Dia Mundial do Veganismo: 7 mitos e verdades

Alimentação Beleza Bem-estar
01 de Novembro, 2022
Dia Mundial do Veganismo: 7 mitos e verdades

Nessa terça-feira é o Dia Mundial do Veganismo. A dieta vegana é, de um lado, apontada como a “salvação” por quem segue esse estilo de vida, mas também é criticada por muitos. Da mesma forma, não falta quem acredite que cosméticos veganos são menos eficazes, ou que pacientes veganos não têm resultado quando fazem procedimentos estéticos. O que é verdade e o que é mito nessa história?

“Em toda dieta baseada em plantas, o importante é priorizar a escolha de alimentos saudáveis e variados. É indispensável que em todas as refeições sejam identificados proteínas, carboidratos e gorduras de boa qualidade. É necessário, no entanto, um maior cuidado com relação ao consumo de proteínas de origem vegetal, como as leguminosas”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez.

De acordo com a especialista, o consumo de vegetais folhosos, frutos, grãos, sementes oleaginosas, cogumelos e algas é igualmente importante. Abaixo, a médica e outros especialistas falam sobre os principais mitos e verdades sobre o veganismo.

Dia Mundial do Veganismo: é verdade que a alimentação vegana nem sempre é mais saudável

A dieta vegana também pode contar com muitos alimentos ultraprocessados. “Muitos desses produtos produzidos a partir de plantas, especialmente as carnes, são considerados alimentos ultraprocessados, isto é, são formulações industriais fabricadas a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos (no caso, as plantas) e sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, conservantes e aditivos). Esse processamento é o que torna tais alimentos mais agradáveis ao paladar e similares aos produtos que se propõem a substituir, mas também é o que faz com que não sejam tão saudáveis quanto os alimentos in natura, podendo, dependendo da composição, aumentar o risco de certos problemas de saúde, como obesidade, colesterol e doenças cardiovasculares”, conta Garcez.

No Dia Mundial do Veganismo, ela ressalta que é importante prestar atenção ao que se está comprando e entender como aquele produto foi feito. Dessa forma, vendo o que traz em sua composição. Para a médica, a melhor opção para quem deseja parar de consumir produtos de origem animal de maneira saudável é apostar em preparações caseiras de alimentos vegetais in natura.

Dia Mundial do Veganismo: é mito que a dieta vegana faz o cabelo cair

Se bem estruturada, a dieta vegana não interfere na saúde e crescimento dos fios, destaca a explica a Dra. Jaqueline Zmijevski, dermatologista e tricologista.

“No entanto, falta de proteínas, ferro, zinco e vitaminas podem ocasionar eflúvio telógeno, ou seja, a queda dos fios. Quando pensamos em construção do fio de cabelo, dois aminoácidos essenciais são mais relevantes: a metionina e a lisina. Por isso, a dieta vegana precisa contar com alimentos fontes desses aminoácidos, como feijão, lentilha, brotos, soja, grão de bico, quinoa, amêndoa, nozes e castanha-do-Pará. A tradicional combinação brasileira de feijão com arroz é eficiente porque garante os dois: o arroz é rico em metionina e deficiente em lisina, enquanto o feijão é rico em lisina e deficiente em metionina”, explica a dermatologista.

Alguns desses alimentos também são fontes de zinco e ferro, outros minerais importantes para o cabelo. A Vitamina B12 também é uma preocupação, já que sua deficiência é uma das principais causas de queda capilar em veganos e vegetarianos. “Nesse caso, suplementos orais ou alimentos enriquecidos podem ajudar. Ambos utilizam vitamina B12 produzida a partir de cultura de bactérias em laboratório”, conta a médica.

No geral, suplementos são necessários para pessoas veganas: verdade

Segundo a médica nutróloga, geralmente é possível que uma dieta baseada no consumo de vegetais ou exclusivamente composta de vegetais, desde que bem planejada, conte com todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde do organismo.

“Porém podem ocorrer carências e algumas são mais frequentes nos casos de pessoas vegetarianas e veganas, como as carências de proteínas, Vitamina B12, cálcio e ferro. Mas a suplementação mais recomendada é da Vitamina B12, cujas principais fontes são de alimentos de origem animal. Todas as carências podem ser evitadas com uma dieta equilibrada e na maioria das vezes corrigidas com o consumo de alimentos fonte desses nutrientes, mas em casos de carências maiores os suplementos alimentares podem ser necessários”, diz a nutróloga Marcella Garcez.

Leia também: Dieta plant-based e veganismo: Qual a diferença?

Dia Mundial do Veganismo: é verdade que a dieta vegana protege os rins

Esse tipo de dieta também pode trazer benefícios aos rins, de acordo com explica a médica nefrologista Dra. Caroline Reigada.

“Uma alimentação baseada em verduras, legumes e grãos está associada à diminuição de fatores de risco relacionados à doença renal. Isso acontece porque há um maior aporte de fibras e antioxidantes na dieta. Esses nutrientes ajudam o corpo contra componentes inflamatórios e o estresse oxidativo. Além disso, a dieta vegana reduz o risco de hipertensão, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica – três problemas que têm alta ligação com doenças renais”, diz a nefrologista.

“Devemos ressaltar, sempre, que esse tipo de benefício não se aplica àqueles pacientes que mantêm um alto consumo de alimentos ultraprocessados, principalmente os ricos em sódio e aditivos químicos alimentares, que estão relacionados à inflamação. O planejamento de uma dieta vegana requer muitos cuidados e a consulta com um profissional é fundamental”, acrescenta a Dra. Caroline.

Dieta vegana afeta a fertilidade: depende 

“De uma forma geral, temos que pensar em ofertar os nutrientes adequados para o organismo, sejam eles de origem animal ou vegetal. Quando a dieta fornece os macros e micronutrientes necessários, não há interferência alguma da alimentação para dificultar a concepção de um filho”, explica o Dr. Fernando Prado.

“No entanto, se houver, por exemplo, baixo consumo proteica ou de ômega-3, isso pode afetar a qualidade do óvulo”, acrescenta o médico. Dependendo do padrão alimentar, os veganos correm o risco de ficar com baixo teor de zinco, ferro e vitamina B12, por exemplo, substâncias que são presentes na carne.

“Caso essa seja uma carência, o ômega-3 também pode ser suplementado com fontes veganas (algas)”, diz o Dr. Fernando. O zinco e ferro também podem ser achados em alimentos vegetais. Outra ‘crítica’ constante à dieta vegana é com relação às proteínas, que fornecem os blocos de construção para óvulos e hormônios saudáveis (o que também tem alta relação com a fertilidade). Mas elas podem ser obtidas de fontes vegetais.

Procedimentos estéticos em veganos têm pior resultado: mito

Segundo a Dra. Cláudia Merlo, médica especialista em Cosmetologia, todo procedimento estético para bioestímulo de colágeno depende de ingestão adequada de proteína para síntese de colágeno e elastina. “Portanto, para esses pacientes, o importante é ter consumo de proteína vegetal combinada, oferecendo aminoácidos essenciais necessários para a formação de colágeno e elastina”, diz a Dra. Cláudia.

Vale a pena apostar na soja, grão-de-bico e outras leguminosas, geralmente combinando com um cereal (arroz e feijão, milho e ervilha), de acordo com a nutróloga Dra. Marcella Garcez.

Dia Mundial do Veganismo: é mito que os cosméticos veganos são mais fracos

Não há nenhuma definição oficial para cosméticos veganos, mas esses produtos normalmente são classificados como cosméticos que não possuem ingredientes de origem animal (carne, aves, peixe, ovos, laticínios, mel, própolis, geleia real, entre outros), nem subprodutos de animais (tais como corantes de insetos, seda etc.) e que também não são testados em animais (ingredientes e produto finalizado), segundo Maria Eugênia Ayres, farmacêutica e gestora técnica da Biotec Dermocosméticos.

“Os benefícios dos cosméticos veganos são os mesmos que os tradicionais. Eles ajudam a hidratar, retardar sinais de envelhecimento e fazer tudo aquilo que os convencionais fazem, mas sem utilizar produtos de origem animal. Para isso, utilizam equivalentes químicos e vegetais, garantindo os cuidados da pele e da beleza”, garante Maria Eugênia. Há inúmeros ativos para o rejuvenescimento que são veganos – e são referência em ação rejuvenescedora e pró-idade.

“O ácido hialurônico de baixo peso molecular vetorizado pelo Silício Orgânico Hyaxel®, por exemplo, é um ativo vegano obtido através de biotecnologia. Além da máxima ação hidratante, ele intensifica a renovação epidérmica (efeito retinoic-like) e aumenta o sistema de defesa da pele, combatendo reações inflamatórias. Outra novidade é a tecnologia de ação rejuvenescedora profunda, atuando nos telômeros, por meio de Telodormin®, um extrato derivado de Bulbos dormentes da planta Narcissus tazetta. Este ativo preserva o comprimento dos telômeros, retardando o envelhecimento cutâneo”, finaliza a farmacêutica.

Fontes: Cláudia Merlo, médica especialista em Cosmetologia; Caroline Reigada, nefrologista; Fernando Prado, ginecologista e obstetra; Jaqueline Zmijevski, dermatologista; Maria Eugenia Ayres, farmacêutica; Marcella Garcez, nutróloga. 

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