Melatonina combate o envelhecimento?

21 de novembro, 2019

A melatonina é um hormônio que o corpo produz naturalmente. É sintetizado pela glândula pineal, uma parte do cérebro que controla os padrões de sono. Quando está escuro, o corpo produz mais melatonina e ajuda a adormecer. 

A substância também está disponível como um suplemento. Estudos clínicos demonstraram que esses suplementos podem ser eficazes no tratamento de problemas do sono.

Agora, defensores do suplemento também estão alegando o uso do hormônio para outros fins, incluindo melatonina no combate ao envelhecimento. 

O que diz a ciência

Há alegações de que os níveis de melatonina diminuem enquanto envelhecemos. Essas alegações são baseadas na observação de que os idosos precisam de menos sono. Essa observação é um mito. De fato, os idosos precisam dormir tanto quanto os adultos mais jovens. E os níveis de melatonina em indivíduos saudáveis não diminuem com a idade.

Estudos mostraram que a melatonina, tomada por via oral cerca de 30 a 60 minutos antes do sono, diminui o tempo necessário para adormecer. Mais pesquisas são necessárias para determinar os efeitos a longo prazo da suplementação de melatonina. Portanto, ainda não há evidências e nem comprovações de que a melatonina é capaz de combater o envelhecimento.

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Para quem é indicada

A melatonina possui várias recomendações, que variam de casos de sono irregular, quando se demora a pegar no sono e situações de jet lag (descompensação horária por causa de fuso), que desequilibram a rotina e o ciclo circadiano (período de 24h que se baseia o ciclo biológico dos seres vivos). Além disso, é recomendada para pessoas com deficiência visual, que não possuem percepção de luminosidade, o que prejudica a produção do hormônio; e para idosos, pois há uma queda natural nos níveis de melatonina com o envelhecimento.Transtornos psiquiátricos e neurológicos também podem ser amenizados pelo uso do hormônio, como ansiedade, depressão e até autismo, que teve um estudo interessante realizado em 2017.

A pesquisa foi publicada no Journal of American Academy of Child & Adolescent Psychiatry reuniu 125 crianças autistas, que foram divididas em dois grupos. Um deles ingeriu um suplemento de melatonina por algumas semanas, e o outro consumiu cápsulas de placebo. No primeiro grupo foi atestado que a melatonina beneficiou 38 das 56 crianças. Do grupo de 61 crianças que tomava placebo, 12 apresentaram melhora dos sintomas.

Como obtê-la

A procura pelo hormônio nos Estados Unidos é muito alta, tanto que o país comercializa a melatonina sintetizada e em forma de cápsulas para ser suplementada. Em qualquer farmácia, é possível encontrar a substância por causa do FDA (Food and Drug Administration)​, que não considera a melatonina um medicamento. Por lá, ela é encontrada em forma de cápsulas, spray nasal, comprimidos e gotas, geralmente em doses de até 10mg. Essa posologia, entretanto, pode ser alta, visto que a glândula pineal produz 0,1 mg de melatonina por dia.

Aqui no Brasil as leis são um pouco diferentes, e só é possível obter a melatonina em farmácias de manipulação, com receita médica. Dessa forma, é mais fácil ajustar a dose mais adequada para cada indivíduo. 

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