Meningite C: conheça a doença que afeta especialmente as crianças

12 de janeiro, 2022

A meningite é uma grave infecção das meninges – membranas que envolvem o cérebro -, um problema que pode afetar toda a região e atrapalhar o transporte do oxigênio para as células do organismo. Essa doença pode ser causada por diferentes bactérias, vírus e até fungos. Uma das suas versões é a meningite C, que também atende pelo nome de meningite meningocócica e é causada pela bactéria Neisseria meningitidis

Sintomas da meningite C

De acordo com Guilherme Spina, clínico geral e membro da plataforma Doctoralia, os sintomas mais comuns da meningite C lembram bastante os sinais de outras doenças mais corriqueiras, como a gripe. Entre eles estão o início súbito de febre e dor de cabeça. No entanto, um forte indício dessa condição é a rigidez na nuca, que pode dificultar a pessoa encostar o queixo no peito.

“Muitas vezes há outros sintomas como mal-estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), status mental alterado (confusão)”, complementa o médico, dizendo que, com o passar do tempo, sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer: convulsões, delírio, tremores e coma.

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Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas podem estar ausentes ou serem difíceis de notar. “O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou irresponsivo a estímulos. Também pode apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais”, alerta Guilherme.

E por falar em crianças pequenas, é importante saber que, embora qualquer pessoa possa contrair a doença, o maior risco de meningite C está no público menor de cinco anos, especialmente os menores de um ano de idade. “Na doença causada pelo meningococo, além das crianças, adolescentes e adultos jovens têm o risco de adoecimento aumentado em surtos.”

Complicações da meningite C

Os tipos de meningite ocasionados por contaminação bacteriana são os mais preocupantes, uma vez que têm elevado número de casos e facilidade de transmissão por secreções respiratórias, situação que pode provocar surtos, sobretudo entre o público infantil. 

“É importante saber que algumas pessoas podem transportar as bactérias dentro ou sobre seus corpos sem estarem doentes. Essas pessoas são chamadas de ‘portadoras’. A maioria dessas pessoas não adoece, mas ainda assim pode espalhar as bactérias para outras pessoas.”

Com relação às complicações, o clínico alerta que a meningite C é uma doença grave, que pode levar à necessidade de hospitalização, inclusive em UTI. Se não tratada, pode também deixar sequelas neurológicas, assim como surdez, amputação e até levar à morte. 

Como é feito o diagnóstico

“A meningite é uma síndrome na qual, em geral, o quadro clínico é grave, por isso, quando achar que você ou alguém próximo pode estar com sintomas deve procurar atendimento médico o mais rápido possível”, ressalta Guilherme. 

Somente um médico pode identificar a presença da doença, o tipo de meningite e o melhor tratamento. Para confirmar o diagnóstico, ele precisa, primeiramente, observar os sintomas e solicitar exames como punção lombar, que analisa uma pequena amostra do líquido retirado da medula espinhal, e hemograma.

Tratamento e vacinação

Guilherme esclarece que o tratamento da meningite C é realizado a partir do uso de antibióticos endovenosos em regime de internação hospitalar. O isolamento do paciente é necessário porque “a transmissão da bactéria para outras pessoas é muito fácil”. Além disso, o internamento é útil pois a equipe médica pode monitorar o estado de saúde e, assim, evitar complicações.

A principal forma de prevenir e evitar a meningite C é por meio da vacinação. “No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica. Casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno e das virais na primavera-verão”, detalha o clínico.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) recomenda que a vacina seja oferecida para crianças, adolescentes e adultos. Além da meningite C, ela protege contra três outros tipos de meningococos.

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“Para crianças, a vacinação de rotina deve iniciar aos três meses de idade com duas doses no primeiro ano de vida e reforços entre 12 e 15 meses, entre cinco e seis anos e aos 11 anos de idade. Para adultos, somente em situações que justifiquem e em dose única”, diz Guilherme.

Além disso, o Programa Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, disponibiliza três doses da vacina contra a meningite C na infância: aos três e cinco meses, com um reforço aos 12 meses, que pode ser aplicado até antes de completar cinco anos. “Para adolescentes, uma dose é oferecida entre 11 e 12 anos (como reforço ou dose única, a depender da situação vacinal)”, conclui o médico.

Fonte: Guilherme Spina, clínico geral e membro da plataforma Doctoralia

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