É cefaleia ou enxaqueca? Saiba como identificar e tratar

22 de novembro, 2021

Sabia que as dores de cabeça são a segunda condição médica mais comum no mundo todo? A afirmação é da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), que faz outro alerta: mesmo entre aqueles que sofrem com o quadro frequentemente, cerca de um terço não procura atendimento e 50% não fazem um tratamento adequado. Muita gente convive com dor de cabeça – chamada pelos médicos de cefaleia – ou até com enxaqueca, uma doença neurológica complexa, achando que é comum, mas esses quadros merecem muita atenção. A seguir, saiba como diferenciar se é cefaleia ou enxaqueca e o que fazer em cada caso. 

Como saber se estou com cefaleia ou enxaqueca?

Os quadros possuem sintomas parecidos, é verdade. Mas algumas particularidades ajudam a desconfiar de cada um. Lembre-se de que o diagnóstico só deve ser dado pelo médico, mas vale saber quando é hora de procurar atendimento.

Cefaleia

  • O que é: a popular dor de cabeça se divide em dois tipos, primárias e secundárias. Aquelas que se encaixam no primeiro caso não dependem de outros fatores (como doenças) para acontecer, diferente das secundárias; elas são a própria doença. A enxaqueca, por exemplo, é uma cefaleia primária.
  • Sintomas: dor de cabeça repentina e associação com outros sintomas neurológicos (como fraqueza de um lado do corpo, por exemplo). 
  • Diagnóstico e tratamento: a SBCe sugere que os pacientes trabalhem com a máxima “três é demais”. Ou seja, se você sente três ou mais episódios de dor de cabeça por mês e isso ocorre há mais de três meses, procure um médico, de preferência um neurologista. O diagnóstico é clínico e o tratamento varia de acordo com a causa. Em casos específicos, o médico pode recomendar algum exame também, como de imagem.

Enxaqueca

  • O que é: um dos tipos mais comuns de cefaleia primária, a enxaqueca é uma doença neurológica.
  • Sintomas: o paciente sente dores de cabeça recorrentes. A cada crise, a dor surge com as mesmas características – na maioria dos casos, é lateralizada, intensa, latejante e agravada pelas atividades rotineiras. Mas outros sintomas também acompanham o quadro, como enjoo, vômitos e intolerância à luz ou a ruídos. As crises duram de quatro a 72 horas, e cerca de 20% das pessoas relatam ainda a aura (enxergam falhas ou brilhos no campo visual).
  • Diagnóstico e tratamento: o diagnóstico da enxaqueca é clínico – pelo relato do paciente e pelo exame neurológico já é possível confirmar. O tratamento abrange medicamentos e terapias não-farmacológicas, como evitar as situações que desencadeiam as crises (controle alimentar, prática regular de atividades físicas etc.).

Cefaleia ou enxaqueca?

Resumindo: a enxaqueca é um tipo de dor de cabeça, mas nem toda dor de cabeça (cefaleia) é enxaqueca! Procure atendimento caso desconfie dos quadros, até porque o atraso no tratamento pode acarretar, além de prejuízos pessoais (quem se concentra para trabalhar com a cabeça latejando, vamos combinar?), o agravamento da intensidade e da frequência das crises. 

Assim, quanto antes receber o tratamento adequado, ainda, maiores são as chances de evitar que a dor de cabeça acabe com o seu dia. A maior parte dos portadores de enxaqueca consegue definir os gatilhos das crises, que podem estar associados ao próprio organismo ou ao meio em que a pessoa vive. Entre os exemplos mais comuns estão fatores hormonais (como a menstruação), jejum prolongado, privação ou excesso de sono, consumo de bebidas alcoólicas e alguns alimentos (como queijos amarelos, gorduras e embutidos), mudanças de temperatura e exposição solar. Por fim, a prevenção é, sempre, o melhor remédio.

Fonte: Caio Simioni é neurologista (CRM 108219 SP | RQE 33640). Médico do Ambulatório de Cefaleias do HC-FMUSP, é vice-coordenador do Departamento Científico de Cefaleias da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

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