, a cor da pele não vai fazer diferença no caráter da pessoa”, diz.

Dessa forma, o ideal é que esse cuidado venha desde a infância, para que a criança cresça com uma estrutura emocional. “Ensinar os filhos de que não precisa alisar o cabelo para ser bonita. Porque as crianças sofrem esse racismo desde pequeno e vão crescendo adultos com baixa autoestima, se sentindo deslocados e com complexo de inferioridade”, aponta a psicóloga.

Rejane lembra que é essencial que os pais ensinem os filhos a respeitarem as diferenças desde a infância: “Mostre que as diferenças estão em todos os lugares, nos brinquedos, nos idiomas, nos costumes, nas amizades, culturas de povos, etc. Proporcione a convivência entre diferentes raças e etnias. Além disso, ensine-os a serem respeitosos e não preconceituosos.”

Leia também: Capacitismo: O preconceito contra pessoas com deficiência

Racismo sofrido por Vinícius Júnior também afeta quem o acompanha

Milhares de pessoas acompanham e admiram Vini Jr. Por isso, após a repercursão do assunto, a situação revoltou não só o jogador e seus amigos e familiares, como também as pessoas na internet. 

Mas, principalmente, as pessoas que também sofrem racismo. “Quem também é negro pode pensar, se alguém tão famoso e com tantos fãs sofre racismo, imagina elas?”, ressalta Rejane.

Segundo a profissional, para que esse tipo de crime não aconteça, deve haver algum tipo de punição. “Senão as pessoas que sofrem de racismo vão ter ainda mais certeza que os racistas ficam impunes”, completa a especialista.

Fonte: Rejane Sbrissa, psicóloga cognitivo comportamental.

Sobre o autor

Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.

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