Racismo: impactos na saúde mental das vítimas crianças

Bem-estar Equilíbrio
03 de Agosto, 2022
Racismo: impactos na saúde mental das vítimas crianças

Recentemente, os filhos da atriz Giovanna Ewbank e do ator Bruno Gagliasso sofreram racismo em um restaurante em Portugal. A situação revoltou não só os pais das vítimas, como também as pessoas na internet, após um vídeo sobre o caso repercutir nas redes sociais.

“Foi a primeira vez que a minha filha me viu combatendo o racismo de frente, porque a gente fala muito sobre isso com eles, mas ela nunca tinha me visto combatendo de frente como foi feito. Ela ficou muito assustada. O Bless não percebeu muita coisa, porque ele estava brincando. Mas a Titi entendeu tudo”, disse Giovanna em entrevista ao Fantástico.

Foto: Reprodução/Instagram

O que é racismo?

De acordo com Rejane Sbrissa, psicóloga cognitiva, o racismo é uma forma de preconceito étnico pejorativo, motivado pela cor da pele.

“Não nascemos racistas, nos tornamos racistas pela educação, motivos culturais e sociais aprendidos. Ou seja, uma pessoa pode ter uma atitude racista por ódio, com a intenção de humilhar o outro, que ela julga inferior pela cor da pele”, explica Rejane.

Para pessoas racistas, negros não estão aptos a frequentar os mesmos lugares que elas ou ter o mesmo nível social. 

Além disso, a psicóloga ressalta que existem vários tipos de racismo: “o de crime de ódio e discriminação (no qual a pessoa agride por achar que é superior); o institucional (um pouco menos visível); e o estrutural (menos visivel ainda, muitas vezes tão enraizado que nem parecem racismo). Neste último, inclusive, as pessoas podem agir e pensar de maneira racista sem saber.”

Consequências do racismo para as vítimas

De fato, assim como qualquer outro tipo de preconceito, o racismo pode impactar seriamente a saúde mental e física das vítimas. Isso porque vivenciar situações racistas, direta ou indiretamente, impacta a longo prazo o desenvolvimento e comportamento de uma criança. 

“O racismo causa sentimentos como falta de auto estima e autoconfiança. As experiências de violência, exclusão e ausência de apoio para lidar com isso faz com que a mente da criança fique constantemente em alerta, esperando algo ruim acontecer a todo momento. E com o estresse tóxico, há o desgaste das conexões neurais, prejudicando o aprendizado e o comportamento, por exemplo”, ressalta a psicóloga cognitiva.

Vivenciar essas situações na infância é ainda pior. Pois, durante essa fase, nós nos desenvolvemos física e emocionalmente, e começamos a construir a capacidade de acreditar no próprio potencial. 

Rejane lembra, ainda, que crianças submetidas a esse estresse tóxico por um longo período têm maiores chances de desenvolver doenças crônicas como a diabetes e a hipertensão. A saúde mental é ainda mais afetada: o índice de depressão e suicídio entre as crianças e adolescentes negras são maiores.

Como os pais de crianças vítimas de racismo podem abordar o tema?

O mais importante é que as crianças vítimas de racismo tenham o apoio dos pais. “Abrace seus filhos e mostre apoio. Converse sobre o ocorrido e explique que a atitude racista do outro é a errada, não tem mal algum ela ser da cor que é. Tente mostrar que somos todos diferentes e isso é que traz maior enriquecimento de vida, aprender com as diferenças”, diz Rejane.

A psicóloga explica que, para crianças que lidam com o racismo constantemente, o ideal é fazer psicoterapia. “Assim ela cria autoconhecimento e aprende a se valorizar e ter auto estima. Além da diminuição do estresse para ter uma saúde física e mental desenvolvida”, afirma.

Leia também: Capacitismo: O preconceito contra pessoas com deficiência

Ensine seus filhos desde cedo a não serem racistas

Para Rejane, é essencial que os pais ensinem os filhos a respeitarem as diferenças desde a infância. “Mostre que as diferenças estão em todos os lugares, nos brinquedos, nos idiomas, nos costumes, nas amizades, culturas de povos, etc. Proporcione a convivência entre diferentes raças e etnias. Além disso, ensine-os a serem respeitosos e não preconceituosos.”

Os pais são “espelhos” para os filhos e as crianças aprendem muito mais se eles forem exemplos. Por isso, é essencial ser coerente e agir de tal maneira, mostrando aos filhos a importância de respeitar ao próximo.

Fonte: Rejane Sbrissa – Psicóloga Cognitiva

Sobre o autor

Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.

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