Nos últimos anos, a saúde do coração ganhou espaço nas notícias e não é à toa. Ainda neste ano, estima-se que quase 400 mil brasileiros falecerão por doenças cardiovasculares. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), são mais de 1.100 mortes por dia — 1 a cada 90 segundos. Afinal, é possível ter um coração mais saudável e reduzir as chances de ser uma vítimas da condição? Segundo José Carlos Nicolau, diretor da unidade de Coronariopatia Aguda do Incor, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar nesse sentido. “Certas doenças, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral são evitáveis, pois estão relacionadas a hábitos e comportamentos do indivíduo”, explica o médico.
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Certamente você já ouviu falar que nosso coração é uma máquina complexa, responsável por bombear o sangue do corpo e distribuí-lo para órgãos e tecidos. Ele desempenha a função com o auxílio do sistema vascular, formado por vasos sanguíneos e artérias. Um não existe sem o outro; quando algo não vai bem nesses sistemas, o indivíduo corre o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. “De forma geral, essas doenças causam a maioria das mortes no mundo, inclusive no Brasil. A princípio, o infarto do miocárdio e o AVC são, de longe, as mais comuns”, afirma Nicolau.
Já a causa dessas doenças pode ser a aterosclerose, que nada mais é que o entupimento de veias e artérias. Como resultado, o fluxo de sangue não consegue circular livremente e compromete o transporte do oxigênio e outros nutrientes essenciais. É assim que o indivíduo tem um infarto ou AVC, ambos muito perigosos.
Segundo o cardiologista, a aterosclerose ocorre devido a diversos fatores de risco. “Colesterol descontrolado, hipertensão, diabetes, tabagismo, obesidade, estresse… A lista é longa e muitos desses fatores são controláveis”, alega.
Jadelson Andrade, diretor nacional de cardiologia dos hospitais da rede Dasa, endossa a palavra de José Carlos Nicolau. “Prevenir é o primeiro e mais importante movimento para a redução de mortalidade. Por meio do uso de tabelas de score de riscos, é possível calcular a probabilidade de uma pessoa ter, nos próximos 10 anos, um evento cardiovascular. A partir dessa análise, podemos orientá-la a mudar seus hábitos”, diz.
Tais hábitos podem ser desafiadores no começo. Principalmente se eles fazem parte de sua vida há muito tempo. Dessa forma, comece por pequenas mudanças para o processo tornar-se mais fácil. Veja algumas que contribuem para um coração mais saudável:
Os alimentos ultraprocessados carregam muito sódio, gorduras, açúcares e outras substâncias que prejudicam a saúde cardiovascular. Em excesso, favorecem os fatores de risco citador por Nicolau: obesidade, diabetes, hipertensão, entre outros problemas. Reduza o consumo dessa classe de alimentos e priorize refeições com mais verduras, grãos, legumes e frutas.
Outro conselho essencial para quem deseja ter um coração mais saudável. Entretanto, antes de iniciar a “vida fitness”, vá ao médico para fazer um check-up e avaliar se há restrição para exercícios. Com o aval médico, aposte em atividades como musculação e caminhadas, pois cada uma trabalha uma capacidade do corpo.
Exercícios mais intensos, como andar rápido e correr, aumentam a frequência cardíaca e fortalecem o sistema cardiorrespiratório. A longo prazo, o movimento previne doenças cardiovasculares e muitas outras que influenciam o quadro.
Se você for a qualquer médico de qualquer especialidade, tenha certeza de que irá ouvir esta recomendação. O tabagismo e o alcoolismo são dois hábitos extremamente nocivos à saúde, pois não afetam apenas a saúde cardiovascular. Ambos podem causar vários tipos de câncer, complicações no fígado, rins, pulmões, e muitas outras.
*Doenças congênitas e malformações exigem cuidados e acompanhamento específicos. Então, as dicas dadas pelos especialistas nesta matéria se referem a problemas de saúde adquiridos ao longo da vida. Por isso, sempre consulte seu médico.