Ingerir os carboidratos por último na hora da refeição ajuda a combater o pré-diabetes

Alimentação Bem-estar Saúde
26 de Março, 2024
Ingerir os carboidratos por último na hora da refeição ajuda a combater o pré-diabetes

Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que, na hora da refeição, é importante organizar a ordem do consumo dos macronutrientes, responsáveis em fornecer energia ao organismo, como carboidratos, proteínas e gorduras. Segundo os pesquisadores, essa é uma boa estratégia para ajudar a equilibrar os níveis de glicose no sangue. Uma forma de começar as refeições é comer primeiro as proteínas e/ou os vegetais e ingerir os carboidratos por último, gerando assim um pico de glicose menor.

De acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 35 milhões de brasileiros convivem com o pré-diabetes. O estágio que precede a doença em si. Além disso, essa é a única etapa em que é possível reverter o quadro, evitando que ele avance para diabetes. A evolução acontece com aproximadamente 25% dessas pessoas no período de três a cinco anos.

As recomendações para tratar o problema são focadas nas mudanças de hábitos. Portanto, pode envolver práticas como exercícios físicos e a redução do consumo de alimentos ricos em sal, gorduras, açúcar e carboidratos. 

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Benefícios de ingerir carboidratos por último

Agora o estudo feito por pesquisadores da Universidade de Columbia, da Weill Cornell Graduate School of Medical Sciences e da Universidade Rockefeller, todas em Nova York, EUA, mostra que ordenar corretamente o consumo dos alimentos também surte efeito na saúde.

No trabalho, os voluntários se dividiram em três grupos. O primeiro comeu primeiro os carboidratos e partiu para as proteínas e os vegetais. O segundo iniciava pelas proteínas e vegetais e no final comeram os carboidratos e um terceiro grupo, que primeiro ingeriu os vegetais, seguidos pelas proteínas e pelos carboidratos.  

Acompanhamento da glicose e insulina

O próximo passo foi analisar, várias vezes em um período de até três horas após o consumo, as taxas de glicose e insulina no sangue dos participantes. O experimento aconteceu durante três dias alternados e em todos eles os voluntários estavam em jejum de 12 horas.

Os participantes, com pré-diabetes e taxas de glicemia em jejum similares, foram escolhidos para fazer parte dos grupos em cada rodada de maneira aleatória.   

Pico de glicose entre 30 e 40% menor

Os resultados mostraram que os participantes que optaram por ingerir os carboidratos por último tiveram seu pico de glicose entre 30 e 40% menor, em comparação com o outro grupo. Além disso, o grupo que iniciou pelos vegetais foi o que menos precisou do uso de insulina para metabolizar a glicose obtida através da comida.

Os pesquisadores acreditam que isso se deu porque a gordura das proteínas e as fibras dos vegetais retardaram a velocidade da absorção da glicose dos alimentos.   

“A digestão começa pela boca, mas o único nutriente que tem esse processo iniciado nessa parte do corpo é o carboidrato, que depois passa para o estômago e, em seguida, para o intestino, o que faz com que ele esteja disponível para a absorção mais rápido do que as proteínas e gorduras, que começam a ser digeridas quando estão no trato gastrointestinal”, explica Valéria Machado, nutricionista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  

“Se a pessoa ingere uma fonte de proteína ou gordura antes, o carboidrato que chega logo em seguida não terá o caminho livre para ser absorvido prontamente. Portanto, isso retarda sua entrada no sangue”, acrescenta a nutricionista Anna Gomes, educadora em diabetes pela Sociedade Brasileira de Diabetes e International Diabetes Federation.

Ela explica ainda que as fibras solúveis provenientes dos vegetais são capazes de formar um gel no trato gastrointestinal. Assim, tornando a absorção dos carboidratos mais lenta.  

Ingerir os carboidratos por último tem efeito no pré-diabetes

Esse efeito é muito importante no caso dos pré-diabéticos, já que eles têm dificuldade para processar a glicose. “Isso acontece porque o seu organismo pode não ser capaz de produzir a quantidade de insulina suficiente. Outra possibilidade é que essa insulina pode não ser tão eficiente”, diz Adriana Martins Fernandes, endocrinologista do Programa de Diabetes do Hospital Israelita Albert Einstein.  

“Por fim, a insulina é o hormônio que permite a entrada do açúcar nas células, onde ele será usado como uma fonte de energia. Nesse cenário, a glicose não é adequadamente metabolizada, resultando em picos glicêmicos no sangue”, complementa a endocrinologista. Se não for combatido adequadamente, em longo prazo esse quadro tende a desencadear o diabetes. Além disso, outros problemas podem surgir, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), doenças cardiovasculares, males renais, retinopatia (a enfermidade que afeta os pequenos vasos da retina) e neuropatia (quadro que compromete os nervos, prejudicando a comunicação entre o cérebro e os membros).   

Fonte: Agência Einstein.

 

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