Positividade tóxica e otimismo: como lidar com as emoções?

Bem-estar Equilíbrio
19 de Outubro, 2023
Positividade tóxica e otimismo: como lidar com as emoções?

O otimismo é uma forma de enxergar os pontos positivos da vida sem ignorar os negativos, ao contrário do que acontece na positividade tóxica. Esse último termo, muito usado em discussões sobre pensamentos excessivamente positivos na pandemia, indica evitar emoções e tentar esforçadamente buscar um lado bom mesmo em momentos de dificuldade.

É fato que nem todo mundo lida bem com as fases difíceis quando é preciso vivenciar a tristeza, a raiva, a angústia, o luto. No entanto, é importante identificar os sentimentos e evitar a positividade tóxica. De acordo com o médico coordenador da psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein, Alfredo Maluf, o comportamento é diferente da positividade saudável ou do otimismo. Entenda:

Leia mais: Positividade tóxica: O que é e como pode nos afetar

Positividade tóxica e otimismo: estudos sobre o tema

Segundo o especialista, as emoções são como uma “zona de equilíbrio”. Assim, elas se dividem em positivas e negativas. É natural que algumas pessoas apresentem tendências negativas, enquanto outras buscam uma maior positividade na forma de enxergar o mundo. “O problema é que quando há um desequilíbrio nesta zona, cria-se uma espécie de mecanismo de defesa de situações irreais, onde se tenta a todo instante eliminar a parte negativa das emoções e da vida,” comenta.

Um estudo realizado pelos departamentos de psicologia das Universidades de Denver e de Nevada, nos Estados Unidos, indicou que não aceitar emoções negativas, como raiva, culpa e medo, pode gerar problemas na saúde mental. Por exemplo, a depressão e a ansiedade.  A pesquisa foi realizada com 116 mulheres que responderam a questionários sobre aceitação e afetos negativos. Além disso, elas assistiram a dois vídeos projetados para induzir sentimentos em diferentes escalas. Após cada vídeo, as participantes avaliaram a intensidade máxima de emoções negativas que experimentaram durante a exibição.

Com a experiência, os autores relatam que a negação de sentimentos tende a ocorrer com frequência. Como consequência, pode ser prejudicial à saúde mental: “paradoxalmente, aceitar, em vez de evitar uma emoção negativa, pode estar associada a níveis mais baixos de afeto negativo”, comentam os responsáveis pelo estudo.

Os riscos de ser positivo demais

O psiquiatra do Einstein explica que “a pessoa que apresenta um positivismo tóxico sempre acha que tudo vai dar certo. Acha que as coisas sempre se encaixam e assim tenta se proteger dos lados da tristeza e amarguras da vida. Diante disso, ela reproduz atitudes e frases que passam por cima de sentimentos ruins. Ou seja, a frase ‘pense positivo’ muitas vezes já é um positivismo tóxico em momentos que não é possível levar a situação com positividade”, pontua Maluf. 

Além disso, entender os sentimentos com mais naturalidade também auxilia no entendimento. Por exemplo, raiva, tristeza, desânimo e sentimentos negativos são comuns e inevitáveis. De acordo com o psiquiatra, é diferente de patologias como a depressão e níveis elevados de ansiedade.

Desse modo, a positividade tóxica pode prejudicar a saúde de um indivíduo, impedindo-o de trabalhar, pensar e aprender com os momentos difíceis, que têm o mesmo valor das experiências boas. Maluf também observa que essa negação das próprias emoções tem potencial de acontecer também em ambientes e relações tóxicas.   

Como se afastar da positividade tóxica?

Primeiramente, é fundamental desenvolver a aceitação de emoções. Além disso, outros costumes e práticas podem auxiliar no afastamento da positividade tóxica. O artigo ‘‘Toxic positivity’: Why it is important to live with negative emotions”, publicado no “The Conversation”, aponta que mudanças simples de atitude já evitam padrões. Por exemplo, praticar a escuta e o entendimento de pessoas com problemas e substituir frases como “vai ficar tudo bem” e “pense positivo” por “foi um dia difícil, não foi?”. 

Já Maluf recomenda uma atenção maior em alguns conteúdos de autoajuda, sobretudo livros ou redes sociais. “Deve-se analisar se tais conteúdos auxiliam o leitor a refletir sobre as emoções ou se o incentiva a negar seus pensamentos e sentimentos.”  

Por fim, na visão do psiquiatra, é necessário possuir condição e equilíbrio para poder refletir sobre os sentimentos, em vez de afastá-los, mesmo que sejam difíceis. “Quanto mais aceitarmos que a vida não é um mar de rosas, você estará mais preparado para as alegrias e as frustrações. Até das coisas que não esperamos, mas que fazem parte da vida”, conclui o especialista. 

Fonte: Agência Einstein.

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