Corpo de Barbie: impactos físicos e mentais da busca pela “perfeição”

Bem-estar Equilíbrio
20 de Julho, 2023
Corpo de Barbie: impactos físicos e mentais da busca pela “perfeição”

Hoje (20/07), acontece no Brasil a estreia do filme “Barbie”, estrelado por Margot Robbie e dirigido por Greta Gerwig. O longa, que retrata a história da boneca mais famosa do mundo, já bateu recordes antes mesmo do seu lançamento. Isso porque de acordo com o site Ingresso.com, trata-se da maior pré-venda de 2023. O tema, para muita gente, desperta memórias da infância, mas também levanta a discussão sobre o estereótipo de “corpo de Barbie” – que, por muitos anos, foi sinônimo de beleza e perfeição.

Corpo de Barbie: meta atingível?

Barriga negativa, pernas estreitas, seios avantajados e roupas cor de rosa. Durante um bom tempo, a boneca foi retratada com um corpo esguio – e relacionada ao físico “ideal”. Assim, meninas e mulheres que não se encaixavam nesse padrão, desejavam obtê-lo.

De acordo com o cirurgião plástico Dr Luiz Haroldo Pereira, esse tipo de comportamento tem a ver com a valorização extrema da magreza, que muitas vezes leva as pessoas a buscarem um corpo inalcançável – recorrendo até a procedimentos perigosos ou não recomendados para elas.

“Um exemplo é a lipo HD, que não é indicada para todo mundo, mas que alguns pacientes procuram para ficar com o mínimo de gordura corporal possível – e a gente sabe que isso nem sempre acontece”, explica o médico.

Nesses casos, as chances de insatisfação com os resultados dos procedimentos estéticos são muito grandes. O professor de psicanálise e psicanalista Ronaldo Coelho comenta sobre a probabilidade de a pessoa se sentir falhando miseravelmente ao perceber que as mudanças que realizou não transformaram a sua vida. “Diante deste cenário, ao falhar, a pessoa, que já tinha alguns problemas e insatisfações consigo mesma, pode adoecer”, complementa.

Leia também: Dismorfia corporal: o que é, sintomas e como tratar

Como lidar

O cirurgião afirma que é papel do médico alinhar as expectativas do paciente e explicar que nem sempre é possível alcançar o resultado sonhado. “O maior risco que eu enxergo é o de a pessoa consultar um profissional não habilitado. O que pode gerar deformidades que precisarão ser resolvidas posteriormente”, ele diz.

Além disso, vale ressaltar a importância de buscar ajuda psicológica. “O tratamento psicanalítico se destina a cuidar do sofrimento, e não do desejo de se parecer outra pessoa, como se a pessoa tivesse que mudar sua escolha – não necessariamente”, fala Ronaldo.

Segundo ele, a análise focará no cuidado com as expectativas criadas. E no caso em que a busca por um padrão irreal visa “curar” algum tipo de ferida ou trauma, o apoio psicológico irá trabalhá-los.

Fontes: Dr Luiz Haroldo Pereira, cirurgião plástico, médico especialista em cirurgia geral e Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; Ronaldo Coelho, professor de psicanálise e psicanalista.

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