Recaídas fazem parte: como retomar o foco sem culpa
:format(webpp))
Durante um processo de emagrecimento e reeducação alimentar, recaídas podem acontecer.
O mais importante — e desafiador — é entender que elas não significam fracasso, mas fazem parte de uma jornada que envolve mudanças profundas de hábitos, emoções e rotina.
Por isso, entender por que esses deslizes surgem e como lidar com eles de forma prática e acolhedora ajuda a manter a constância e evita o abandono do autocuidado.
Por que as recaídas acontecem
As recaídas são influenciadas por uma combinação de fatores emocionais e práticos também.
Emocionalmente falando, emoções intensas, como estresse, ansiedade, tristeza ou até alegria, podem levar a comer sem que a fome seja o motivo principal, por exemplo.
Além disso, sentimentos de vergonha, culpa e estigma em relação ao próprio peso tendem a aumentar o sofrimento emocional e dificultar a continuidade do processo.
O impacto da culpa no autocuidado
Após um pequeno deslize, muitas pessoas entram em um ciclo de autocrítica que enfraquece a motivação.
A culpa e a vergonha estão associadas à dificuldade de manter o emagrecimento ao longo do tempo: quando esses sentimentos se intensificam, cresce a chance de novos excessos e do afastamento completo dos hábitos que estavam sendo construídos.
O pensamento “tudo ou nada”
Um dos principais sabotadores é a ideia de que um erro invalida todo o esforço anterior.
Pensamentos como “já que saí do plano, vou desistir” transformam um episódio isolado em abandono total.
Lembre-se: uma refeição fora do planejamento não define o progresso. O que realmente importa é retomar o planejamento, bem como as demais escolhas feitas ao longo do processo.
Autocompaixão como estratégia
Desenvolver autocompaixão é uma forma eficaz de lidar com recaídas. Isso significa tratar a si com a mesma gentileza que se teria com alguém próximo.
Em vez de se punir, reconhecer o momento difícil ajuda a romper o ciclo de culpa, excesso e desistência, favorecendo decisões mais conscientes no dia a dia.
Estratégias práticas para retomar o foco
Algumas atitudes simples podem ajudar a seguir em frente:
- relembrar os motivos que levaram ao início da mudança de hábitos, como saúde, energia e bem-estar;
- valorizar pequenas conquistas, mesmo quando o processo não é perfeito;
- evitar comparações, respeitando o ritmo individual de cada pessoa;
- pedir apoio de outras pessoas,como um amigo, familiar ou até mesmo algum colega que esteja passando pelo mesmo tratamento.
- reconhecer que o caminho não é linear e exige ajustes constantes.
Assim como cuidar de um jardim, o autocuidado envolve continuidade: um dia difícil não define todo o processo.
Retomar o foco com gentileza fortalece a constância e favorece mudanças duradouras.
O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, Nazaré de Oliveira; DEMARZO, Marcelo; NEUFELD, Carmem Beatriz. Intervenções baseadas em compaixão para comportamentos relacionados à obesidade: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 19, n. esp., p. 203–227, 2023.
DOI: 10.5935/1808-5687.20230045.

:format(webpp))