Setembro Amarelo: Como identificar se uma pessoa precisa de ajuda

9 de setembro, 2021

Setembro Amarelo é marcado por ser o mês da prevenção ao suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) no relatório Suicide Worldwide in 2019, essa é uma das principais causas de morte no mundo (ultrapassa os falecimentos por HIV, malária e até câncer de mama). Contudo, a mesma instituição garante que 90% dos casos podem ser evitados se todos tivermos acesso a profissionais de saúde mental.

Por isso, é muito importante buscar saber mais sobre o assunto. Desse modo, é possível identificar com mais facilidade se um amigo ou familiar precisa de ajuda. Saiba mais:

Leia também: Setembro Amarelo: Campanha de prevenção ao suicídio

Desmistificando questões mentais e emocionais

O comportamento suicida envolve uma complexa interação de fatores psicológicos e biológicos, inclusive genéticos, culturais e socioambientais, explica o psiquiatra Adiel Rios. Entretanto, nem sempre o ato envolve planejamento.

“O grupo de maior risco é o das pessoas que já tentaram uma vez. Apenas uma em cada três chega a receber atendimento médico. Além disso, nem sempre a pessoa é encaminhada a serviços de saúde mental”, ele diz.

Além disso, a depressão não tratada também é uma questão séria. Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por exemplo, o número de pessoas afetadas no mundo pela doença já ultrapassa 300 milhões. O transtorno é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, mas pode atingir indivíduos de todas as classes sociais, gêneros e idades.

“A depressão pode ser resultado de alterações nos neurotransmissores do cérebro (como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina, responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar) ou, então, de fatores como genética, problemas pessoais graves, traumas, abuso de substâncias lícitas e ilícitas, entre outros, gerando um quadro debilitante e difícil de lidar sem ajuda”, afirma a também psiquiatra Danielle H Admoni.

Possíveis sinais de alerta de uma pessoa em sofrimento

Entre outros fatores, o estresse patológico, as crises frequentes de depressão, o consumo descontrolado de psicoativos e conflitos familiares geram grandes agravos para a saúde mental do indivíduo, principalmente na juventude. Isso porque quem tenta o suicídio não quer colocar fim à vida, mas ao sofrimento. Entretanto, antes de tomar essa decisão, alguns sinais podem ser percebidos:

  • A pessoa perde o interesse em fazer coisas que antes gostava;
  • Passa a apresentar comportamento retraído, com muita dificuldade de integração social e com os familiares;
  • Tendência a ficar remoendo pensamentos obsessivos e negativos;
  • Demonstra pensamentos de desesperança, solidão, tristeza, baixa autoestima e falta de motivação para a vida;
  • Fica constantemente com irritabilidade, pessimismo, apatia e pode se mostrar agressiva;
  • Tem alterações extremas de humor, como raiva e rancor excessivo;
  • Possui sentimentos intensos de culpa, ansiedade, remorso ou vergonha;
  • Muda de assunto quando se fala sobre reabilitação mental ou outros tratamentos.

Ademais, quando há histórico familiar de doenças psiquiátricas ligadas aos distúrbios de comportamento, humor ou personalidade, os riscos são mais elevados. Também é preciso observar se seu ente querido apresenta tendências ou ideações suicidas. Isso fica claro quando a pessoa doa seus pertences, visita parentes próximos e define um testamento.

Leia também: Saúde mental: Porque ela é essencial para uma vida feliz

Principais mitos sobre o suicídio

Para esclarecer mais a questão, os especialistas elencaram os principais mitos e preconceitos sobre o suicídio. Veja mais:

O ato é uma decisão individual

MITO. O problema, na maioria dos casos, vem acompanhado de doenças mentais que alteram, de forma radical, a percepção que o indivíduo tem da realidade, interferindo no seu livre arbítrio. Por isso, o tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção ao suicídio.

As pessoas só querem atenção

MITO. A maioria delas fala ou dá sinais claros do que pretende fazer. “Daí a importância de estar atento às alterações no comportamento do indivíduo em questão”, pontua Danielle Admoni.

Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar os casos

MITO. Falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

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Mas o que fazer?

Promover mais diálogo sobre o suicídio

Um dos pontos mais relevantes da Campanha Setembro Amarelo é promover eventos, debates e discussões sobre a importância de cuidar da saúde mental. Em outras palavras, a população precisa entender que a atenção à saúde mental é tão importante quanto à física. Além disso, promover a interação social ajuda a superar momentos de sofrimento.

Incentivar a busca por um tratamento

É preciso falar com o amigo ou familiar sobre a necessidade de buscar suporte profissional, já que é muito difícil superar esses desafios sozinho.

Você sabia?

No Brasil existe uma instituição que oferece apoio emocional e atua na prevenção do suicídio. Trata-se do Centro de Valorização da Vida (CVV), associação sem fins lucrativos. Portanto, caso precise conversar, basta ligar para 188 ou acessar o chat no site da CVV. O telefone e o chat funcionam 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Fontes: Adiel Rios, psiquiatra e pesquisador do Instituto de Psiquiatria da USP e do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas da UNIFESP; Danielle H Admoni, psiquiatra na Escola Paulista de Medicina UNIFESP e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria); e especialistas do Hospital Santa Mônica, em São Paulo.

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